--- Frase de Agora! ---
"A água é para os escolhidos
Mas como podemos esperar que sejamos nós..
... eu e você?"

Máquina do Tempo: Vaga Viva do Coletivo Ideia Nossa. A única vaga viva do lado de cá da ponte =) Vaga Viva do Ideia Nossa

Destaque da Semana: Onde está o sol que estava aqui?
Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo rural
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sábado, 15 de agosto de 2015

Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo urbano

Em uma região que falta água pra beber, ar pra respirar e solo pra se plantar, morar e se deslocar esse texto vem incendiar o blog que há tempos não era atualizado.

Será que é mesmo só amor que não existe em SP?

Boa leitura.

@alvarodiogo
Numa eterna reflexão de amor e ódio sobre SP

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Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo urbano

Por Ariovaldo Nuvolari¹

Estamos no inverno e tivemos 4 dias de chuva e frio. De repente, que beleza, um dia de sol. Gosto do inverno, mas só daqueles dias de sol, nos quais, posso andar tranquilamente pelas ruas do meu bairro, nas minhas horas de folga, me aquecendo e olhando as novidades. Pra mim, os dias de chuva e frio são tristes, porém, como estamos precisando de muita chuva, devemos agradecer a Deus, por ter se lembrado de nós. Que remédio ...

Eu já estou com 65 anos de idade, aposentado há dois anos, porém continuo trabalhando, não tanto quanto antes, mas continuo, porque após 42 anos de contribuição para o INSS, ainda não consigo viver com o salário que me pagam, em parte por causa do plano de saúde que está cada vez mais caro e subindo sempre acima da inflação. Quem se preocupa com isso ? Quem fiscaliza ? Parece que ninguém.

Mas, voltando a comentar o meu passeio pelo bairro, percebi que, nos últimos tempos, há muita novidade por aqui. Casas construídas na década de 1950-1970 estão sendo derrubadas, para construção de novos prédios, num ritmo alucinante e numa ganância muito grande dos empresários do setor. Com tanta construção no bairro, a caminhada já não é tão agradável como antes; as calçadas e ruas estão esburacadas, montes de areia e de terra, cocô de cachorro, lama e restos de concreto. Os caminhões que transportam terra escavada saem derrubando a terra e sujando as ruas do bairro, gerando pó em dias secos e lama quando chove. Já flagrei motoristas lavando os seus caminhões de concreto no meio fio e jogando os restos na sarjeta. Quem se preocupa com isso ? Quem fiscaliza ? Parece que ninguém. Tais sujeitos fazem o que querem e ninguém diz ou faz nada.

Passando por um desses locais, eu me espantei e me perguntei: Nossa ! A casa que aqui existia era tão bonita, bem cuidada, com jardins, flores e agora se resume a esse amontoado de entulhos; para onde será que foram essas pessoas ?  Para onde está sendo levado tanto entulho ? Fiquei sabendo que, usando terrenos de 10mx50m, um sujeito está construindo, só no bairro em que moro, 8 prédios exatamente iguais: 2 andares, 12 apartamentos de 40 m² cada; a meu ver um verdadeiro sarcófago (sem iluminação e ventilação adequadas). Mas quem se preocupa com isso ? Quem aprova tais projetos ? Parece que ninguém.

Godzilla x Especulação Imobiliária
Fonte: Mercado Popular
Continuo a minha caminhada, passo numa determinada rua e de repente fico ainda mais triste; a maior parte das casas daquele quarteirão está à venda, e então eu me faço a seguinte pergunta: por que será ? Logo percebo o motivo; do outro lado da rua, em frente delas, lá estão 3 torres de um novo condomínio residencial. Taí a razão; roubaram-lhes o sol. Caramba ! Mas o sol não nasceu pra todos ? Sim, mas para os moradores dessas casas, não mais. Principalmente no inverno terão que conviver com o frio e o cheiro de mofo.

Desculpe-me o eventual leitor, mas hoje estou mais chato do que de costume e cheio de perguntas: será que as redes elétricas, redes de água e de esgoto serão suficientes para mudanças tão bruscas ? Será que as ruas estreitas comportarão tantos carros entrando e saindo ? Afinal de contas, num só local onde antes havia 3 ou 4 casas, nas quais moravam no máximo 20 pessoas, agora temos três edifícios com 20 andares cada um, e 4 apartamentos por andar. Faço as contas e constato; puxa vida ! agora são 80 apartamentos em cada edifício,  e um total de 240 apartamentos, onde passarão a viver cerca de 1.000 pessoas, e naquele mesmo espaço. E a tão decantada “qualidade de vida”, onde é que fica ? Quem se preocupa com isso ? Quem aprova tais projetos ? O plano diretor, se é que ele existe, está sendo cumprido ? Quem fiscaliza isso ? Parece que ninguém.

Verticalização e o preço da especulação imobiliária
Fonte: Belém Debates
À noite chego em casa e minha filha me liga desesperada, dizendo: Pai, acabei de chegar do serviço, fui tomar banho, mas acabou a água, o que é que eu faço ? Bingo ! Tais transtornos já eram esperados, e apenas começaram. Ela mora num prédio de 2 andares e, neste caso, a pressão da água deveria vencer, no mínimo 15 metros de altura para chegar à caixa d’água que fica na laje superior. Como os prédios maiores tem caixa d´água inferior, isto é, recebem a água nas suas caixas situadas nos subsolos para depois fazer o bombeamento para a caixa d´água superior, conclui-se que os prédios maiores vão receber a água, já as casas térreas, sobrados e os prédios menores ficarão sem ela, pois a pressão passou a não ser suficiente para a demanda. Quem está preocupado com isso ? Acho que ninguém. E nesse ritmo, que belo cenário para o futuro.

Ligo a TV e sou informado pela repórter que o nível do Sistema Cantareira, que era responsável por produzir 33.000 litros de água por segundo é só de 19,6% já considerando o volume morto. Que o nível do Alto Tietê era de 28% e assim por diante. Um cenário nada animador. Eu me lembrei que há pouco tempo atrás um colega de trabalho (sou professor na área de saneamento e meio ambiente) me convidou para um desses debates sobre a crise hídrica. Naquela época eu disse a ele: eu não vou participar porque nem sei o que dizer; já que a busca de novos mananciais está cada vez mais difícil; a água necessária para abastecer os quase 22 milhões de pessoas da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) não está tão próxima da capital. Como então aumentar a produção com tantas limitações ?

Situação atual do sistema Cantareira: -12%
Fonte: Mananciais.tk
Comecei então a pensar no assunto. O que fazer ? Por um lado a população aumentando dia a dia em ritmo acelerado, necessitando cada vez mais água. Por outro, os mananciais mais próximos e que já estão sendo utilizados, continuam os mesmos e ainda por cima passamos a conviver com esse período de baixas precipitações nas bacias que alimentam esses mananciais, ou seja, a situação é bastante crítica e só tende a piorar ainda mais.

Fui buscar alento na Bíblia Sagrada, livro esse do qual sou leitor assíduo. Pensei comigo: o Criador deve ter a solução. Eu me deparei então com um texto registrado no livro de Gênesis 1.27 e 28, que diz: E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra ...

Eu fiquei meditando sobre esse texto e pensei: bom, o homem obedeceu a Deus quando frutificou, multiplicou (somos mais de 7 bilhões em toda a terra), mas logo me lembrei também que; quando o homem quis construir a torre de Babel (ver Gênesis 11.4), Deus não se agradou disso, confundiu as línguas e os fez parar com aquele projeto. Deus realmente quer que enchamos a terra, usando os seus espaços e não nos aglomerando num só local. A aglomeração não faz bem. Quanto se gasta com mobilidade urbana ? Quanto tempo em média leva o trabalhador da sua casa ao serviço e vice-versa ? Quanto tempo e dinheiro se gasta no trânsito ? Porém, nós teimosamente nos acotovelamos nas cidades, desobedecendo às ordens divinas. E é claro que estou me incluindo entre os rebeldes.
Mas, você leitor, deve estar pensando: o que fazer então, seria correto proibir as pessoas de morar nas cidades ? Os mais afoitos vão dizer: isso não é democrático. Realmente não é, concordo, mas alguma coisa precisa ser feita. Porque não incentivar aqueles que querem outro tipo de vida, a sair das cidades. Temos visto tantos protestos em busca de moradias, terras, etc, sempre atrapalhando o trânsito e complicando a vida dos demais cidadãos; e sempre também sem uma resposta adequada das autoridades; que me parecem perdidas em meio a tantos problemas. Acho que cada cidade deveria estudar e fixar qual a população em que ela poderia ser considerada sustentável. Eu acho que as grandes cidades não são sustentáveis. Posso garantir que a RMSP não é sustentável.   No caso do esgoto sanitário, você sabia  que hoje são tratados menos de 45% dos esgotos coletados e nem todo esgoto é coletado ?  E o pior é que,  mesmo que num passe de mágica, conseguíssemos coletar e tratar todo o esgoto gerado, ao nível atual de 90% de remoção da carga orgânica, ainda assim mataríamos os rios que cortam nossa cidade, pois os 10% de carga orgânica restantes são suficientes para deixá-lo com concentração zero de oxigênio dissolvido. Sem contar as questões: da já citada falta d´água, do lixo, do trânsito, da poluição do ar. A concentração de população nas cidades grandes já é absurda e só tende a piorar com o crescimento populacional. Alguma coisa tem que ser feita, estamos perto ou dentro do caos.

Rio Tietê: pouca água, muito esgoto
Fonte: Envolverde
Garanto também que muita gente não sai das cidades por pura falta de opção. No entanto, se tivéssemos um projeto ao nível dos governos: federal, estadual e municipal, envolvendo cabeças pensantes das universidades, além de empresários que se dispusessem a participar desse projeto, contanto que houvesse um sério respaldo político, administrativo, financeiro e técnico.

E que tipo de projeto poderia ser ? Eu pensei em algo como Agrovilas, espalhadas por todo país; nas quais houvesse a preocupação de se plantar, de acordo com a vocação agrícola local, amparada tecnicamente por órgãos tipo EMBRAPA, a nível federal, secretarias de agricultura, etc. Além disso, que a essa produção agrícola fosse agregado valor, através de industrialização no próprio local. Parte da população que aderisse ao programa, se dispondo a deixar as cidades, poderia trabalhar meio período na indústria, e meio período na sua propriedade agrícola. Outra parte da família ficaria apenas na produção agrícola, de modo que, em cada família sempre houvesse quem trabalhasse tanto na indústria quanto na produção agrícola, mantendo um razoável nível de vida.

População urbana e rual no Brasil de 1940 a 2010
Fonte: Mundo Agrário
Claro que tudo isso precisaria ser melhor pensado, mas acredito nessa fórmula e penso que poderia dar certo se todos os envolvidos no projeto trabalhassem em prol do sucesso de todos e que gente idônea fosse encarregada do gerenciamento desses projetos. Com isso, de forma voluntária, poderíamos incentivar a volta ao campo e cada vez mais ir diminuindo a população das cidades a níveis aceitáveis. Seria o reverso do êxodo rural, uma espécie de êxodo urbano.

EU JÁ ESTOU VELHO, CANSADO, MAS PREOCUPADO: QUEM PUDER QUE FAÇA ALGUMA COISA.
E OBRIGADO SE VOCÊ TEVE PACIÊNCIA DE LER ESSE MANIFESTO ATÉ O FIM...

¹ARIOVALDO NUVOLARI
Cidadão andreense - professor universitário
Mestre e doutor em Recursos Hídricos e Saneamento pela UNICAMP
nuvolari@fatecsp.br

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

2º Festival de Artes de Rua da Praça Elis Regina

Por Jonatham Adam / Fotos: Álvaro Diogo

Equilibrismo
O festival foi fantástico, lindo. No início fiquei tão emocionado ao ver as pessoas ali, com a música e chorei. Sério ! Não aguentei, explodi. Mas foram lágrimas de alegria ! Fiquei muito contente em ver de perto tanta gente ali : vivendo o momento, se divertindo, contribuindo com tudo. Com o Festival em si, lógico, e com a organização. Muitíssimo obrigado por este dia. Agradeço  ao  Álvaro, ao  Coletivo  Ideia  Nossa, aos  músicos  e  aos  artistas  circenses ! Nunca tinha  vivido  algo semelhante  a este  evento ! Tive  felicidade  de  ver  as crianças aproveitando lá no  Escambo  o filme do superman, do batman ... vi um rapaz presenteando uma moça (amiga, ou namorada) com o livro "uma breve história do tempo" do Hawking - sei lá deu uma sensação de gosto, sabe ?  Pois  estes  títulos  coloquei  no  escambo  logo  quando  cheguei.  E  nós  sabemos, quando  agimos  de  boa  fé,  como  é  bom  despertar  o  sorriso  e  a  alegria  nas  outras  pessoas  com  nossas  ações. Nunca  fiz  nada  parecido.
Escambo promovido pelo Coletivo Ideia Nossa

Como  disse-me  um  amigo : “as  pessoas  podem  voltar  ocupar  o  espaço  público ; que  é  delas”. E  só  o  fato  de  saber  que  a  ideia  do  festival partiu  de  uma  iniciativa  de  um  grupo  das  pessoas - os  músicos  “Cabarés”, “Ideia  Nossa”  e demais - já  é  de  grande  significância. Poxa, é  uma  iniciativa  e  tanto !

Essa  coisa  da  aproximação  das  pessoas, creio, é  essencial  para  haver  uma  convivência  mais  fraterna  entre  nós. Era  possível  ver  muitas  pessoas  que  vinham  do  serviço  e  paravam  para  ver  o  festival. Umas  paravam  alguns minutos  para  apreciar ; já  muitas  outras  simplesmente  jogavam  a  bolsa  na  grama  e  ali  restavam. Sabemos  que  elas  poderiam  simplesmente  ignorar  e  ir ver  TV  ou  ir  ao  shopping, mas  elas  quiseram  estar  ali : se  divertindo, interagindo, se  alegrando  em  conjunto!

Paraciclo produzido pelo Coletivo Ideia Nossa
Mau  vejo  a  hora  de  surgir  o  próximo  festival  que, na  esperança, será  maior  ainda.
Só  de  lembrar, dá  uma  saudade  daquele  sábado. Com  certeza  o  mais especial  do  ano. Pois  as  experiências  que  podemos  adquirir  num  evento  destes  é  impagável, até  indescritível  com  simples  palavras. É  preciso  viver o  Festival  e  senti-lo  em  sua  totalidade : observar  as  cordas  do  violão  ondularem, as  crianças  brincando  com  os  jogos, os  rapazes  e  moças  dançando
e  bebendo, os  artistas  e  músicos  nos  empolgando  com  seu  magno  ofício, enfim, dos  mais  jovens  aos  mais  idosos  sendo  felizes  naquele  dia !

Coletivo Ideia Nossa

sábado, 20 de setembro de 2014

Feira das Profissões

Texto: Álvaro Diogo, Felipe Cruz, Paulo Fonda e Rodrigo Martins / Fotos: Bianka Azevedo e Rodrigo Martins

Coletivo Ideia Nossa realiza palestra para cerca de 100 jovens na Escola Estadual Professora Neide Aparecida Sollitto.

Se você pudesse, tivesse tempo um dia desses, de voltar a sua escola? Visitar onde você aprendeu a ler e escrever. Entrar na sala de aula onde você estudou quando criança, andar novamente no pátio da escola. Olhar e ver nos olhos de cada criança e pensar: "Eu já estive aqui, e hoje me sinto feliz de voltar e dizer a cada um deles sobre minha profissão e despertar nesses jovens o interesse na música".

Paulo Fonda e seu violão

O Coletivo Ideia Nossa realizou na ultima quinta feira (18), palestra intitulada “Feira de Profissões” aos estudantes da Escola Estadual Professora Neide Aparecida Sollitto. Na ocasião, os representantes do coletivo palestraram sobre suas experiência de vida e carreira profissional.

Com o objetivo de despertar o interesse dos estudantes para entrarem na faculdade e minimizar as dúvidas quanto à carreira. Os representantes animaram a manhã dos estudantes, que com entusiasmo e curiosidade, não pouparam perguntas e questionamentos.

Bianka Azevedo respondendo às perguntas sobre o que ser fotógrafa
O evento contou com a participação do Músico Paulo Fonda PauloFonda, do sanitarista Álvaro Diogo, da fotógrafa Bianka Azevedo e do jornalista Rodrigo Martins.

“É muito gratificando poder despertar a essa juventude o interesse em continuar em busca dos seus sonhos” relata o representante do Ideia Nossa, Alvaro Diogo.

 As palestras "Feira de Profissões" continuam e serão ampliadas a outras escolas, ONGs, empresas, comunidades interessadas. Siga www.ideianossa.blogspot.com e Coletivo Ideia Nossa nas redes sociais.

Álvaro Diogo (sanitarista), Paulo Fonda (músico), Rodrigo Martins (jornalista) e Felipe Cruz (geógrafo). Todos colaboradores do Coletivo Ideia Nossa


domingo, 13 de julho de 2014

Vandalismo x Protesto

Por Felipe Cruz

Pessoas que gritam aos sete ventos que foram nas manifestações do ano passado. Pergunto, em qual delas você foi??? Na segunda-feira mágica, em que houve uma mobilização social enorme, com pessoas gritando "sem partido", ou "sem violência"? Pessoas que nunca sofreram as reais mazelas de manifestações passadas? Pessoas que claramente, não tinham um saber político, por ser a primeira vez que se rebelaram contra um sistema? (Não que elas não possam ter aprendido, afinal, credito a ida às ruas para desenvolver esse saber, desde que não se conforme com apenas esse evento mágico).

Ou você esteve nas anteriores que contou com a máquina de opressão, chamada PM? Falo daquelas manifestações que desencadearam essa segunda feira mágica, que muitos irão contar para os netos que já participaram de uma "manifestação" e que NEM usaram máscaras. Nossa que pessoas incríveis (ironia mode on).



É preciso entender a diferença entre vandalismo e um protesto, um grito de uma ação direta contra o capital. (Ainda que possa vir a não concordar).

Enquanto houverem mascarados que protegem pessoas dos danos físicos contra a polícia que legitima o aparelho do estado, e que concomitantemente atacam os símbolos do grande capital, por "n" motivos que não vou lhes cansar, mas por exemplo, o que simbolicamente mostra às pessoas que elas não precisam ser dominadas por nada, e que grandes prédios e etc... não representam nada. Estarei do lado deles.

Mais vale um banco quebrado, ainda que assuste essa ingênua parcela da população, do que o sumiço do Amarildo dentre outros que nem ouvimos falar, e que a mesma população que se amedronta com o banco, não dá a mínima pra mais um pobre favelado morto.


E quando for ofender o movimento, sugiro que evite a palavra "marginal". Como você sabe que essas pessoas estão às margens??? E se realmente estão, é válido o argumento "cadeia neles"? Então a resposta é que continue a excluí-los da sociedade?

Parabéns, com mais muros e grades que pretende construir um Brasil melhor?

terça-feira, 1 de abril de 2014

Parabéns pra você!

Por Rodrigo Martins

Parabéns pra você, nestes 50 anos queridos! 

A festa está marcada, muitos convidados, o bolo é uma bola de futebol, assim poderemos saborear com muitos gritos de gol na hora de apagar as velinhas!

O convite é destes da última geração, onde as imagens do fantástico mostravam polícia junto com o exército, marinha, aeronáutica tomando a comunidade da Maré, e após a mágica tomada - em 15 minutos acabaram com uma história de anos de crime - então, eles levaram as crianças para conhecer dentro dos “caveirões” e andar a cavalo, usando as boinas policiais. Confesso que tive a impressão de ter voltado na história e estar observando os Jesuítas catequizando os índios.

E então a festa começou...

Primeiro a chegar foi a polícia. Eles queriam saber se estava tudo em ordem e progresso. E então começaram recolhendo os CDs e DVDs piratas, após prenderem uns usuários de maconha que tinha por lá. Em seguida acharam uns ladrões de carros e limparam geral, até um negro ator da globo saiu algemado, para provar a ação, o helicóptero cheio de drogas foi apreendidos, mas não tinha dono.

Em seguida chegou a mídia, cheia de pompa, já chegou falando, primeiro deixou claro que as manifestações na festa não daria certo, para provar que estava certa repetiu diversas vezes o foguete que matou o cinegrafista. Como sempre bem vestida, mostrou os avanços. Eike Batista que foi o apresentador. O Mc Donald´s e a Coca Cola tentou entrar junto mas não passaram na porta, o filho de Eike passou direto, não deu tempo de frear. 

Quem chegou em seguida foi o governo. Chegou na Hillux nova da PM e deixou claro que as ações estão corretas e que a maconha é proibida, isso que é vendido na porta da sua casa é uma ilusão de ótica. Ao entrar não fez questão de cumprimentar a Educação, disse que é “Um bando de vagabundos” e se encher o saco, falando de saúde, transporte, cultura, esporte, etc. já ia chamar quem resolvesse o problema: cassetetes novos, carros com jato d´aguá e a nova lei anti terrorismo. E esse papo de moradias já, já vamos dar um jeito, com toda a licença, mas a democracia precisa de estacionamento para a copa.

Saltitantes chegaram os Políticos. Os carros era todos importados, as fichas criminais também, prometeram uma nova democracia, esta estava velha. Discursaram por horas, mostraram imagens e depoimentos que pensamos estar na festa errada. Promessas de reforma eleitoral, reforma no judiciário, leis mais duras, e melhores salários para eles. (O último eles cumpriram)

Tarda mais não falha! Chegou a madame justiça, essa chegou por último (como sempre) escolheu quem cumprimentar, deu habeas corpus para uns, liminar para outros e uns mais especiais tiveram habeas corpus preventivo, mas saíram muitas liminares determinando entrar em todas as casas suspeitas da comunidade da Maré (O que seria uma casa suspeita?!). Não contente, julgou em tempo Record presos em protestos. Prendendo a todos, determinando uma limpeza étnica na sociedade, em especial a comunidade do Pinheirinho.

E então lá vem o povo, quando chegou na porta não pôde entrar, já estava cheio...  E então, uns ficaram amarrados nos postes e não conseguiram se soltar a tempo, outros estavam batendo em quem bateu em alguém e as mulheres estavam vestidas “pedindo para serem estupradas”. Foi então que começaram a acabar com os 3´Ps (Pobre, Preto e Puta), assim, ficaria mais fácil de lidar com a sociedade. 

Bom, mesmo ao lado de fora o parabéns saiu...

O bolo acabou rápido, só foi para os convidados! 

E hoje é o dia de dizer parabéns, afinal não se faz 50 anos todos os dias. Então lá vai...

“Parabéns coronéis vocês venceram outra vez, o congresso continua a serviço de vocês...”

O golpe de 64, em resumo. Por Carlos Latuff

sábado, 23 de novembro de 2013

Eleições Conselho Participativo SP - André Wagner Rodrigues - 57.008

Sou um dos candidatos à CONSELHEIRO PARTICIPATIVO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO.

Serei defensor da contínua melhoria do EDUCAÇÃO na região do Campo Limpo! Gostaria de contar com seu voto. As eleições acontecem no dia 08 de dezembro de 2013.

Minhas propostas são:

1º Formar pólos de formação contínua de professores da rede municipal e estadual de nossa região. Acredito que podemos, assim, contribuir (num primeiro momento) para uma mudança significativa do Ensino oferecido nas escolas da região.

2º Acompanhar as políticas públicas e o investimento de verbas para a efetiva viabilização de recursos pedagógicos, técnicos e científicos para as Escolas da região de Campo Limpo.

3º Fiscalizar as ações políticas de urbanização e infraestrutura para as escolas de nossa região.

Eleições Conselho Participativo SP - Leticia Freire - 83.058

Eu sou Leticia (sem acento gráfico mesmo).

Nasci em SP e me criei no meio do mato. Primeiro em uma casa afastada em Cristina (MG), depois no sítio (do pica pau amarelo) em Vargem Grande Pta. São Paulo para mim só em dia de visita aos avos ou ao dentista (no centrão).

Vi a Raposo Tavares crescer, perder seus Ipês e balões (acreditem, haviam balões por aqui) e virar "avenida". Esse motivo, alias, fez com que a vida no meio do mato ficasse simplesmente inviável para meus pais (um professor universitário e uma jornalista). O difícil deslocamento e o transito nos aproximou da metrópole.

Meu primeiro amor em SP foi justamente o Instituto Butanta, parque tranquilo, na época sem carros. Depois viemos de vez para o pedaço e foi a Avenida Caxingui (ao lado do Instituto) que acolheu a mim e a minha família qdo eu tinha 16 p 17 anos (hoje estou com 33).

Logo descobri a festa do ciclo do Boi, no Querosene, e a casa Bandeirante... Era tudo um grande quintal urbano para mim. Mas era tudo muito diferente do que é hoje, tanto em cenário quanto em paisagem.

Vi o Pirajussara bravejar muitas vezes. Vi também seu aprisionamento (ou canalização, segundos termos técnicos).

Bicicleta mamãe só deixava do lado de cá da ponte. Do lado de lá era a cidade, que eu desconheci por muitos e muitos anos (minha referência espacial de SP ia até o Shopping Eldorado..)

Estudei administração. Trabalhei como gestora de projetos sociais (foco em criança e adolescente), mas me apaixonei pelas histórias que reportava nos relatórios. Estudei fotografia, fiz alguns trabalhos como fotojornalista. Depois, militante da área ambietal, atuei por bons anos como jornalista. Mas minha vocação/atividade é a fotografia, linguagem que escolhi para a vida.

Hoje sigo freelancer e pesquisadora da Usp.

Estudo na filosofia os indícios/vestígios do conceito mais visceral de natureza que a cidade (em sua polifonia e poliformia) oculta de nós. Converso com os grafites, com a pichação e com a arte de rua em geral. Trata-se de um trabalho de reflexão sobre a comunicação urbana.

Sou voluntária e associada do Ciclocidade, voluntária, militante e associada da Associação Filosófica ScientiaeStudia, tia do Rafael (q acaba de ganhar sua primeira bicicleta!), filha de Xangô, arquiteta descalça, aprendiz de costureira, amiga do famoso Jonny da bike e frequentadora do Cine Querosene (cinema de rua, grátis, público).

Meus irmãos me acham brava. Eu me defendo dizendo que sou uma pessoa comprometida com o que é bom, belo e justo: o que é diferente de braveza, vai? Mas as vezes fico bem brava, é verdade... Acho que fico indignada e desato a falar, falar, falar...

Gosto da vida reservada, do dia.

sábado, 26 de outubro de 2013

Frente Parlamentar de Mobilidade Humana - Ciclovia da Av. Eliseu de Almeida

Por Álvaro Diogo

Ontem (24 de outubro), eu e a Paola, estivemos representando o Coletivo Ideia Nossa ao lado dos colegas da Ciclocidade, Gabriel e Matias, na reunião da Frente Parlamentar de Mobilidade Humana onde o subprefeito do Butantã, Luís Felipe, iria prestar estar esclarecimentos sobre a atual situação da ciclovia prevista desde 2004 para a Avenida Eliseu de Almeida.

Os boatos que circulavam de que o projeto apresentado pela JBA Engenharia havia sido rejeitado pela CET, que além de não ser um projeto executivo, mal atendia as exigências normativas minímas para sinalização, eram verdadeiros.

Manifestação pela ciclovia da Eliseu no dia primeiro de dezembro de 2012. Fonte: Taboão em Foco.
Não, não foi dinheiro público jogado no ralo. A empresa não tinha contrato para executar o projeto da Ciclovia da Eliseu, mas é detentora do contrato para o projeto completo de repavimentação da avenida. Ao que parece ficou acordado entre a empresa e a subprefeitura uma "doação" desse projeto da ciclovia para acelerar o processo e conseguirmos utilizar as verbas previstas para esse ano (2 milhões da CET e 1 milhão e 200 mil de emenda parlamentar do Vereador Aurélio Miguel). O grande erro: a subprefeitura acreditou na empresa e nós acreditamos na subprefeitura.

Da esq. para a dir.: Álvaro (Coletivo Ideia Nossa),
Sofia (Colégio Ítaca) e Gabriel (Ciclocidade) em
reunião na Câmara Municipal de São Paulo sobre
a ciclovia. Fonte: Ciclocidade
Fato é que a empresa em todas as nossas reuniões afirmava que o projeto executivo estava em andamento no escritório, mas o que entregaram para a CET foi recusado. Recusado mais de uma vez. Assim como nós fomos enrolados mais de uma vez. Perdemos tempo, energia e ainda os dois milhões da CET que foram destinados a outra obra com projeto executivo finalizado.

O subprefeito continua mantendo o discurso de que a ciclovia será entregue esse ano. Agora vamos ao novo discurso oficial.

Uma empresa - Tecnotrans - irá executar a ciclovia sem projeto (sendo realizado posteriormente um "as built" [sic!]) onde o traçado contempla o trecho que vai do Shopping Butantã até o final da Av. Eliseu de Almeida. Trecho bem menor do que seria contemplado anteriormente que iria de Taboão da Serra ao metrô Butantã.

Para este trecho será usada a emenda parlamentar de R$150.000,00 destinadas e já disponibilizadas para utilização pelo Vereador Nabil Bonduki e com a emenda do Aurélio Miguel que deverá ser autorizada para uso neste sábado via decreto no diário oficial. Totalizando R$1.350.000,00 disponíveis semana que vem, estando a subprefeitura apta a iniciar as obras.

A interligação do final da Eliseu até o metrô já está em fase de projetos, pela mesma empresa, mas sem previsão de início e muito menos de entrega.

Há ainda as seguintes promessas, sem nenhum prazo para conclusão:
- a continuação da ciclovia até o Taboão;
- um braço da ciclovia até a futura estação de metrô Morumbi;
- ciclorotas até a Ponte Eusébio Matoso;
- interligação até o Portão 1 da USP;
- interligação com o bairro do Caxingui.

Placas utilizadas nos protestos. Fonte: Mobilize
Para a continuação da ciclovia e outras propostas acima é fundamental a atuação dos vereadores da Frente Parlamentar de Mobilidade Humana para destinar emendas em 2014 para a ciclovia. E faz-se com extrema urgência inserir na pauta das discussões sobre o Plano Diretor e da Lei de Diretrizes Orçamentárias a ciclovia da Av. Eliseu de Almeida.

Em uma das reuniões no Estúdio do Morro entre ciclistas da região pegamos o projeto da ciclovia e comentamos todas as folhas, indicando nossas alterações, críticas e sugestões. Tudo a troco de quê?

Ainda batemos na tecla de soluções emergenciais desde o ano passado para aqueles ciclistas que usam a avenida diariamente em seus deslocamentos e nenhuma delas nunca foi contemplada. Sinalização horizontal e vertical de ciclistas na via, redução e/ou controle de velocidade na via, campanhas de educação no trânsito, implantação de ciclorotas. Para quê? São ações desnecessárias, não é mesmo?

Adesivo distribuído nos protestos. É comum encontrar bicicletas e carros com esse pedido na região. Fonte: Vá de Bike
Houve um esforço enorme da sociedade, incluindo aqui todos aqueles que em algum momento destes últimos 10 anos se engajaram nessa luta, de que a ciclovia fosse executada de forma exemplar para atender a atual e futura demanda de forma segura.

Bicicleta do ciclista Lauro Neri, atropelado e morto em 2012
na avenida. Fonte: Via Trolebus
Com o rumo das ações da subprefeitura estamos prestes a receber uma CICLOCOISA que pode colocar em risco à segurança de ciclistas, ao invés de resguardá-los e ainda ser sub-aproveitada já que a demanda reprimida de ciclistas poderá não se sentir segura em pedalar trecho-sim, trecho-não na ciclovia, que nem sinalização irá receber, sendo um risco principalmente nos cruzamentos.

Os ciclistas presentes na reunião consideram clara a necessidade de manutenção, ampliação e intensificação dos protestos pela ciclovia na Eliseu. Não podemos nos contentar com o que "sobra para fazer" imposta pela prefeitura. Uma reunião com o secretário de subprefeituras, Chico Macena, já está sendo agendada e caso não resolva solicitaremos mais uma vez uma reunião com o prefeito Fernando Haddad.

Queremos a ciclovia da Eliseu, não mais uma ciclocoisa na cidade. Muitos poderão exclamar: "mas pelo menos vão fazer alguma coisa!". E eu deixo a seguinte pergunta para reflexão: "até quando iremos nos contentar com migalhas do poder público e suas obras com projetos imperfeitos ou mesmo sem projetos?"

terça-feira, 22 de outubro de 2013

PL 289 - Gestão Pública de Praças

Por Paola Corassini e Diogo Baeder


Na Grécia, a Ágora Grega era o principal espaço público urbano, onde os cidadãos (diga-se: homens aristocratas) encontravam-se e debatiam ideias, o que fomentava a "democracia direta". Hoje a praça deveria fazer o papel da Ágora Grega, e ser local de manifestações públicas de qualquer tipo, totalmente ao contrário do conceito o que vimos hoje são praças como locais ermos, não ocupado, muitas vezes perigosas, sem iluminação, cuidado ou carinho. 

Há algum tempo, o Ideia Nossa conversa sobre a implantação de Hortas Comunitárias em praças, mas a participação desse tipo de atividade deve ser regular e constante, portanto vale planejamento maior e estável.

Buscando esse planejamento, a fim de dar andamento no projeto de Hortas Comunitárias em praças, o colaborador, Diogo Baeder foi à Câmara Municipal de São Paulo, em setembro, conhecer o Projeto de Lei 289, do vereador Nabil Bonduki, qual afirma a participação pública e privada na gestão das praças, e fez seu relato sobre a audiência pública:

"De forma geral, foram umas 12 pessoas, e a maioria estava mais interessada em debater os aspectos sob os quais o Projeto pode beneficiar as comunidades, embora um ou outro tenham se apegado a como o setor privado pode participar disso. A reunião durou cerca de 2h30min, discutiu-se diversos detalhes sobre o projeto, cobrou-se adendos e modificações ao mesmo de forma que possa ser mais claro e menos sujeito a causar problemas de implantação de projetos nas praças. Haverá uma segunda audiência pública, no entanto será feita em alguma praça pública, de forma mais aberta, e apresentando novo texto que contemple a discussão que aconteceu hoje.

--- Iniciativa privada ---
A busca pela parceria com o setor privado se deu pelo fato de que a verba pública para investir nesse projeto é pequena, portanto há a necessidade de equacionar isso junto à iniciativa privada de forma a viabilizar os projetos que a população criará para cada praça, através dos comitês formados para elas; No entanto, ficou claro que o setor privado não poderá atropelar os projetos criados pelos comitês gestores, embora ainda aguardemos mudanças no texto que deixem isto explícito.

--- Manutenção estrutural ---
Não ficou muito claro isto, mas aparentemente a responsabilidade por manter a infra das praças, bem como a parte vegetativa, após a construção de projetos comunitários, será mista - comunidade do entorno, Prefeitura e eventuais empresas envolvidas -. O que ficou mais claro é que haverá um esforço maior em elencar todo o material e elementos estruturais das praças, de forma que a Prefeitura tenha melhores condições de identificar quando é necessário realizar manutenção nelas.

--- Preservação e desenvolvimento ambiental ---
Todas as mudanças feitas nas praças estarão operando sob as diretrizes normais públicas a respeito da preservação ambiental da cidade como um todo; Haverá integração forte com o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos para incentivar a coleta seletiva, e investimento em composteiras em algumas delas.

--- Acessibilidade ---
Foi identificada a necessidade de aumentar a acessibilidade às praças, como criação de mais faixas de pedestres nas ruas que rodeiam as praças; Ficou óbvia e unânime a escolha por manter as praças completamente livres de cercas, para ampliar seu acesso.

--- Qualidade ---
Foi identificada a necessidade de que a estrutura das praças seja composta por materiais de alta qualidade; Houve críticas aos banquinhos com assentos ondulados e sem encostos, e clamor para que as praças tivessem um apelo maior para manterem os cidadãos nelas, e para que elas sejam mais convidativas à população.

--- Saúde ---
Houve sugestão de construção de banheiros públicos, mas alguns criticaram por acreditarem ser, por um lado, inviável, e por outro, como sendo de responsabilidade da Secretaria da Saúde e não competência do PL em questão. No entanto, uma moça deu relato de uma praça pública em Manaus que tinha banheiro "quase-público", que cobrava entre R$ 0,50 e R$ 1,00 por uso, e era bem higienizado.

--- Gestão em geral ---
O Nabil e acessores deixaram claro que haverá um esforço maior em descentralizar as aprovações de projetos (hortas etc) das praças às subprefeituras, em vez de passá-los sempre pelos órgãos centralizados da Prefeitura, para que eles possam ser implantados com maior agilidade e eficiência. Os problemas surgidos destes projetos (impasses, conflitos de interesses etc) serão levados diretamente às subprefeituras.
Houve também uma sugestão, bem aceita, de que sejam abertos os dados sobre custos de reformas e manutenção estrutural das praças, para que os comitês tenham insumos para orçar seus projetos.
Uma experiência interessante, relatada, foi de que uma comunidade elegeu um zelador, e passou a fornecer-lhe cesta básica em troca da boa zeladoria da sua praça. A experiência foi exitosa, segundo a relatora.

--- Cultura ---
Ficou claro que as praças devem ser locais vivos, cheios de gente, e berços de cultura; No entanto, houve também chamado de atenção ao fato de que os eventos criados por produtoras culturais (shows, festas e afins) precisarão estar sujeitos à análise pelos comitês das praças, de forma a respeitar as comunidades locais.


--- Inclusão social ---
Houve ênfase no fato de que esse programa precisa ser implantado com urgência nas comunidades de baixa renda, e um dos pontos abordados foi a necessidade de se criar mecanismos de troca de apoio entre praças de diferentes comunidades - por exemplo, se uma praça consegue um investimento financeiro maior do que o necessário, o excedente poderia ser repassado a outras praças mais carentes de investimento -.

Enfim, ainda tem muito a ser debatido com essa turma, mas o importante é que há uma abertura muito grande para a nossa participação, bem como de outros coletivos."

Ainda sobre este mesmo dia, o próprio vereador Nabil Bonduki, expôs também seu relato sobre a reunião, leia aqui.

Após essa audiência, houve ainda um segundo encontrono dia 08/10, onde alguns trechos da lei foram revisados

Estamos aguardando o agendamento de uma nova audiência pública, pois essa lei poderá enfim colocar o Horta Comunitária nas praças, e mais que isso, tornar o espaço público realmente público. 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Ei! Banqueiro! Devolve o meu dinheiro!

Por Diogo Baeder (fotos por Auditoria Cidadã da Dívida - Núcleo SP)

Terça-feira, dia 15 de outubro de 2013, foi um dia marcado por manifestações diversas; ato pela educação, protesto do MTST na Câmara Municipal de São Paulo e a manifestação da qual participei, em defesa da auditoria cidadã da dívida pública. Um dos pontos mais interessantes disto é que as primeiras duas manifestações que mencionei são lutas contra problemas sociais que, em boa parte, são decorrentes de problemas explicitados pela terceira manifestação.

Palestra

Na parte da manhã fomos agraciados por uma palestra, na Câmara Municipal (antes que o protesto do MTST tivesse chegado lá), a respeito da dívida pública do Município de São Paulo. Todos os vereadores foram convidados mas, dentre estes, apenas o Vereador Toninho Vespoli (PSOL) esteve presente. Não fomos informados do motivo da ausência dos outros vereadores.

Ministraram a palestra os ativistas Mauro Alves da Silva, Carmen Bressane, Marco Ferreira e o próprio Vereador Toninho. Mauro fez uma breve introdução à palestra e ao assunto, Carmen falou um pouco mais sobre a dívida pública da União, e Marco entrou na história e detalhes econômicos da dívida municipal - como ela se formou, quais foram as falcatruas engendradas pela dupla Maluf/Pitta que fizeram com que a dívida aumentasse ainda mais, como poderíamos diminuir a dívida da cidade através de auditoria e mudança de índices econômicos para refinanciamento e outros aspectos -.

Carta ao Prefeito

Dirigimo-nos, depois, à Prefeitura, para protocolar carta ao Prefeito solicitando providências do mesmo para que a auditoria da dívida municipal seja instaurada.

No caminho, fizemos uma parada para estender a faixa da manifestação por uma passarela, na tentativa de expor o assunto a mais cidadãos.

Pausa para almoço e preparação para a manifestação, que daria início na parte da tarde.

A Manifestação

Chegamos no vão do MASP, onde já se encontravam algumas pessoas se concentrando para o Ato. Não demorou muito e a turma da bateria chegou para animar ainda mais o clima que já estava muito positivo. Alguns se preocuparam com os pedidos da Polícia Militar por documentos, mas aparentemente nada fora do padrão de atuação do órgão, que alegou estar presente para prover segurança à manifestação.

Estava presente, na manifestação, Marcelo Aguirre, assessor de Ivan Valente (PSOL), para nos dar apoio e ajudar a engrossar a massa. Pessoa simpaticíssima, fiquei batendo um papo com ele e conhecendo um pouco mais sobre sua corrente no Partido.

Decidimos tomar parte da Paulista e andar em direção à Praça do Ciclista; acertamos com a PM que a manifestação ocuparia as faixas de carro da Avenida, deixando a de ônibus livre.

Fizemos breves paradas quando passamos por agências bancárias, para provocações diversas - algumas divertidas, outras mais ácidas, como as dirigidas ao banco Itaú -.

O ápice da manifestação foi quando chegamos no Banco Central; resolvemos parar por lá por mais tempo, para deixarmos clara nossa mensagem para a instituição.

Desfecho

Chegando na Praça do Ciclista, estendemos a faixa no chão, e conversamos um pouco mais, convocando os manifestantes para participarem mais ativamente do Núcleo de SP para que possamos fortalecer a propagação de conhecimento acerca deste assunto, que é tão caro à sociedade brasileira.

Toda a manifestação ocorreu na maior tranquilidade, tendo sido absolutamente pacífica em todo o seu trajeto; a única violência cometida foi aquela continuamente praticada pelo conluio entre Governo Federal, Banco Central e bancos privados, que farão com que, no ano de 2014, mais de 42% do dinheiro do nosso país vá para as mãos destes bancos, em vez de serem investidos em áreas sociais - entre elas Educação, para nossos professores e estudantes, e Moradia, para nossos irmãos e irmãs do MTST -.

Queremos auditoria da dívida pública já!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Feliz Dia dos Professores

Por Paola Corassini e Felipe Cruz 

Nosso colaborador, professor e cidadão, Felipe Cruz saiu às ruas hoje no Dia dos Professores, 15 de outubro de 2013, não para se ferir, ou ferir alguém, Felipe só estava lutando por melhores condições aos da sua classe, quais se dedicam e se empenham pelo futuro de todos.

O ato legitimo busca pautas importantes:
1 - Reajuste de 36,74% salarial para os professores da rede estadual.
2 - Cumprimento de jornada estabelecida pela lei do Piso: no mínimo 33% do piso da jornada de trabalho para atividades de formação e preparação de aulas.
3 - DIRETAS JÁ NA USP!
4 - Explicações por parte do governo estadual sobre a contaminação no terreno da USP Leste.
5 - Fim da progressão continuada ou “Aprovação Automática”, pedimos a intervenção da lei federal , pelo Estado de São Paulo.

Como todos vimos, mais uma vez a polícia arbitrária de Alckmin destratou e reprimiu o direito de manifestação de nossos professores, tratando-os à gás de efeito "moral" e muita violência.

Abaixo, o relato do nosso colaborador:

"Estive na manifestação em frente ao metrô Faria Lima. 
Caminhamos pela Eusébio Matoso e fomos para a Marginal Pinheiros. Onde Caminhávamos rumo ao Palácio dos Bandeirantes... 
Em frente a loja da Tok & Stok em plena Marginal, um grupo de policiais fez uma barreira no sentido que caminhávamos, e outra barreira foi feita no sentido contrário, ou seja atrás de nós. Ficamos num "quadrado". Logo, cercados não tivemos pra onde correr! E sofremos com as bombas explodindo ao nosso lado e os efeitos dos gases. (Graças aos Black blocs) Pulamos o cercado da loja, e os funcionários deixaram que atravessássemos para a rua de trás, onde podíamos voltar em direção a USP. 
Não satisfeitos, os policiais armaram outra emboscada naquela rua, o Resultado vocês podem conferir na foto ao lado.
Vale ressaltar que manifestantes do grupo Black Blocs fizeram uma linha de frente para atrasar os policiais que avançavam ensandecidamente jogando bombas de efeito moral no que restou dos militantes.
Se não fossem os Black Blocs, poderia ser pior.
O que dói mais, é saber que haverá impunidade, pois o MELIANTE era eu.
O que dói menos, é saber que balas e bombas não destroem ideias!

Peço que compartilhem! Parece pouco, mas a dor é TERRÍVEL!"


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Comum a todos Ou Comunismo?

Por Felipe Cruz do Peleja Cultural

Ouso acreditar num mundo utópico. Onde a pessoas sejam socialmente iguais e humanamente diferentes e, portanto livres.

Em que elas possam realizar aquilo que gostem de fazer. E não aquilo que sejam obrigadas a fazer.

Um lugar em que as pessoas possam ser elas mesmas sem mentiras pra si. E, consequentemente, que isso seja benéfico tanto a elas quanto à sociedade.
Sem a ideia pré-estabelecida pelos economistas clássicos que se aproveitam do viés que define a natureza do Homem como perversa.

Tal qual é pintada até os dias atuais por muitos (ou quase todos).
• A natureza humana é individualista.
• A natureza humana é egoísta,
• A natureza humana é por sua essência cruel.
• …

Prefiro pensar que o que faz do Homem individualista é o fato dele acreditar que ao educar seu filho, mostrar o que é certo e errado contando com que os outros pais também o façam, seja o suficiente para que do individual se desenvolvam bons frutos para a sociedade. Ou seja, se deparar com o conceito que educação, respeito, humildade, altruísmo e todas as “qualidades” e “benesses” sociais se fazem primeiramente em casa sem se preocupar com o que ocorre no exterior. Afinal, no que isso ajuda?

Prefiro acreditar que o Homem é egoísta por possuir algo em que ele crê ser de valor e, automaticamente, se envaidece de tê-lo. Logo, não pode esperar que outro a valorize tanto quanto ele. Ou que exista algo que a substitua.

Prefiro idear que o Homem é cruel em decorrência desse mercado capital ser uma extensão dessa suposta natureza humana em que o consumismo desenfreado submete o querer, o sonhar alto, o prosperar a qualquer custo.

Cria-se o sentimento de revolta. Por que ele merece ter aquilo que eu não posso ter? Ele realmente trabalhou mais do que eu pude por isso? Por que crer que existe um ser superior que dará o que todos merecem no tempo certo? Mas afinal, por que me fazem acreditar que não estou no tempo certo?
Perguntas que seriam extintas se houvesse o respeito mútuo, o bem estar social recíproco, as mesmas chances de caminhar sobre os obstáculos impostos pela vida.

E quando você disser que estou louco e que isso nunca será possível. Eu lhe respondo:

Ouso acreditar num mundo utópico. Onde a pessoas sejam socialmente iguais e humanamente diferentes e, portanto livres…

domingo, 1 de setembro de 2013

Relato da Manifestação por Ciclovias no Eixo Taboão-Eliseu

Texto: Gabriel Di Pierro / Fotos: Álvaro Diogo, Luiz de Campos e Rodrigo Martins

Quinta-feira (29/09) colocamos mais uma ghost bike na cidade, Rua Ari Aps, beira da Raposo. Foi só o começo da jornada. A manifestação voltou à sub do Butantã, onde encontramos o Subprefeito Luis Felippe, que garantiu que o projeto da ciclovia da Eliseu chegou ontem na CET para aprovação ( nada como um protesto agendado).











Na frente da sub, o tradicional 'piti' de motorista que saiu do carro para arranjar briga reclamando da via "fechada" e conseguiu brigar com a GCM e depois com o próprio subprefeito, que pediam calma ao distinto senhor. A manifestação preferiu deixá-lo obstruir o trânsito sozinho e foi-se em direção ao Taboão.

Passamos pela antiga ciclovia desativada no começo de 2013 pelo atual prefeito daquela cidade, Fernando Fernandes Filho (PSDB), em desrespeito à lei n° 132/2006 do Plano Diretor vigente. O dinheiro investido era do Ministério das Cidades, veio do governo federal. Antes de chegar na Prefeitura já éramos acompanhados de cerca de 5 viaturas da PM. Apesar de termos enviado o convite da manifestação à equipe do governo e de ser 19:30h apenas, não havia ninguém ali trabalhando, segundo os seguranças com quem fomos obrigados a protocolar nosso manifesto.

Assim, decidimos ir em frente à casa do prefeito, onde no primeiro semestre uma mesma manifestação havia sido barrada e ameaçada pessoalmente pelo co-cunhado do prefeito, por acaso secretário de segurança (não se assuste, nepotismo ainda mais claro é o filho do prefeito ser secretário de esportes). 

Dessa vez a recepção foi mais calorosa: além de GCMs de escopeta estava também a mesma PM na entrada da rua impedindo o nosso direito de se manifestar pacificamente. A tensão cresceu e deu pra sentir a agressividade geral dos agentes de segurança, ameaçando a todo tempo os ciclistas. Apesar disso apresentamos ao comandante da PM, o único que buscou o diálogo, a proposta de ir uma pessoa rua acima para trazer uma carta assinada pelo prefeito com o compromisso de uma audiência em menos de trinta dias. Mas o secretário de segurança recusou a proposta, mesmo que o comandante a tivesse aceito. Voltamos a pressionar pela passagem e passamos o primeiro bloqueio para ficar de frente com a GCM enfileirada.


Constatamos então que os agentes municipais, assim como vários PMs, estavam sem identificação. O secretário era um tosco truculento e ignorante, a ponto de conversar comigo e, disfarçadamente apertar um spray de gás de pimenta, achando que eu não perceberia. Ele foi intransigente e não apresentou nenhuma proposta. Fizemos muitos videos, depois de cerca de uma hora fomos embora. Soubemos então que a esposa do prefeito, deputada estadual, Analice Fernandes, ligou pessoalmente ao secretário de segurança do Estado encomendando proteção, como informou um agente da Força Tática. No fim os manifestantes se reuniram, combinando incomodar mais ainda o Sr. Prefeito e voltamos para casa com dever cumprido.

Pelas ciclovias da Eliseu e do Taboão!


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Manifestação pela Execução das ciclovias no eixo Taboão-Eliseu

Não desistiremos do direito ao uso da bicicleta! Pelas ciclovias do Taboão e da Eliseu de Almeida!

A região da subprefeitura do Butantã é uma área estratégica para a mobilidade na cidade. Faz a ligação de municípios como Taboão da Serra e Osasco e de bairros como o Campo Limpo com a região central da cidade. Por conta disso, há um grande número de pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte, fugindo dos congestionamentos. Há ainda aquelas que gostariam de utilizar este modal, mas o evitam por conta do trânsito violento.

A implantação de uma ciclovia ao longo de toda a Avenida Eliseu de Almeida (incluindo a sua extensão, a Av. Pirajussara) foi anunciada pela primeira vez em 2004, com a realização do Plano Regional Estratégico do Butantã (previsto pela Lei Municipal 13.885), que estabeleceu o ano de 2006 como data para a conclusão da obra. Em 2007 a municipalidade anunciou que a ciclovia seria concluída até 2010. Em 2012, ao fim de mais uma gestão, o poder público não deu início a viabilização de qualquer infraestrutura básica a fim de fornecer segurança e conforto para ciclistas. Acessada diariamente por mais de 600 ciclistas, a via é conhecida pela pavimentação ruim, falta de iluminação, velocidade alta de carros, ônibus e motos.

A morte do ciclista Lauro Neri, em abril de 2012, expôs a incapacidade da Prefeitura em proteger os ciclistas que circulam naquela região. Alguns meses depois, o ciclista Nemésio Trindade morria na Av. Francisco Morato, dois quarteirões de onde deveria estar a ciclovia, evidenciando mais uma vez os resultados do total descaso dos gestores públicos municipais.

Já a Prefeitura de Taboão da Serra construiu uma ciclovia ligando o bairro do Intercap até a divisa de São Paulo em 2008, após o anúncio de implantação da estrutura pela cidade vizinha. Em 2013 a atual gestão, arbitrariamente, desativou a via ciclável, contrariando o Plano Diretor do município. Além de desconsiderar uma lei municipal, a medida prejudicou o grande número de ciclistas que utilizava a ciclovia, muitos para ir ao trabalho. Moradores que protestavam contra a ordem do Prefeito foram ameaçados pelo secretário de Segurança Pública. Nada é efetivamente feito para melhorar a circulação por bicicletas no município.




Desde muito tempo nós, ciclistas e moradores do Butantã, Taboão da Serra e região, nos organizamos para assegurar as condições seguras para pedalar, previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Em 2013 realizamos uma audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo, que ajudou a viabilizar um projeto para a Eliseu de Almeida. Desde o início de 2013 a subprefeitura do Butantã anuncia a implantação do projeto mas não há garantias efetivas de que isso vá acontecer, e quando. Apesar da sinalização positiva, seguimos sem respostas.

Enquanto isso, a mobilidade na região metropolitana de São Paulo vai se tornando cada vez mais inviável. Mortes no trânsito, poluição, má qualidade dos serviços públicos e intermináveis congestinamentos comprometem a qualidade de vida da população, que desde junho resolveu sair às ruas para protestar. Nós também estaremos mobilizados até que tenhamos a oportunidade de usar a bicicleta com segurança. Queremos estrutura cicloviária na região e para a cidade. Queremos a ciclovia do Taboão e a da Eliseu de Almeida.

Comitê pelo Uso da Bicicleta no Butantã e Taboão da Serra



Página do evento no facebook aqui.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Governo paulista rompe com aulas de Humanas e Ciências. Aprender pra quê?

Por Felipe Cruz inspirado em Carol Silva

Já vi os defensores dessa medida dizendo que isso servirá apenas para melhorar a alfabetização das crianças. Afinal muitas chegam nos níveis superiores com muita defasagem. E que por serem só nas séries inicias não influenciará no trabalho dos professores do ramo.

Que nossos jovens tem chegado com defasagens absurdas até à faculdade é verdade... A questão é: Será mesmo essa uma medida coerente? 

Mas o que é triste, e que mais incomoda é o descaso com essas disciplinas de humanas que cada vez mais são tratadas como irrelevantes. 


Implicitamente essas disciplinas que já são tidas muitas vezes como desnecessárias ou de pouca serventia, como brandam por aí, até pelo fato de haver menos aulas de história e geografia e nenhuma de filosofia e sociologia no chamado segundo ciclo ou fundamental II, na grade de horários, perdendo para o número de aulas de matemática e português. Agora simplesmente serão tidas como algo supérfluo. 


Imagina a cabeça dos jovens? 

Como se poderá mostrar que os mecanismos que podem o fazer pensar, comparar, desenvolver e criar suas ideologias estão sendo deletados da máquina do estado? 

Que a cada dia se demonstra mais que somente as exatas importam para se desenvolver o combustível pra quem já está no poder continuar a andar? 

Então, de fato! A vida é feita de "putarias"! E cabe a nós regurgitar nessa orgia.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Você marcha José, para onde?

Por Aline Temoteo

Bom... vai ser longo³. 
Peço desculpas, não vou me sentir ofendida se ninguém ler. rs
Estou longe de ser uma pessoa 100% ativa/ engajada/ envolvida e SOBRETUDO: entendida. 
Não tenho a menor pretensão de estar mais correta do que ninguém, nem de causar discórdia ou ofensas, é única e exclusivamente minha visão de ontem, que transita entre o lado bom e ruim. 

Não vou discordar que foi lindo, diria até que foi magnífico, considero a geração atual “carente” de ideologias. Repetindo o clichê (porém lindo!) já amplamente usado nos últimos dias: ideologia, eu quero uma pra viver. E como Cazuza estava certo! Durante a passeata (que cheguei às 17h e fui embora antes do final, lá pelas 21h30, da ponte Estaiada), percebi nas pessoas uma vontade grande de altruísmo, o que me deixou surpresa, confesso que não esperava tanta gente, nem tamanho sentimento. Senti nas pessoas vontade, força, amor, esperança, incredulidade (acho que foi o que mais senti ). Numa época de relacionamentos afetivos tão frios e distantes que essa era tecnológica nos dá, ter ido à rua significou muito, tenho certeza que não só para mim, mas para muitos, até para quem viu pela tv ou web. 

Havia muitas causas juntas, talvez chamem de oportunistas (e talvez sejam mesmo, não vou discutir sobre isso, não agora), mas paro e penso em qual é realmente o grau de importância de discutir isso a ponto de sobrepor a causa. Eu, de coração, considero isso “normal”, não sou a mais experiente em passeatas, mas a impressão que fico é de um povo que SIM, ACORDOU, ou teve coragem de ir lá e andar junto, mesmo que desnorteado, movido apenas por compaixão a quem sofreu não apenas no 4º, 3º, 2º, 1º... ato do MPL, mas em toda e qualquer manifestação já ocorrida nesse país, acho tão injusto tirar esse mérito das pessoas, esperarem delas verdadeiros Che Guevaras, esperarem que a tia que serve café ou até mesmo o diretor de vendas da sua empresa ser um Mahatma Gandhi, um Luther King, um Malcom X, uma Dorothy Stang, um Chico Mendes... assim... da noite pro dia. Falo isso porque vi muito preconceito, pessoas que não aceitavam outras pessoas, por terem uma bolsa de marca ou não, por terem um óculos chic, com uma bandeira feita em tecido ao invés de cartolina e por aí vai. 

Tem gente que vai para postar foto no facebook, pra usar hashtag, pra fazer gracinha, vandalismo, pra cantar legião urbana, pra contar pros netos, pra mãe, pra ganhar uma gatinha/ um gatinho... eu me pergunto se vale TANTO a pena assim gastar energia em desmerecer os outros. Todos (ou quase todos) nós sabemos das dificuldades da educação no nosso país, sabemos como o ensino público IMPLORA por socorro; eu sempre achei que a escola (sem generalizar) não conseguia nos fazer seres efetivamente pensantes, reflexivos, envolvidos, QUESTIONADORES. Achei confuso (e fiquei confusa!)... todo (obviamente que não eram todos) aquele povo sem saber pelo que exatamente estavam lutando, com argumentos ainda frágeis... mas pra uma geração 140 caracteres... foi bonito sim! 

O que eu percebo é que muita gente ali dizia pelos olhos não apenas ‘vem pra rua, vem’ como também ‘pega na minha mão e me ensina para onde seguir, me ensina as diretrizes, me ajuda a fazer diferente’, mas quantos de nós estamos dispostos a não apontar o dedo e sim ajudar? A fazer os “arroz de passeata” a caminharem no lado certo, a conscientizar. Esperam demais de pessoas que nunca viveram uma passeata, que “nunca” leram nada além de opiniões sugestivas de jornalistas, líderes religiosos, formadores TENDENCIOSOS de opinião via rede social... 

Acredito que a maioria não estava esperando tanta gente... e com uma adesão imensa, “não planejada”, é natural – ao meu ver – que as questões se misturem, que o movimento se divida, que não se saiba direito o que gritar (e era pra Globo mesmo?), mas que mesmo assim marcha. Senti um pouco de frustração, angústia, incômodo, mas busquei entender tudo... E ainda tô tentando hahahahaha. ^^

É importante que todos os dias possamos parar e pensar um pouco ONDE ESTAMOS, PORQUE ESTAMOS, PARA QUEM ESTAMOS, PARA ONDE VAMOS, parece regra de língua portuguesa rs, mas é verdade. O povo acordou sim! Estou falando desse povo aqui e agora, não daquele povo que FELIZMENTE saiu às ruas em épocas passadas, não do povo que sempre esteve engajado, não entendamos como uma ofensa... ‘eu não estava dormindo, PORRA!’ E que bom (de coração, mais uma vez) que nunca todos estiveram dormindo! Que quem já estava acordado se sinta como uma mãe ou pai, que vai com carinho puxar o cobertor do filho pela manhã, para que ele levante e vá à escola, mesmo que ele não queira, mesmo que ele não saiba muito bem porque ele DEVE ir, mas ele sente que ele tem que ir, mesmo que seja uma obrigação ‘chata’, mesmo que seja só pra agradar a mãe/o pai, mesmo que depois ele pule o muro e vá fazer outra coisa com os amigos hahahahaha, ele levantou e foi, o que vai manter ele lá na escola é o interesse , de quem já sabe, ensinar. Ensinar com paciência, com amor, com respeito. E o interesse dele, em querer aprender. Mas acho que a grande parte da missão aqui é de quem tá ensinando... que vai ter que pegar ‘pela orelha’ e falar ‘isso é bom sim, não parece, mas você vai ver como é incrível e você vai saber fazer sozinho depois.’ E quem não aguenta tanto ‘militarismo’, cai fora, pede leite com pêra, mas talvez ele caia fora e entre um novo com muito mais vontade, talvez sem o conhecimento ainda “suficiente”, mas quem tem vontade, tem metade, como as vovós já diziam. ^^ 

Talvez eu esteja abusando das metáforas rsrs PERDÃO! Mas o sentimento maior que ficou em mim, pós passeata, foi uma necessidade de compreensão maior das pessoas, em diversos âmbitos. Vamos abraçar a causa? VAMOS! Não importa se você tem um camaro amarelo ou uma bike... Acho que fica em mim um desejo de ajudar a conduzir (sem querer ser foda, longe de mim, até porque tô aprendendo ainda, e MUITO!), falta organizar mais os motivos que nos levam às ruas, não são só 20 centavos (ou 40, pros mais engraçadinhos), então é pelo o quê? Falta deixar claro para todos (ou uma boa parcela) o que é esse tal de ‘não é só’ que tá levando eu, você, o carioca, o mineiro, o BRASILEIRO à rua.

Para distorcer os fatos/motivos, já temos as mídias, não nos percamos, não agora, vamos fechar as arestas, vamos completar essa linha ainda tracejada... essa linha feita de vontades. 
O que vem depois?

Meu profundo desejo é que o movimento tenha força e sabedoria para conduzir esse povo perdido (mais uma vez repito: nem todos! ufa!) que tenta ajudar como pode, chegamos onde chegamos, “não importa” se por modismo! Temos o contingente (que aumenta a cada dia!), o que fazemos com isso? Selecionamos ou "educamos"? A faca e o queijo estão na mão, vamos usar pro bem, há quanto tempo isso não ocorre? =]

Que todos possamos sentar na calçada juntos e que sua bandeira não seja um incomodo pra mim, desde que você ou eu, não estejamos apenas apaixonados por nossas próprias imagens e/ou cegos por nosso frouxo orgulho cívico.
Insisto no Sabotage: Um bom lugar, se constrói com humildade, é bom lembrar!

E pra terminar, Drummond (sobrenome amor rs):

“(...) Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia, 
sem parede nua
para se enconstar,
sem cavalo preto
que fuja a galope

VOCÊ MARCHA, JOSÉ!
JOSÉ, PARA ONDE?”
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