Memória 08:
Esta é a última memória que coloco no gravador. Aqui estou eu no parapeito do prédio onde trabalho. Meu prédio!
Acabei de passar para esse gravador todas as memórias relevantes sobre o ESRV. Desde a noite em que descobri ser capaz de utilizá-lo para prever o futuro até agora.
Espero que isso ajude a compreender as coisas. O ESRV citado está no laboratório lá embaixo. Desabilitei a senha, portanto qualquer um pode entrar lá agora. Imagino que farão isso quando perceberem minha ausência. Deixo minha descoberta para a futura geração de pesquisadores e desenvolvedores neurais. Cabe a vocês decidir o que fazer com ela.
Eu? Tudo está bem claro pra mim agora. Meu destino já é certo. Assim como o de todos. Isso o Elmo me ensinou. Eu não acreditava em destino até que ele me mostrou a verdade. E o meu destino é esse. Se você assistiu minhas memórias até aqui, sabe do que eu estou falando.
Agora vou desligar o gravador e cumprir meu último ato. Aquele que já vi uma vez. Adeus…
"A água é para os escolhidos
Mas como podemos esperar que sejamos nós..
... eu e você?"
Máquina do Tempo: Vaga Viva do Coletivo Ideia Nossa. A única vaga viva do lado de cá da ponte =) Vaga Viva do Ideia Nossa
Destaque da Semana: Onde está o sol que estava aqui? Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo rural
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sábado, 27 de setembro de 2008
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
ESRV - Memória 07
Memória 07:
No décimo terceiro dia aconteceu algo completamente inesperado. Quando usei o Elmo naquela noite, já esperava as habituais visões de mim fazendo algo no laboratório. Qual não foi minha surpresa ao ver que eu estava no telhado do prédio! E não estava somente no telhado, estava no parapeito, em pé!
Meu coração estava palpitando, enquanto um vento gelado percorria meu corpo. Eu estava olhando para baixo, para a cidade luminosa que se estendia até o horizonte. E perto de mim, no chão, havia um objeto preto escuro. Uma caixa. Como estava escuro, não pude ver o que era. Então, após uma última olhada para a cidade, dei um passo a frente. E mergulhei na noite gelada.
Então acordei novamente. Minha pulsação estava elevadíssima. Apesar de ser apenas uma visão, as sensações foram reais. E meu corpo estava rígido, minha respiração ofegante. Não conseguia acreditar no que estava vendo. Eu havia me jogado do prédio! E as visões do elmo nunca haviam deixado de se provarem verdadeiras!
Seguindo minha intuição, assim como minha curiosidade, resolvi subir no telhado do prédio. E quando caminhava para meu elevador particular avistei uma caixa preta numa estante perto do computador central. Era uma caixa preta grande, e estava meio aberta, com alguns cabos saltando para fora. Logo percebi que era o meu gravador de memórias, usado para se gravar com todos os detalhes memórias e pensamentos, que poderiam então ser transferidos para o simulador. Peguei-o e subi para o telhado.
No décimo terceiro dia aconteceu algo completamente inesperado. Quando usei o Elmo naquela noite, já esperava as habituais visões de mim fazendo algo no laboratório. Qual não foi minha surpresa ao ver que eu estava no telhado do prédio! E não estava somente no telhado, estava no parapeito, em pé!
Meu coração estava palpitando, enquanto um vento gelado percorria meu corpo. Eu estava olhando para baixo, para a cidade luminosa que se estendia até o horizonte. E perto de mim, no chão, havia um objeto preto escuro. Uma caixa. Como estava escuro, não pude ver o que era. Então, após uma última olhada para a cidade, dei um passo a frente. E mergulhei na noite gelada.
Então acordei novamente. Minha pulsação estava elevadíssima. Apesar de ser apenas uma visão, as sensações foram reais. E meu corpo estava rígido, minha respiração ofegante. Não conseguia acreditar no que estava vendo. Eu havia me jogado do prédio! E as visões do elmo nunca haviam deixado de se provarem verdadeiras!
Seguindo minha intuição, assim como minha curiosidade, resolvi subir no telhado do prédio. E quando caminhava para meu elevador particular avistei uma caixa preta numa estante perto do computador central. Era uma caixa preta grande, e estava meio aberta, com alguns cabos saltando para fora. Logo percebi que era o meu gravador de memórias, usado para se gravar com todos os detalhes memórias e pensamentos, que poderiam então ser transferidos para o simulador. Peguei-o e subi para o telhado.
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sábado, 20 de setembro de 2008
ESRV - Memória 06
Memória 06:
Já faziam cinco dias desde minha primeira visão com o meu novo Elmo. Eu já o havia utilizado nove vezes ao todo. E todas as visões se realizaram exatamente como previstas. Com todos os detalhes e sensações.
E como eu dividia meu tempo entre usar o Elmo e verificar se a visão se realizaria, não sobrou muito tempo para as pesquisas. Meus ajudantes, principalmente Johnson, ficaram confusos, perplexos, pois dei como encerrado o projeto do novo ESRV, mesmo sem estar finalizado, e recoloquei todos em funções diferentes, trabalhando em projetos diferentes. E é claro que o único que tinha acesso ao laboratório era eu. Não permitiria a ninguém usar o meu elmo. Ele era muito precioso, e muito valioso, para que outros o usassem. E a humanidade não está preparada para a verdade que ele revela.
Após mais alguns dias usando o Elmo e vivendo suas visões, comecei a notar que meus funcionários me olhavam de forma estranha. Como se eu estivesse doente ou algo assim. É claro que já não me vestia impecavelmente como de costume, e parecia meio abatido. Mas era porque eu acordava muito ansioso para ver o que o elmo me mostraria naquele dia. E com isso também deixava de me alimentar direito. E por isso aparentava estar abatido, cansado.
Johnson e os outros dois pesquisadores ainda não sabiam porquê haviam sido dispensados da minha equipe particular de pesquisa. Agora eram diretores de projetos secundários. Como eles e os outros diretores começaram a me fazer muitas perguntas eu passei a me trancar no laboratório. Quando precisava sair eu usava o meu elevador particular, que antes quase nunca usara.
Já no décimo segundo dia após a primeira visão, a única coisa em que pensava era no ESRV. Cheguei a mudar para o laboratório, que a meu pedido foi mobiliado com um sofá bem confortável, ideial para dormir. Com isso não precisava mais sair do laboratório. E não precisaria mais olhar na cara daqueles diretores estúpidos!
Eu pedia comida a minha secretária, que a encomendava no restaurante do prédio. E eu trocava de roupa com pouca frequência. Estava usando as poucas que levara comigo quando me mudara para lá. Tomava banho, me barbeava e fazia tudo no laboratório.
E o mais peculiar é que todas as visões que eu via no Elmo se passavam dentro do laboratório. Todas, sem exceção!
Já faziam cinco dias desde minha primeira visão com o meu novo Elmo. Eu já o havia utilizado nove vezes ao todo. E todas as visões se realizaram exatamente como previstas. Com todos os detalhes e sensações.
E como eu dividia meu tempo entre usar o Elmo e verificar se a visão se realizaria, não sobrou muito tempo para as pesquisas. Meus ajudantes, principalmente Johnson, ficaram confusos, perplexos, pois dei como encerrado o projeto do novo ESRV, mesmo sem estar finalizado, e recoloquei todos em funções diferentes, trabalhando em projetos diferentes. E é claro que o único que tinha acesso ao laboratório era eu. Não permitiria a ninguém usar o meu elmo. Ele era muito precioso, e muito valioso, para que outros o usassem. E a humanidade não está preparada para a verdade que ele revela.
Após mais alguns dias usando o Elmo e vivendo suas visões, comecei a notar que meus funcionários me olhavam de forma estranha. Como se eu estivesse doente ou algo assim. É claro que já não me vestia impecavelmente como de costume, e parecia meio abatido. Mas era porque eu acordava muito ansioso para ver o que o elmo me mostraria naquele dia. E com isso também deixava de me alimentar direito. E por isso aparentava estar abatido, cansado.
Johnson e os outros dois pesquisadores ainda não sabiam porquê haviam sido dispensados da minha equipe particular de pesquisa. Agora eram diretores de projetos secundários. Como eles e os outros diretores começaram a me fazer muitas perguntas eu passei a me trancar no laboratório. Quando precisava sair eu usava o meu elevador particular, que antes quase nunca usara.
Já no décimo segundo dia após a primeira visão, a única coisa em que pensava era no ESRV. Cheguei a mudar para o laboratório, que a meu pedido foi mobiliado com um sofá bem confortável, ideial para dormir. Com isso não precisava mais sair do laboratório. E não precisaria mais olhar na cara daqueles diretores estúpidos!
Eu pedia comida a minha secretária, que a encomendava no restaurante do prédio. E eu trocava de roupa com pouca frequência. Estava usando as poucas que levara comigo quando me mudara para lá. Tomava banho, me barbeava e fazia tudo no laboratório.
E o mais peculiar é que todas as visões que eu via no Elmo se passavam dentro do laboratório. Todas, sem exceção!
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ESRV - Memória 05
Memória 05:
Quando cheguei em casa aquele dia, o céu já dava indícios de tempestade. E após duas horas sentado na frente da televisão , com o ESRV em seu devido lugar (ele já era ultrapassado para mim, que descobrira algo muito maior), toda a visão havia se realizado. O acidente no porto realmente ocorrera, e a tempestade seguia, com nuvens negras e relâmpagos cada vez mais próximos.
Com isso não havia mais dúvidas. De alguma forma eu fora capaz de criar um elmo que podia prever o futuro. E com uma riqueza de detalhes impressionantes.
No dia seguinte, fui novamente ver o que o elmo tinha para me mostrar. E a visão se tornou realidade novamente, é claro. Não restava dúvidas quanto ao poder da máquina criada por mim. Um poder impressionante, sobre o qual não possuo nenhuma explicação. Simplesmente não via como aquilo podia ser verdade!
Quando cheguei em casa aquele dia, o céu já dava indícios de tempestade. E após duas horas sentado na frente da televisão , com o ESRV em seu devido lugar (ele já era ultrapassado para mim, que descobrira algo muito maior), toda a visão havia se realizado. O acidente no porto realmente ocorrera, e a tempestade seguia, com nuvens negras e relâmpagos cada vez mais próximos.
Com isso não havia mais dúvidas. De alguma forma eu fora capaz de criar um elmo que podia prever o futuro. E com uma riqueza de detalhes impressionantes.
No dia seguinte, fui novamente ver o que o elmo tinha para me mostrar. E a visão se tornou realidade novamente, é claro. Não restava dúvidas quanto ao poder da máquina criada por mim. Um poder impressionante, sobre o qual não possuo nenhuma explicação. Simplesmente não via como aquilo podia ser verdade!
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008
ESRV - Memória 04
Memória 04:
No dia seguinte ao feriado, fui para o escritório mais cedo, e pedi para minha secretária que avisasse meus ajudantes que eles estariam dispensados aquele dia. Mandei dizer que não iria trabalhar no ESRV. Eles poderiam descansar mais um dia, e talvez no dia seguinte retomássemos a pesquisa.
Sentado no laboratório, fiquei fitando o Elmo durante muito tempo, imaginando o que eu deveria fazer. Resolvera aquela manhã que não contaria nada para ninguém. Pelo menos não enquanto não tivesse certeza. Mas só havia um jeito de ter certeza. E era testá-lo novamente.
Com relutância sentei na cadeira de testes e coloquei novamente o Elmo na cabeça. Realizei a sequência de comandos e esperei o computador processar o programa de realidade virtual. Então fechei meus olhos.
Quando os abri, percebi que estava em casa, sentado no sofá, com a televisão ligada. Eu não estava usando a antiga versão do ESRV (antiga para mim, porém era a última versão que estava à venda). Ela estava guardada na prateleira inferior da estante. Estava passando o noticiário, mostrando os detalhes de um acidente ocorrido no porto, envolvendo grandes perdas de materiais muito frágeis, usados na produção de computadores domésticos.
E pelas portas de vidro que dão para o jardim, se percebia grandes nuvens negras pairando no céu. Ocasionalmente se via um relâmpago ao longe. E com um relâmpago particularmente perto eu despertei. Estava de volta ao laboratório.
Até que tudo se confirmasse eu não poderia correr riscos. Por isso tranquei o laboratório com uma senha pessoal, que garantia acesso somente a mim, através de reconhecimento por DNA, que era recolhido instantaneamente através de uma pequena agulha, a ser pressionada com o polegar. Com isso meu segredo estava garantido. Agora só me restava esperar, para ver o que ia acontecer.
No dia seguinte ao feriado, fui para o escritório mais cedo, e pedi para minha secretária que avisasse meus ajudantes que eles estariam dispensados aquele dia. Mandei dizer que não iria trabalhar no ESRV. Eles poderiam descansar mais um dia, e talvez no dia seguinte retomássemos a pesquisa.
Sentado no laboratório, fiquei fitando o Elmo durante muito tempo, imaginando o que eu deveria fazer. Resolvera aquela manhã que não contaria nada para ninguém. Pelo menos não enquanto não tivesse certeza. Mas só havia um jeito de ter certeza. E era testá-lo novamente.
Com relutância sentei na cadeira de testes e coloquei novamente o Elmo na cabeça. Realizei a sequência de comandos e esperei o computador processar o programa de realidade virtual. Então fechei meus olhos.
Quando os abri, percebi que estava em casa, sentado no sofá, com a televisão ligada. Eu não estava usando a antiga versão do ESRV (antiga para mim, porém era a última versão que estava à venda). Ela estava guardada na prateleira inferior da estante. Estava passando o noticiário, mostrando os detalhes de um acidente ocorrido no porto, envolvendo grandes perdas de materiais muito frágeis, usados na produção de computadores domésticos.
E pelas portas de vidro que dão para o jardim, se percebia grandes nuvens negras pairando no céu. Ocasionalmente se via um relâmpago ao longe. E com um relâmpago particularmente perto eu despertei. Estava de volta ao laboratório.
Até que tudo se confirmasse eu não poderia correr riscos. Por isso tranquei o laboratório com uma senha pessoal, que garantia acesso somente a mim, através de reconhecimento por DNA, que era recolhido instantaneamente através de uma pequena agulha, a ser pressionada com o polegar. Com isso meu segredo estava garantido. Agora só me restava esperar, para ver o que ia acontecer.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008
ESRV - Memória 03
Memória 03:
O dia seguinte a minha tentativa ineficaz de obter sucesso no problema do ESRV era um feriado da minha empresa. Era o aniversário da criação das Indústrias Bayard. Um feriado que eu mesmo criara, em homenagem direta a mim. E havia me esquecido disso.
Como de costume, o pessoal dos laboratórios superiores fizeram uma reunião informal, com a intenção de descontrair e relaxar. E como de costume também, fui o convidado de honra. Cumprimentei muitas pessoas e conversei com algumas. A festa era na casa do Rafael, o gerente administrativo da empresa. Como estava faminto (não comera nada desde o desjejum), resolvi ir até os fundos para petiscar algo. Foi quando avistei Johnson, sentado em uma mesa conversando com sua mulher. Quando me aproximei ele percebeu minha presença, e me convidou a me sentar com ele. Como queria perguntar a ele sobre o programa de teste do computador, aceitei o convite e me sentei no banco desocupado após cumpirmentar sua mulher, Joana.
Após alguns minutos de conversa, fui ficando calado. Alguma coisa estava errada. Eu podia sentir. Não! Eu sabia que algo estava errado. Apenas não sabia o quê exatamente.
Nesse momento Joana começou a conversar com Johnson sobre outros assuntos. Como estava pensando em outras coisas não prestei atenção no que diziam. Estava muito ocupado tentando decifrar o mistério que espreitava minha mente, brincando com minha imaginação, para escutar o que estavam dizendo. Mas no mesmo instante o problema se resolveu. Foi o cheiro que me despertou para a solução. O cheiro de carne assada!
E simultaneamente a conversa de Johnson com Joana ficou clara como água para mim. Eles falavam sobre instalar uma piscina multitermal em sua casa! E disseram isso com as mesmas palavras que eu já ouvira uma vez. Tudo se encaixou instantaneamente. O que chamara minha atenção no início fora a familiaridade do lugar. Eu já havia estado ali, vendo as coisas daquele ângulo. E a salada de batatas! Como eu não percebera a salada de batatas? Estava na minha frente o tempo todo, e eu não a havia notado! Eu, que tenho um intelecto único, especial, deixara passar detalhes importantíssimos. Era um absurdo!
Mas esse sentimento de humilhação deu lugar a um outro, muito pior: o medo. Foi a primeira que passou pela minha cabeça. Antes mesmo de refletir sobre qualquer possível resposta para aquilo, a única coisa que senti foi o medo. Um medo genuíno, que vem do fundo da alma. Mas usando toda minha força de vontade procurei me acalmar. Não fazia sentido algum. Como o que eu acabara de presenciar já havia sido visto, sentido, por mim mesmo? Aquilo parecia impossível! Ainda tonto pelo choque da revelação me levantei e me retirei, após algumas despedidas inevitáveis. Não é fácil ser o dono da empresa. Todos querem te bajular, puxar seu saco, esperando algo em retorno. E eu tenho que aguentar isso todos os dias, como o bom empresário que sou.
Quando cheguei em casa, bebi um bom gole de leite gelado. Leite gelado sempre me ajuda a relaxar. Então sentei em meu escritório e parei para refletir sobre o que havia acontecido. A idéia de que minha mente estava me pregando peças nunca foi levada a sério. Ora, é impossível que eu estivesse sofrendo alucinações. Não eu!
Então a única alternativa que sobrava era uma que eu também considerava impossível. A de que eu havia tido uma experiência precognitiva. Em outras palavras, visto o futuro!
Como aquilo me deixou confuso. Ao mesmo tempo em que me recusava a acreditar nessa hipótese, ela era a única que parecia possível. Passei a noite inteira remoendo os fatos, tentando achar outras explicações para o ocorrido. Porém foram horas infrutíferas. Nada de novo me ocorreu, apenas cresceu o medo em mim. Não o medo que senti quando percebi o que havia ocorrido. Mas o medo de não saber o que fazer. Estava completamente sem ação. Primeiro, não tinha certeza de nada, não sabia no que acreditar. E mesmo que acreditasse na única resposta encontrada, ainda não sabia que decisões tomar. Aquilo não era algo para o qual eu estivesse preparado.
O dia seguinte a minha tentativa ineficaz de obter sucesso no problema do ESRV era um feriado da minha empresa. Era o aniversário da criação das Indústrias Bayard. Um feriado que eu mesmo criara, em homenagem direta a mim. E havia me esquecido disso.
Como de costume, o pessoal dos laboratórios superiores fizeram uma reunião informal, com a intenção de descontrair e relaxar. E como de costume também, fui o convidado de honra. Cumprimentei muitas pessoas e conversei com algumas. A festa era na casa do Rafael, o gerente administrativo da empresa. Como estava faminto (não comera nada desde o desjejum), resolvi ir até os fundos para petiscar algo. Foi quando avistei Johnson, sentado em uma mesa conversando com sua mulher. Quando me aproximei ele percebeu minha presença, e me convidou a me sentar com ele. Como queria perguntar a ele sobre o programa de teste do computador, aceitei o convite e me sentei no banco desocupado após cumpirmentar sua mulher, Joana.
Após alguns minutos de conversa, fui ficando calado. Alguma coisa estava errada. Eu podia sentir. Não! Eu sabia que algo estava errado. Apenas não sabia o quê exatamente.
Nesse momento Joana começou a conversar com Johnson sobre outros assuntos. Como estava pensando em outras coisas não prestei atenção no que diziam. Estava muito ocupado tentando decifrar o mistério que espreitava minha mente, brincando com minha imaginação, para escutar o que estavam dizendo. Mas no mesmo instante o problema se resolveu. Foi o cheiro que me despertou para a solução. O cheiro de carne assada!
E simultaneamente a conversa de Johnson com Joana ficou clara como água para mim. Eles falavam sobre instalar uma piscina multitermal em sua casa! E disseram isso com as mesmas palavras que eu já ouvira uma vez. Tudo se encaixou instantaneamente. O que chamara minha atenção no início fora a familiaridade do lugar. Eu já havia estado ali, vendo as coisas daquele ângulo. E a salada de batatas! Como eu não percebera a salada de batatas? Estava na minha frente o tempo todo, e eu não a havia notado! Eu, que tenho um intelecto único, especial, deixara passar detalhes importantíssimos. Era um absurdo!
Mas esse sentimento de humilhação deu lugar a um outro, muito pior: o medo. Foi a primeira que passou pela minha cabeça. Antes mesmo de refletir sobre qualquer possível resposta para aquilo, a única coisa que senti foi o medo. Um medo genuíno, que vem do fundo da alma. Mas usando toda minha força de vontade procurei me acalmar. Não fazia sentido algum. Como o que eu acabara de presenciar já havia sido visto, sentido, por mim mesmo? Aquilo parecia impossível! Ainda tonto pelo choque da revelação me levantei e me retirei, após algumas despedidas inevitáveis. Não é fácil ser o dono da empresa. Todos querem te bajular, puxar seu saco, esperando algo em retorno. E eu tenho que aguentar isso todos os dias, como o bom empresário que sou.
Quando cheguei em casa, bebi um bom gole de leite gelado. Leite gelado sempre me ajuda a relaxar. Então sentei em meu escritório e parei para refletir sobre o que havia acontecido. A idéia de que minha mente estava me pregando peças nunca foi levada a sério. Ora, é impossível que eu estivesse sofrendo alucinações. Não eu!
Então a única alternativa que sobrava era uma que eu também considerava impossível. A de que eu havia tido uma experiência precognitiva. Em outras palavras, visto o futuro!
Como aquilo me deixou confuso. Ao mesmo tempo em que me recusava a acreditar nessa hipótese, ela era a única que parecia possível. Passei a noite inteira remoendo os fatos, tentando achar outras explicações para o ocorrido. Porém foram horas infrutíferas. Nada de novo me ocorreu, apenas cresceu o medo em mim. Não o medo que senti quando percebi o que havia ocorrido. Mas o medo de não saber o que fazer. Estava completamente sem ação. Primeiro, não tinha certeza de nada, não sabia no que acreditar. E mesmo que acreditasse na única resposta encontrada, ainda não sabia que decisões tomar. Aquilo não era algo para o qual eu estivesse preparado.
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quarta-feira, 3 de setembro de 2008
ESRV - Memória 02
Memória 02:
Primeiro dia de trabalho da semana. Acordei cedo, e tomei meu habitual desjejum. Pão integral enriquecido com um pouco de margarina protéica. Margarina protéica porque andava me alimentando mal ultimamente. Tenho trabalhado até tarde no laboratório, e com isso relaxei um pouco na alimentação e no sono.
Depois de me arrumar rumei para o laboratório. Chequei as ligações com a secretária e fui direto para minha sala. No momento estávamos focados no novo projeto do ESRV. Aquele que acreditávamos, iria mudar a vida das pessoas. A minha pelo menos foi uma delas.
Meu grupo particular de pesquisa e desenvolvimento era composto de três pessoas além de mim. Estávamos muito avançados na finalização do protótipo, que segundo minhas estimativas, ficaria pronto em pouco tempo. Porém haviamos encontrado um problema no projeto. E ainda não haviamos conseguido resolvê-lo. Trabalhavamos nesse problema singular já há quase uma semana. E sem sua solução o protótipo não funcionaria. Disso tínhamos certeza.
Como eu estava muito empolgado com o rumo que tomávamos em direção a solução, fiquei até tarde aquele dia no laboratório, estudando todas as possibilidades que me ocorriam. Eram aproximadamente três horas e o prédio estava vazio, exceto por mim, trancado em meu laboratório.
E foi naquela noite que aconteceu. Eu havia descoberto! Qual não foi minha alegria ao descobrir o que deveria ser feito para que tudo funcionasse conforme o planejado. Dei pulos de alegria, meu coração batia rápido com a excitação da descoberta. E como se tratava de algo de simples execução, me deixei levar pelo excitamento do momento e resolvi terminar o protótipo. Tal era minha paixão pelo ato da criação e descoberta que não hesitei em finalizá-lo sozinho.
Então trabalhei. A bancada na qual estava trabalhando se encontrava cheia de ferramentas e de máquinas de pequeno porte, que eram instrumentos de soldagem e aplicação de precisão extrema. Fixei todos os circuitos, os chips previamente desenvolvidos, e acoplei tudo ao Elmo, que por sua vez era acoplado ao grande computador central do meu laboratório.
Estava tudo pronto! Era hora de testar minha recente criação. O teste prévio feito pelo computador indicava que estava tudo certo. O elmo não representava risco para o cérebro humano. Com isso em mente, coloquei o Elmo na cabeça e iniciei a sequência de comandos que daria início ao teste programado de realidade virtual. Fechei os olhos, e foi isso que aconteceu:
Ainda com os olhos fechados, senti um pequeno vento no rosto. Senti também cheiro de carne assada. E ouvi vozes, vozes conhecidas. Então abri os olhos, e me vi sentado em uma mesa, em um quintal gramado nos fundos de uma casa. A voz que eu ouvira era de Johnson, um dos desenvolvedores da minha equipe. Ele conversava com sua mulher, que estava sentado à minha frente, se servindo de salada de batatas. Eles conversavam qualquer coisa sobre como uma piscina multitermal seria ideal agora que chegava o inverno. As crianças iriam adorar.
E assim como quando se acorda de um sono sem sonhos, num piscar de olhos me vi de volta ao escritório, sentando na cadeira de segurança, com o elmo em minha cabeça. Meio confuso com o que tinha visto, o retirei e o depositei na mesa. Bem, devo dizer que aquilo me deixou realmente perplexo. O que havia visto não fazia parte do programa de teste. Não fazia o menor sentido. Será que Johnson o havia modificado? Uma brincadeira talvez?
E além da perplexidade, estava completamente desapontado. Não havia conseguido a sensação de movimento que era o que estávamos procurando. Essa versão do ESRV não era diferente da anterior em quase nada. Apenas mostrava uma melhoria na resolução de imagem, na percepção auditiva e olfativa. Apenas isso. Desapontado e frustrado por ter me enganado de maneira tão humilhante resolvi ir dormir, e deixar todo o resto para o dia seguinte. Como ficara acordado até tarde aquela noite, dormi um sono profundo, sem sonhos.
Primeiro dia de trabalho da semana. Acordei cedo, e tomei meu habitual desjejum. Pão integral enriquecido com um pouco de margarina protéica. Margarina protéica porque andava me alimentando mal ultimamente. Tenho trabalhado até tarde no laboratório, e com isso relaxei um pouco na alimentação e no sono.
Depois de me arrumar rumei para o laboratório. Chequei as ligações com a secretária e fui direto para minha sala. No momento estávamos focados no novo projeto do ESRV. Aquele que acreditávamos, iria mudar a vida das pessoas. A minha pelo menos foi uma delas.
Meu grupo particular de pesquisa e desenvolvimento era composto de três pessoas além de mim. Estávamos muito avançados na finalização do protótipo, que segundo minhas estimativas, ficaria pronto em pouco tempo. Porém haviamos encontrado um problema no projeto. E ainda não haviamos conseguido resolvê-lo. Trabalhavamos nesse problema singular já há quase uma semana. E sem sua solução o protótipo não funcionaria. Disso tínhamos certeza.
Como eu estava muito empolgado com o rumo que tomávamos em direção a solução, fiquei até tarde aquele dia no laboratório, estudando todas as possibilidades que me ocorriam. Eram aproximadamente três horas e o prédio estava vazio, exceto por mim, trancado em meu laboratório.
E foi naquela noite que aconteceu. Eu havia descoberto! Qual não foi minha alegria ao descobrir o que deveria ser feito para que tudo funcionasse conforme o planejado. Dei pulos de alegria, meu coração batia rápido com a excitação da descoberta. E como se tratava de algo de simples execução, me deixei levar pelo excitamento do momento e resolvi terminar o protótipo. Tal era minha paixão pelo ato da criação e descoberta que não hesitei em finalizá-lo sozinho.
Então trabalhei. A bancada na qual estava trabalhando se encontrava cheia de ferramentas e de máquinas de pequeno porte, que eram instrumentos de soldagem e aplicação de precisão extrema. Fixei todos os circuitos, os chips previamente desenvolvidos, e acoplei tudo ao Elmo, que por sua vez era acoplado ao grande computador central do meu laboratório.
Estava tudo pronto! Era hora de testar minha recente criação. O teste prévio feito pelo computador indicava que estava tudo certo. O elmo não representava risco para o cérebro humano. Com isso em mente, coloquei o Elmo na cabeça e iniciei a sequência de comandos que daria início ao teste programado de realidade virtual. Fechei os olhos, e foi isso que aconteceu:
Ainda com os olhos fechados, senti um pequeno vento no rosto. Senti também cheiro de carne assada. E ouvi vozes, vozes conhecidas. Então abri os olhos, e me vi sentado em uma mesa, em um quintal gramado nos fundos de uma casa. A voz que eu ouvira era de Johnson, um dos desenvolvedores da minha equipe. Ele conversava com sua mulher, que estava sentado à minha frente, se servindo de salada de batatas. Eles conversavam qualquer coisa sobre como uma piscina multitermal seria ideal agora que chegava o inverno. As crianças iriam adorar.
E assim como quando se acorda de um sono sem sonhos, num piscar de olhos me vi de volta ao escritório, sentando na cadeira de segurança, com o elmo em minha cabeça. Meio confuso com o que tinha visto, o retirei e o depositei na mesa. Bem, devo dizer que aquilo me deixou realmente perplexo. O que havia visto não fazia parte do programa de teste. Não fazia o menor sentido. Será que Johnson o havia modificado? Uma brincadeira talvez?
E além da perplexidade, estava completamente desapontado. Não havia conseguido a sensação de movimento que era o que estávamos procurando. Essa versão do ESRV não era diferente da anterior em quase nada. Apenas mostrava uma melhoria na resolução de imagem, na percepção auditiva e olfativa. Apenas isso. Desapontado e frustrado por ter me enganado de maneira tão humilhante resolvi ir dormir, e deixar todo o resto para o dia seguinte. Como ficara acordado até tarde aquela noite, dormi um sono profundo, sem sonhos.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008
ESRV - Memória 01
Memória 01:
A noite está muito agradável. O vento gelado passa por mim, resfriando todo meu corpo, enquanto olho para a cidade abaixo. A cidade em que nasci e cresci, e a qual ajudei a modernizar e a se tornar o maior pólo de tecnologias neurais. Isso mesmo, é esse o termo correto: tecnologias neurais. Pode soar meio estranho, mas é porque termos técnicos assim são desconhecidos pela maioria da população. Apenas especialistas e pesquisadores costumam utilizá-los.
E eu… bem, eu acho que pode ser presunção, mas acredito que eu seja o maior pesquisador neural vivo. Me dedico a pesquisa e desenvolvimento à aproximadamente 26 anos. Praticamente desde que me formei doutor na área. E desde que fundei meu próprio laboratório de pesquisas essa cidade ganhou sua mina de ouro. Apliquei toda minha herança no negócio, e com alegria vi meus esforços darem frutos. Minha empresa cresceu em um ritmo exponencial, e logo me vi no centro das atenções mundiais. E ao longo dos anos essa cidade cresceu. Elevou-se do posto de comum para o de pólo tecnológico. E na área mais promissora do momento.
E tudo isso graças a mim, e a meu brilhante intelecto. Eu criei um império, joguei luz em conceitos sobre nosso cérebro que eram completamente errôneos. E agora, meu império não me serve de nada. E os mesmos conceitos não me são de serventia alguma tampouco. Calma, vou explicar tudo aos poucos, para que não fique confuso. Estava perdido em pensamentos, mas vamos ao que interessa: aos fatos!
Me chamo Bayard, sou o dono das Indústrias Bayard, que fabricam todos os tipos de aparatos relacionados à sua rede neural. Somos nós que fabricamos os sensores que se conectam ao cérebro humano, e que são utilizados em aparelhos que requerem manejo de extrema precisão. Um pensamento direcionado diretamente a um braço mecânico é muito mais eficaz que um braço humano em um controle. Ora, todos sabemos disso. Mas além dos sensores neurais artificiais, e de todas as outras tecnologias que eu tenho certeza que você conhece, estão as minhas prediletas. São os elmos simuladores de realidade virtual, abreviados por ESRV. Ou simplesmente elmos.
Com um deles devidamente acoplado a cabeça, e com o programa adequado, posso alterar e manipular os cinco sentidos humanos. Ainda não havíamos conseguido sensações de movimento muscular, mas estávamos chegando lá. Pelo menos era no que eu acreditava.
E eu… bem, eu acho que pode ser presunção, mas acredito que eu seja o maior pesquisador neural vivo. Me dedico a pesquisa e desenvolvimento à aproximadamente 26 anos. Praticamente desde que me formei doutor na área. E desde que fundei meu próprio laboratório de pesquisas essa cidade ganhou sua mina de ouro. Apliquei toda minha herança no negócio, e com alegria vi meus esforços darem frutos. Minha empresa cresceu em um ritmo exponencial, e logo me vi no centro das atenções mundiais. E ao longo dos anos essa cidade cresceu. Elevou-se do posto de comum para o de pólo tecnológico. E na área mais promissora do momento.
E tudo isso graças a mim, e a meu brilhante intelecto. Eu criei um império, joguei luz em conceitos sobre nosso cérebro que eram completamente errôneos. E agora, meu império não me serve de nada. E os mesmos conceitos não me são de serventia alguma tampouco. Calma, vou explicar tudo aos poucos, para que não fique confuso. Estava perdido em pensamentos, mas vamos ao que interessa: aos fatos!
Me chamo Bayard, sou o dono das Indústrias Bayard, que fabricam todos os tipos de aparatos relacionados à sua rede neural. Somos nós que fabricamos os sensores que se conectam ao cérebro humano, e que são utilizados em aparelhos que requerem manejo de extrema precisão. Um pensamento direcionado diretamente a um braço mecânico é muito mais eficaz que um braço humano em um controle. Ora, todos sabemos disso. Mas além dos sensores neurais artificiais, e de todas as outras tecnologias que eu tenho certeza que você conhece, estão as minhas prediletas. São os elmos simuladores de realidade virtual, abreviados por ESRV. Ou simplesmente elmos.
Com um deles devidamente acoplado a cabeça, e com o programa adequado, posso alterar e manipular os cinco sentidos humanos. Ainda não havíamos conseguido sensações de movimento muscular, mas estávamos chegando lá. Pelo menos era no que eu acreditava.
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