Já fazia um tempo que eu queria conhecer o novo shopping
classe A de São Paulo, o JK Iguatemi. E estava ainda mais curiosa para dar um
pulinho na sala 4D que eles dispõem. Esse post não é para falar das grifes que
enfeitam as vitrines, mas para comentar a mágica que envolve o novo longa do diretor Ang Lee: As aventuras de Pi.
Essa é mais uma película que teve seu título mal traduzido.
O roteiro é baseado no livro de Yann Martel, chamado As vidas de Pi. Infelizmente não tive a
oportunidade de conhecer sua obra, mas a magia que vi no cinema, deixou-me
curiosa para ler a história original.
Fiquei muito tempo imaginando como seria uma sessão 4D, o
preço do ingresso, como eu já mencionei em posts anteriores, é muito alto,
chegando a custar R$ 80. Para pagar esse valor e não sair reclamando do cinema
teria que ser um filme muito bom, que valesse cada centavo. E foi com essa
sensação que saí da sala.
Logo que o filme se inicia você fica deslumbrado com a
qualidade do 3D que, por sinal, está evoluindo a uma velocidade assustadora. Mas
é depois de alguns minutos que você conhece o 4D e, posso afirmar, fiquei me
sentindo aquela criança que vai a primeira vez ao cinema. Encontrei-me várias
vezes com um sorriso no rosto, apreciando o movimento da cadeira, o cheiro de
frutas exalando em toda a sala e a água que espirrava em meu rosto. Era tudo
tão mágico que parecia impossível de acreditar.
A história também é muito bonita, Pi, ou Piscine Molitor
Patel, é o nosso personagem principal. Ele nasceu na Índia e tem uma piscina
pública francesa como origem para o seu exótico nome. Ainda pequeno passou
muito tempo tentando convencer seus colegas de classe a chamá-lo de Pi, número
infinito representado pelo 3,14, visto que seu apelido era Pipi. Muito curioso,
está sempre em busca de respostas e conhecimento, chegando a adotar três
religiões distintas ao mesmo tempo. Criado em um zoológico pelos pais, vê uma grande reviravolta em sua vida quando, na viagem
que os levaria ao Canadá, um naufrágio mata toda a família.
A tempestade que toma conta do barco em que seus parentes e
seus animais encontram-se é muito forte. A todo o momento jatos de água são
espirrados em nosso rosto e essa é a primeira amostra dos efeitos externos à
telinha. Pi consegue sobreviver e fica à deriva em um bote acompanhado por uma
hiena, uma zebra, um orangotango e um tigre de bengala. Obviamente, ele vê um a
um morrer, restando apenas o tigre como companhia.
E é para esse belíssimo animal que dedico esse parágrafo.
Desde que vi o trailer fiquei imaginando como teriam sido feitas as cenas com o
tigre. Toda sexta-feira tenho o hábito de dar uma fuçada em sites de cinema
para saber o que está estreando, e foi assim que descobri. Vocês se lembram do Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o
Guarda Roupa? A mesma técnica usada para fazer o rei Aslan foi adotada aqui
para fazer o Richard Packer, só que com uma qualidade ainda melhor. Ele
é simplesmente perfeito. As cenas são tão bem elaboradas que ele parece um
felino adestrado que contracena com Pi.
Dias se passam com Pi tendo apenas a companhia do mar e do
tigre. E é quando as alucinações começam a aparecer que o visual do filme se
revela. A enorme baleia que nada embaixo do barco e simplesmente pula para fora
do mar é de uma beleza fenomenal. Nada é banal, tudo se transforma sob a ótica
de Yann Martel, os peixes voam (e na sala que estávamos, passavam muito
próximos aos nossos ouvidos), a ilha é carnívora e os animais demonstram suas emoções apenas com um olhar. Impossível não se comover ao
ver a orangotango chegar ao barco, logo após o naufrágio, e dizer, apenas com
uma lágrima, que ela tinha perdido seu filhote.
Enfim, escrevi esse post com uma chuva muito forte e trovões
barulhentos assolando a minha janela, mesma atmosfera do momento em que Pi
perde seus pais, espero ter conseguido, com minhas palavras, transmitir toda a
magnitude que esperava. Para aqueles que ainda não conhecem essa nova
tecnologia, corram para o JK Iguatemi. A trama é sensacional e cada elemento dessa mágica relaciona-se diretamente com a religião, servindo como uma metáfora para mostrar a nossa crença em Deus. Não saímos da sala convertidos, mas crentes de que há algo muito maior que olha por nós de formas que não sabemos explicar. Finalizo assim com
uma das últimas frases ditas por Pi “Em qual história você prefere acreditar?”
Se você não entendeu, assista e não deixe de comentar aqui na nossa página.


























