--- Frase de Agora! ---
"A água é para os escolhidos
Mas como podemos esperar que sejamos nós..
... eu e você?"

Máquina do Tempo: Vaga Viva do Coletivo Ideia Nossa. A única vaga viva do lado de cá da ponte =) Vaga Viva do Ideia Nossa

Destaque da Semana: Onde está o sol que estava aqui?
Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo rural
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domingo, 14 de outubro de 2012

Contra a crueldade animal


Vi essa matéria no site da Globo e achei que merecia ser publicada aqui no blog. Pode parecer bastante polêmico e extremo mas, algumas vezes, essa é a única forma que temos para chamar atenção e ganhar, por menor que seja, uma nota na grande mídia.

Texto: Globo Natureza/ Fotos: AFP - Animal Liberation Victoria

Um grupo de 100 membros da organização Liberação Animal Victoria (ALV, na sigla em inglês), realizou nesta quarta-feira (10) um polêmico protesto em Melbourne, na Austrália. Os ativistas fizeram um memorial solene segurando 100 animais mortos, entre ovelhas, porcos, cangurus, galinhas e peixes.


O propósito do ato era chamar a atenção para o sofrimento dos animais na sociedade em que vivemos. Muitos dos animais foram encontrados por uma equipe da organização já mortos ou à beira da morte, abandonados em fazendas de criação para abate ou atropelados em vias da região.


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Urbana Mata Atlântica

Aqui estou de volta a rabiscar algumas linhas tortas e tomara que em 2012 o blog ressuscite de vez!

Bom... 

Sabe aquelas pessoas que você conhece e rapidamente cria uma admiração tremenda? Foi assim quando conheci a Aline no Seminário de Mudanças Climáticas promovido pelo Instituto Pólis (post sobre o evento em andamento). 

Não era só o fato de ambos estudarmos saneamento, ou de termos trabalhado em áreas parecidas ou mesmo o espirito cicloativista presente em nós dois. Ela é mesmo uma pessoa iluminada e pude sacar isso logo de cara: admiração à primeira vista e não tem conversa.

Tanto que quando trabalhei na comissão organizadora da semana de meio ambiente da FATEC logo pensei em convidá-la para palestrar. Meu pedido foi atendido e a palestra foi um sucesso! :D

Eu estou no último ano da minha graduação e nos meus planos audaciosos estudar na Faculdade de Saúde Pública, onde a Aline estuda, seria algo fantástico. Tê-la um dia como orientadora, então...

Eu preciso voltar a escrever aqui no blog (estou totalmente fora de forma), então preparei esse "mini-prefácio" para o texto maravilhoso que é o prólogo da dissertação de mestrado dela que logo, logo será publicada.

Boa leitura e aguardo comentários!

@alvarodiogo "Compartilhe suas ideias"
http://www.ideianossa.blogspot.com 

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Urbana Mata Atlântica
por Aline Matulja*



Topolândia em São Sebastião - SP por Zeca

Nasci em 1984 e fui criada na cidade de São Paulo, a maior cidade tropical úmida do planeta! Cresci ouvindo o relato heroico, mas traumático da minha mãe boiando com sua Belina na Zona Leste quando começava a carreira de professora. Famílias contando na televisão que perderam tudo, do nada que tinham. Vizinhos do Cambuci instalando comportas nos portões e pintando seus muros a cada ano para superar a lembrança de mais uma cheia.

Aprendi a andar de bicicleta nos jardins do Ipiranga onde estão as margens plácidas do hino: cada dia mais fétidas. Fechávamos os vidros para o medo do assalto e para cheiro do rio Pinheiros, ambos produto do mesmo abandono. Às vezes dava vontade de acampar com aquelas crianças numa casinha de madeira em baixo da ponte e não entendia por que eu não devia olhar nos olhos dos mendigos que moravam na praça em frente de casa. Olhava pela janela do carro e perguntava-me por que aquelas máquinas enormes dentro do Tietê; não seria melhor parar de jogar cocô ali?

Ia passar férias em Guarapari, latitude 20°S no Espírito Santo, e a cada ano que passava a cidade estava maior. Eu não podia mais ir tomar sorvete sozinha, nem passear na feirinha. Um dia toda aquela gente ficou proibida de entrar no mar por causa da bandeira vermelha e fazia muito calor. Eu perguntava pra minha mãe: “Mas quem foi que fez cocô na água?”. Não fomos mais pra lá. Agora descíamos a serra do mar paulista quando passávamos por Cubatão, onde meu pai sabia de cor cada receita para fazer soda cáustica, cloreto de alumínio, solvente clorado, etc e etc. Ele, entusiasmado, dizia que tudo que temos, incluindo minhas bonecas, dependia daquelas fábricas. Eu só achava que elas não combinavam com aquela floresta encantada entrecortada por túneis e cachoeiras e nem com o mico leão dourado que vinha no chocolate surpresa. E a ararinha azul então que, segundo a figurinha, só havia mais um casal no mundo? Torcia pra elas não se perderem uma da outra como aconteceu com minha mãe e eu no supermercado outro dia.

Já em Bertioga a gente via índios guarani e eu ficava numa emoção só! Era um sinal que estávamos num lugar sem cidade. Só achava estranho eles estarem de roupa na beira da estrada vendendo e não do rio pescando. Chegando em Camburi era uma festa só! Aqui podia tudo! Pena que chovia! Chovia tanto em São Sebastrovão, bem nas férias de verão. Eu achava que a gente tinha que ter férias em outro mês. Um dia choveu tanto que encheu a rua de casa e até que era divertido caminhar com agua na canela. No outro ano a água entrou em casa e a gente subiu tudo, perdemos só o sofá, mas foi engraçado ver até meu pai puxando lama pra fora. Foi a farra do rodo. Todo ano acontecia, o nível da água cada vez mais subia conforme Camburi crescia.

Também cresci. Fui fazer faculdade em Florianópolis, latitude 27°S em Santa Catarina. Fui morar na praia e aprendi a gostar de vento e chuva! Aprendi também o que é mangue, restinga, floresta ombrófila densa. Vi como é simples tratar esgoto, monitorei poluição de gasolina em lençol freático. Fiz amigos urbanistas que, no papel, otimizavam espaço e sugeriam materiais reciclados muito baratos para construção de casas populares. Aprendi que no mundo de tecnologias existe solução para quase tudo. Mas continuava sem entender porque aquela cidade poluía seu principal ponto turístico, a Lagoa da Conceição, e a ocupação de suas encostas crescia para locais improváveis. A condição de vida na Ilha da Magia começava a me lembrar minha cidade natal, Guarapari e o Rio de Janeiro.

Passei a frequentar audiências públicas para discussão destas questões. Via de um lado o governo respaldado de palavriado técnico e do outro, pessoas indignadas, reagindo com argumentos individuais àquela agressão coletiva. Violência mútua. E eu pensava: Por que brigam tanto se a solução só poderá ser o que é melhor para todos? Seria possível que se chegasse a um consenso? Qual é a origem do problema que estamos discutindo? Quais são as alternativas, suas vantagens e problemas? O que diz a lei sobre isto? Nada disso era respondido. Queria saber onde estavam aqueles autores que diziam o que era certo e errado naquele momento. Em suas páginas parecia tão fácil escolher e aplicar aquelas tecnologias.

Encontrei um mundo em que os interesses políticos e econômicos prevalecem ao bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida como diz o artigo 225 da constituição federal. Junto com isso a incapacidade de dialogar e uma gestão setorizada voltada para o problema imediato, em que não se olha para a causa das causas.

Faz tempo que lemos Consequências da Modernidade de Anthony Giddens (1990), mas na corrida da globalização construímos um país tropical urbano com problemas sociais e ambientais incoerentes ao avanço econômico. O discurso de o Ponto de Mutação de Fritjof Capra (1983) também já está batido, mas a importância dada a hiperespecialização alimenta a fragmentação do mundo onde somos mais robôs do que cidadãos. Segue nas próximas páginas uma tentativa em sentido contrario.


Napoleão e Aline Matulja
*Aline Matulja trabalha com mediação de conflitos ambientais e educação para sustentabilidade. É engenheira sanitarista e ambiental (UFSC) e quase mestre em saúde pública (USP). Escreve no blog criaumfractal.wordpress.com

terça-feira, 29 de março de 2011

Fé e Insensatez

Fé e Insensatez

Lideres religiosos deveriam ser responsabilizados quando suas ideias irracionais se tornam ameaçadoras.

Revista Scientific American Brasil - por Lawrence M. Krauss

A cada dois anos a Fundação Nacional de Ciência, nos Estados Unidos produz o relatório Indicadores de Ciência e Engenharia, destinado a pesquisar o entendimento do público leigo acerca de conceitos científicos. E, a cada dois anos, chegamos novamente à triste constatação de que os adultos nos Estados Unidos estão menos dispostos que os de outros países desenvolvidos a aceitar como verdadeiros a teoria da evolução e o Big Bang.

Exceto desta vez. Teria havido um súbito salto quantitativo na “alfabetização” científica dos americanos? Infelizmente, não. Pelo contrário: o Comitê Nacional de Ciência, que controla a fundação, optou por não incluir na edição de 2010 a seção que discute esses tópicos, alegando que as questões constituíam “indicadores falhos da compreensão científica, pois as respostas confundiam conhecimento com crenças”. Em suma, como as crenças religiosas demandam que os respondentes ignorem os fatos científicos, o Comitê não acha adequado revelar essa realidade.

Entretanto, essa seção existe e a revista Science teve acesso a ela. A afirmação de que “os seres humanos, como os conhecemos atualmente, se desenvolveram a partir de espécies animais ancestrais” é “verdadeira” somente para 45% dos entrevistados. Compare esse número com as porcentagens de respostas afirmativas no Japão (78%), Europa (70%), China (69%) e Coreia do Sul (64%). Apenas 33% dos americanos concordam que “o Universo se originou de uma grande explosão”.

Atente para os resultados do Levantamento Religioso de 2009: 31% da população adulta americana acredita que “os humanos e outros seres vivos existem em sua presente forma desde o começo dos tempos” (o que também é válido para cachorros, cavalos e o vírus H1N1). O aspecto mais esclarecedor do levantamento é sua classificação das respostas por níveis de atividade religiosa, sugerindo que, de um modo geral, os mais devotos são os menos dispostos a aceitar a evidência de realidade. Protestantes evangélicos brancos têm a maior taxa de negação (55%), seguidos de perto pelo grupo — composto por todas as religiões — dos que frequentam cerimônias religiosas pelo menos uma vez por semana (49%).

Não sei o que é mais perigoso: crenças religiosas forçando algumas pessoas a escolher entre conhecimento e mito ou transformar em tabu a sugestão de que a religião pode alimentar a ignorância. Para isso, os riscos são estigmatizados como intolerância à religião. Em um recente artigo para o New York Times, o bem-intencionado Dalai Lama justapõe a assertiva de que “os ateus radicais promovem condenações generalizantes daqueles que têm crenças religiosas” à sua critica à intolerância extremista, ações homicidas e ódio religioso perpetrados no Oriente Médio. Apesar da diferença entre contestar crenças e decapitar ou bombardear pessoas, os “ateus radicais” em questão raramente condenam indivíduos, mas ações e ideias que merecem ser questionadas.

De forma surpreendente, a maior hesitação para se pronunciar vem, muitas vezes, daqueles que deveriam estar mais preocupados com o silêncio. Em maio, participei de uma conferência sobre políticas públicas e científicas em que o tom do debate foi dado por um representante da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano. Quando o questionei sobre como conciliava suas visões razoáveis sobre ciência com as atividades injustas e, ocasionalmente, absurdas da Igreja — desde falsos argumentos sobre preservativos e aids na África até pedofilia entre os clérigos—, fui acusado de intolerância por um orador após o outro.

Os líderes religiosos precisam ser responsabilizados por suas ideias. Recentemente, no meu estado, Arizona, a irmã Margaret McBride, administradora sênior do St. Joseph’s Hospital, em Phoenix, autorizou um aborto legal para salvar a vida de uma mãe de 27 anos, com quatro filhos, que estava na 11ª semana de gestação e sofria de graves complicações de hipertensão pulmonar. A religiosa tomou essa decisão após consultar a família da mãe, seus médicos e o comitê de ética local. Mesmo assim, o bispo de Phoenix, Thomas Olmsted, imediatamente excomungou a irmã Margaret, declarando que “não se pode optar pela vida da mãe em prejuízo à da criança”. Em uma situação normal, um homem que impiedosamente deixa uma mulher morrer; tornando órfãos seus filhos, seria considerado um monstro; isso não deve ser diferente só porque ele é um sacerdote.

Na campanha para governador do Alabama, um anúncio pago pelo sindicato estadual dos professores atacou o candidato Bradley Byrne, em razão de seu suposto apoio ao ensino da teoria da evolução. Preocupado com seu futuro político, Byrne achou por bem negar a acusação.

Manter a religião imune à crítica é injustificável, além de perigoso. A menos que estejamos dispostos a evidenciar a irracionalidade religiosa sempre que ela surgir, encorajaremos uma política pública irracional e promoveremos a ignorância, em detrimento da educação de nossas crianças.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O Gênesis: Idem, Ibidem

Um grande achado que achei a cara do blog!

Encontrei na melhor edição da Revista FAPESP que li até hoje. A edição n° 171, de maio de 2010 está imperdível. Tem de Machado de Assis aos arquivos do DEOPS-SP, tem também oceanografia e drenagem urbana em SP... Tá bom demais!

Dicas de leitura:

@alvarodiogo "Compartilhe suas ideias"

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O Gênesis: Idem, Ibidem
Vanessa Barbara

No princípio, Deus criou o céu e a terra. Foi no tempo de Sua iniciação científica, e devo dizer que o pré--projeto já parecia fadado ao fracasso. Como assim, “haja luz”? Francamente, Iaweh. Onde fica a metodologia? O referencial teórico? E a amostra de controle? Se não citar Antonio Severino, sinto muito — não me interessa se Você é o criador da ABNT.

Era evidente que o Senhor, a despeito de ser aquele que é, não havia lido a bibliografia obrigatória (GAUTAMA, 563 d.C.; VISHNU, 1254 a.C.; ALLAH, 570 d.C.; OLORUM, 1845 d.C.; e DARWIN, 1859). Se o tivesse feito, saberia que isso tudo já foi experimentado e devidamente descartado nos melhores círculos acadêmicos. Tomemos como exemplo o cronograma de trabalho, de risíveis sete dias — no último Ele ainda queria descansar às custas da Fapesp. No plano de marketing pessoal, chegou a declarar à imprensa que, ao apreciar sua obra, “viu que era bom”, ignorando assim toda e qualquer noção de objetividade inerente ao ofício.

A verdade é que o Universo foi apenas um mal-entendido no formulário de concessão de bolsas de pesquisa desta instituição. Deus, que é obviamente um iniciante, achou que precisava de toda essa parafernália planetária para criar um “universo significativo de amostragem”. E deu no que deu. Hoje ele tem claras dificuldades para manejar seus experimentos com um bilhão de chineses, sobretudo quando se trata de testes duplo-cegos — fica difícil driblar a onisciência.

No segundo dia, o Todo-Poderoso disse: “Que a terra verdeje de verdura”, e foi muito engraçado. No terceiro dia, fez os dois luzeiros maiores: o grande luzeiro como poder do dia e o pequeno luzeiro como poder da noite. Na quinta-feira, fervilhou a água de seres vivos e aproveitou para passar um café. Dali a pouco foi a vez de moldar os animais terrestres (ref. hipopótamo). No sexto dia, o que era pra ser uma pesquisa inútil, porém inofensiva, tornou-se um pesadelo para as agências governamentais que a financiavam. Deus criou o homem à sua imagem e, não contente, removeu uma costela do ser mencionado e a mergulhou, só por diversão, num amontoado de lama — exatamente como fez aquele sujeito com a orelha no lombo do rato. Então soprou. Sabe-se lá por que, o experimento deu certo: dali saiu uma mulher, instruída para ser fecunda, multiplicar-se e subjugar os outros animais que rastejam sobre a terra.

A seguir, passou a redigir o relatório de sua monografia, que começava assim porque Deus é prolixo: “Adotaremos o método intrínseco, estético e hermenêutico em sentido restrito (existencial-ontológico) e em sentido amplo (de interpretação inespecífica), partindo da exegese textual para a conclusão sobre o todo do Universo, método que se ajudará com o retórico-estilístico e o comparativista, todos se relacionando com o psicológico, o social e o histórico-cultural”. Percebam a utilização do plural majestático, que nesse caso é plenamente adequada. Além disso, vê-se que o Magnânimo estava confuso em todos os sentidos (tanto ontológicos quanto sintáticos). Há limites para a onipotência, e eles são as normas regulamentares para a apresentação de monografias.

Em todo caso, a hipótese inicial do Alfa/Ômega era simples: “Não vai dar certo”, escreveu, citando AVICENA, 1033 (que tentou transformar pão em ouro), e os partidários da busca pelo moto-perpétuo. A título de curiosidade, o Criador inseriu uma variante maléfica na redoma de testes: a serpente. O resultado dessa empreitada empírica pode ser resumido na seguinte resposta, transcrita pelo próprio Velho a partir de uma entrevista qualitativa com foco em história oral: “Não sei onde está Abel. Acaso sou guarda de meu irmão?”.

Abandonou-se, com isso, toda e qualquer metodologia razoável. Resignado, Ele decidiu radicalizar em nome da ciên­cia. Ora, apesar do que dizem, o Deus do Velho Testamento não é vingativo; é apenas um camarada curioso e interessado em estripulias empíricas. Planejou o dilúvio, por exemplo, para ver no que dava. Mandou um sujeito matar o próprio filho num teste de psicologia comportamental. Inventou um experimento quantitativo com nuvens de gafanhotos e mais meia dúzia de pragas que assustaram o faraó a valer. Enfim, fez o que bem queria, movido pela sede de saber.

Uma de suas maiores cobaias foi Jó, um mero aluno da graduação que sempre fora íntegro e reto, temia a Ele e se afastava do mal. O teste começou como um estudo sério, mas logo descambou para uma aposta inconsequente entre o Longânimo e um certo pesquisador diabólico. Visto que a vida de Jó era perfeita, o tal pesquisador disse ao Senhor que assim era fácil ter um assistente, e duvidou que Jó continuasse fiel caso caísse em desgraça. Seguro de sua popularidade, Deus deu carta branca ao rival para fazer o que quisesse com o pobre rapaz, que, aliás, nada tinha nada a ver com isso — leu toda a bibliografia optativa, cursou as aulas de estatística, sabia redigir os formulários etc. Aquilo não era justo. Pois o Tinhoso matou-lhe todos os bois, os servos, os camelos e os filhos, provocou um incêndio, cravou-o de feridas e ficou esperando. Jó hesitou, mas no final se manteve leal ao mestre, que aproveitou a ocasião para pedir-lhe um fichamento.

A história não seria tão trágica se Deus fosse uma entidade menos avoada. Enquanto escrevia a monografia propriamente dita, deixou seus objetos de pesquisa fugirem do controle. Em poucos milênios, enquanto Ele estava distraído, um camarada atacou o outro com um atum congelado, uma velhinha decidiu viver com onze cisnes em seu apartamento de 25 metros quadrados, uma universidade criou a disciplina “História do Cocô” e um glutão tentou comer o próprio peso em pipocas. Quando Deus terminou de escrever o Abstract, por fim, ergueu sua Santa cabeça e viu que estava tudo fora dos eixos. Havia demorado muitas eras para entender os padrões de citação bibliográfica relativos a verbetes de enciclopédia — também tinha certa dificuldade em ordenar alfabeticamente os autores SCHWARCZ, SCHARZ e SCHNITZLER. Lá embaixo, o caos reinava, livre de qualquer tentativa de controle científico.

Foi quando Ele teve uma grande ideia que lhe garantiu o ingresso no Doutorado e salvou (literalmente) a humanidade. Rascunhou o último capítulo de sua tese, intitulado: “O Apocalipse”, ou “A vindima das nações”. O objetivo era dar prosseguimento aos estudos de PESTE, 666; FOME, 2012; GUERRA, 2012; e MAGOG et al., 2082, pondo fim ao ciclo experimental sem, no entanto, cair no pessimismo. Aparentemente orientado pelo pesquisador citado na história acima (BESTA, 2012), ele redigiu: “Ficarão de fora [do céu] os cães, os mágicos, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos os que amam ou praticam a mentira”.

Foi assim que, com cavalos, trombetas e a danação eterna dos pobres mágicos, Deus fechou em grande estilo sua pesquisa “Criação do Mundo — Aspectos Pitorescos da Trajetória do Ser Humano sob a Ótica do Senhor de Todos os Exércitos”. Ganhou um glorioso dez — glorioso mesmo.

Vanessa Barbara é jornalista e escritora, autora de O livro amarelo do terminal e, em coautoria com Emilio Fraia, O verão do Chibo. Colabora com a revista piauí e edita o almanaque virtual A Hortaliça.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

3G

Geração de Giringonças só servem pra te fazer Gastar mais. Ta, deixando de lado agora o massacre da 3G elétrica, nosso conterrâneo @GuilhermeBueno pediu um post falando a respeito. Vou tentar resumir o que acontece na maioria dos casos com minha humilde cota de conhecimentos a respeito.
Quem usa 3G sabe, é um saco ainda termos de discar conexão num mundo onde se abre a tela do notebook e tudo está conectado e compartilhado em todas redes sociais.

Históricos e Objetivos

A evolução da telecomunicação é algo extraordinário. (Essa é a parte que eu me empolgo) Imaginem a Marginal Tietê com 1 pista pra todo mundo, pois bem, essa era a Primeira Geração de telefonia móvel; Imensas filas de ligações, as vezes eram necessárias esperas para completar a ligação que iria ainda começar a chamar! (Sim, ja foi muito pior do que é hoje).

A Segunda geração veio para adicionarmos aí pistas infinitas na nossa marginal, mas algo ainda barrava nosso extinto de liberdade na comunicação, por mais que as pessoas tivessem agora diversos meios de comunicação (agora digitais e não mais analógicas) abrindo os horizontes para suas ativides acontecerem simultaneamente, eram de baixa capacidade lentas também.

A Terceira geração veio (em 2008) pra engajar velocidade na comunicação móvel. Nesta mesma época o wireless (ou WiFi ou WLan) vinha virando modinha e a comparação entre essas redes sem fio em relação a telefonia móvel era inevitável. Até hoje muitas pessoas comparam desta forma e isto é um erro; Enquanto a rede sem fio Wifi presa pela banda transferida, acaba comprometendo a distancia e qualidade de sinal em determinados locais, ao passo que a 3G aplica o inverso, a necessidade de englobar uma gama de usuários imensa e conecta-los à internet faz com que a banda oferecida não seja tão instantânea tampouco de porte para boas taxas de transferência de dados.

As freqüências de radio para as bandas 3G foram leiloadas e na seqüencia burocrática da nova tecnologia vieram as obrigações impostas pela Anatel nos primeiros 8 anos (caso tenha curiosidade clique aqui) o que justifica a preocupação das operadoras em disponibilizar para todos sem ter a qualidade necessária. Este é um dos principais motivos de não possuir prioridade na melhoria da qualidade da rede.

Experiências

Bem, sobre o pouco que utilizei e presenciei das redes 3G é o que posso dizer sobre o assunto é que figura literalmente a 'internet do momento'. Isso me lembra as aulas de telecomunicações no curso de Eletrônica em quem o professor comentava das questões atmosféricas que influenciam nas ondas de rádio. Todas as ondas de rádio são afetadas por chuvas, umidade relativa, campos magnéticos e até mesmo explosões solares! O que faz da nossa internet uma verdadeira ferramenta de meteorologia rsrs. Ok, brincadeiras a parte, considerando estes fatos vê-se a utilidade dessa internet à pessoas que passam muito pouco tempo em casa e tem a necessidade imprescindível de manter-se conectado. De qualquer outro modo, acredito que os preços demorarão a baixar até que a internet 3G sirva realmente só pra lazer.

Informações Adicionais

Adiciono agora textos do HowStuffWorks a respeito do assunto, que darão noções mais técnicas a respeito.

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)declara as seguintes obrigações nos primeiros oito anos:
  • Em dois anos, todos os municípios brasileiros terão cobertura para serviços de telefonia celular. Para atender aos municípios menores, as operadoras poderão optar por utilizar rede particular - nesse caso, cada empresa terá obrigação de atender a 25% das cidades da região - ou por rede compartilhada, operada por terceiros - dessa forma, as autorizadas das quatro faixas deverão cobrir 100% dos municípios da região. É a chamada universalização do celular, com investimentos de R$ 2,5 bilhões até 2010.
  • Em dois anos, todas as capitais dos Estados, o Distrito Federal e as cidades com mais de 500 mil habitantes terão cobertura total (por definição, cobertura total corresponde a 80% da área urbana) para serviços de banda larga móvel.
  • Ao fim de quatro anos, todos os municípios com mais de 200 mil habitantes deverão estar cobertos pela banda larga sem fio. Passados cinco anos, 50% dos municípios com população entre 30 mil e 100 mil habitantes e 100% daqueles acima desta faixa estarão aptos a utilizar esses serviços.
  • Ao fim do oitavo ano, pelo menos 60% dos municípios com menos de 30 mil habitantes terão a tecnologia disponível. Ao todo, cerca de 3.800 municípios brasileiros serão atendidos com os serviços de banda larga sem fio.
Tecnologias 3G:
  • CDMA-2000 1x ou 1xRTT (1xRadio Tansmission Technology):tecnologia considerada de terceira geração por atingir taxas de transmissão superiores a 144 kbps e que preparou o terreno para as altas velocidades de dados hoje disponíveis. Permite total conexão sem fio.
  • UMTS (Universal Mobile Telecommunications Service):evolução da GSM, essa tecnologia baseada em IP (Protocolo de Internet) opera na faixa de 1900 MHz e atinge taxas de transmissão de até 2 Mbps, a velocidades médias de 220 a 320 kbps. Ela possibilita serviços de alto consumo de banda, como videoconferência, transmissão de TV, e streaming de áudio e vídeo. Como é compatível com a GPRS e a Edge, a UMTS pode operar em qualquer uma dessas redes com segurança.
  • HSPA (high Speed Packet Access): tecnologia que permite enviar e receber grandes arquivos, jogar online, enviar e receber vídeos e imagens em alta resolução, fazer download de música e permanecer conectado à Internet ou à rede IP do escritório. Pode transmitir dados a uma velocidade de até 5,7 Mbps, com taxas mínimas de transferência variando de 144 kbps a 384 bps. A sigla tem duas variações - HSDPA e HSUPA. A primeira, High Speed Downlink Packet Access, refere-se à velocidade com a qual a pessoas podem baixar arquivos de dados. A segunda, High Speed Uplink Packet Access, à velocidade para enviar pacotes de dados.
  • WCDMA (Wideband Code Division Multiple Access): protocolo de transmissão da terceira geração da telefonia celula r que utiliza o método de sinalização da tecnologia CDMA para alcançar velocidades mais altas e suportar mais usuários. A tecnologia foi desenvolvida pela NTT DoCoMo, operadora de telefonia japonesa como uma interface aérea da rede 3G da também japonesa Foma. O protocolo acabou virando parte do IMT-2000 (International Telecommunication Union), do padrão internacional da 3G. A WCDMA permite atingir velocidades de até 5,7 Mbps, dependendo do padrão adotado (HSDPA ou HSUPA).
TecnologiaTaxa de downloadTaxa de upload
GPRSde 60 kbps a 80 kbpsde 20 kbps a 40 kbps
EDGEde 177,6 kbps a 384 kbpsde 59,2 kbps a 118,4 kbps
WCDMAde 384 kbps a 5,7 Mbps
de 144 kbsp a 384 kbps






Espero ter ajudado nosso leitor Guilherme e estamos as ordens quando precisar só nos visitar.

George H. S. Ruchlejmer
@george_hsr
"Sua ideia é IdeiaNossa.blogspot.com"

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Teoria da Evolução vs Ciência

Bom, ja que vocês estão meio fraquinhos de post's, ou não param em casa, rsrs.. eu vou postar uma coisa aqui que vai dar o que falar, enjoy ;) .

Teoria da Evolução vs Ciência. (Parte1 de 2 )


Teoria da Evolução vs Ciência. (Parte2 de 2 )
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