Destaque da Semana: Onde está o sol que estava aqui? Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo rural
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
48 HORAS DEMOCRACIA (2º Turno)
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
São Paulo sedia edição temática do Fórum Social Mundial em 2011
São Paulo sedia edição temática do Fórum Social Mundial em 2011
Evento abrangerá a Grande São Paulo com atividades descentralizadas e centralizadas; a Plenária de Lançamento do processo de construção será em 9 de novembro de 2010 e aberta à participação de todos.
Sob o lema “outra cidade é possível, necessária e urgente! O que fazer?”, acontecerá no dia 9 de novembro, na FAU Maranhão, um evento que marcará a construção coletiva do Fórum Social de São Paulo (FSSP). A sociedade civil está convidada a participar e a contribuir efetivamente para a realização do Fórum, previsto para acontecer em maio de 2011. Ainda no dia 9, os presentes poderão contribuir para a escolha de um conceito visual para o FSSP.
O objetivo deste lançamento é mobilizar pessoas, movimentos sociais e culturais, redes, campanhas e organizações para incluírem o Fórum em suas agendas e construírem processos de articulação permanente. A intenção é que possam fortalecer suas lutas, constituir planos de ação conjunta, e ainda, viabilizar o primeiro encontro do FSSP, previsto para o ano que vem.
Elaboração do conceito visual para o FSSP
Na Plenária de Lançamento também será escolhido, por meio da consulta aos participantes, o conceito visual do FSSP que servirá de inspiração para a criação de sua identidade visual. Todos estão convidados a criar propostas! Os interessados devem entrar em contato com o Escritório do FSSP pelo email fssp2011@gmail.com para mais informações.
Realização do FSSP
A proposta é de que o Fórum Social de São Paulo aconteça em maio de 2011, nos finais de semana dos dias 14 e 15, 21 e 22. O Fórum Social de São Paulo é uma iniciativa de organizações da sociedade civil que atuam na Grande São Paulo, unidas sob o lema “Outra cidade é possível, necessária e urgente! O que fazer?”.
Com base no processo da organização da 10ª edição do Fórum Social Mundial, o Fórum Social de São Paulo prevê a realização de encontros e ações descentralizadas, de modo que movimentos e organizações se reconheçam, se articulem e descubram convergências localmente.
Nestes encontros, farão parte da programação temas como: mobilidade urbana, direito à moradia, privatização e precarização de serviços essenciais, democratização da cultura e da comunicação, meio ambiente, sustentabilidade, exercício da cidadania e da atividade política, violação dos direitos fundamentais entre muitos outros, de atuação e interesse das organizações. A participação é aberta a todos que estejam de acordo com a Carta de Princípios do Fórum Social Mundial.
PLENÁRIA DE LANÇAMENTO DO FÓRUM SOCIAL DE SÃO PAULO
Dia: 9 de novembro
Local: FAU Maranhão.
Endereço: Rua Maranhão, n.88, Consolação.
Horário: 18h30
Informações:
Escritório do FSSP
fssp2011@gmail.com
Tel: 11 3151-2333
www.forumsocialsp.org.br
Twitter : @_FSSP
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
São Paulo e o rio


São Paulo já teve 4.000 km de rios e córregos. Hoje menos de 400 km permanecem a céu aberto. Há menos de cem anos, riachos, corredeiras e córregos existiam no lugar de algumas das principais ruas e avenidas da cidade. A Nove de Julho era o Saracura, a 23 de Maio, o Itororó. Vladimir Bartalini, professor de arquitetura da USP e colega de Delijaicov, vem mapeando esses córregos ocultos de São Paulo para oferecer à população a informação de que onde ela anda, ou roda, corre um riacho. "Assim poderemos reverter a associação dos rios com aspectos negativos, como esgotos, lixo, inundações, e abrir frentes para o tratamento criterioso dos espaços livres", explica Bartalini.
As ideias de Delijaicov para o futuro de São Paulo dialogam o tempo todo com esse passado da metrópole, quando vários urbanistas, arquitetos, engenheiros e paisagistas planejaram o crescimento da cidade a partir de sua geografia marcada por vales e levando em conta a malha fluvial. "Meu projeto é a condensação de propostas feitas no século 19 e início do século 20 que pensavam as águas da cidade com usos múltiplos."
Delijaicov lembra que no passado engenheiros importantes como Saturnino de Brito projetaram a retificação do Tietê sem a construção das vias marginais. Os planos incluíam um parque com 25 km de extensão por 1 km de largura ao longo do Tietê e outros menores ao longo de córregos como os da Moóca, do Tatuapé e do Ipiranga - todos já sumidos da paisagem urbana.
Segundo o urbanista, a cidade começou a dar as costas para suas águas com o plano de avenidas criado por Prestes Maia nos anos 30, que emparedou rios de fundo de vale e pavimentou o caminho para o triunfo do automóvel. "Fomos abduzidos por um rodoviarismo inconsequente", diz Delijaicov, que enxerga os carros como uma célula cancerígena que se multiplicam sem limites.
Com a canalização e a cobertura de rios e córregos, aumentaram os problemas de enchentes e diminuíram as chances de São Paulo se tornar uma metrópole fluvial, como tantas cidades europeias. Mas, se depender de Delijaicov, a capital paulista poderá ter, em um futuro próximo, bateau mouches como os do Sena em Paris, vaporettos como em Veneza e piscinas flutuantes como as do rio Spree em Berlim.
O urbanista e o mestre da imagem
Inspirada pelo projeto do anel hidroviário defendido pelo urbanista Alexandre Delijaicov e também pelo mapeamento dos córregos ocultos de São Paulo feito pelo professor de arquitetura Vladimir Bartalini, Trip tentou traduzir visualmente o conceito de São Paulo como uma metrópole fluvial, em um futuro não muito distante.
Convidou o fotógrafo Gabriel Rinaldi para registrar os locais e depois convocou Fujocka, mestre do tratamento de imagens, para reinventá-los com uma nova relação com suas águas. O resultado mistura cenas que poderão se tornar realidade dentro de alguns anos, como a do Tietê navegado por um barco de passageiros, e outras improváveis, como o do córrego Saracura tomando novamente o lugar da av. Nove de Julho.
E aí, dá pra fazer?
"São Paulo tem uma série de córregos e rios tamponados. Por isso esse projeto é importante. E viável, pois temos tecnologias e recursos. Só precisamos dirigir uma política com essa finalidade. Imagine se pudéssemos sair de Pinheiros e chegar na Penha de barco. Seria outra cidade. Não desenvolvemos uma cultura de convivência com os cursos d'água e precisamos reverter isso."
Newton Massafumi, diretor do Núcleo de Pesquisa da Escola da Cidade
"É um projeto muito engenhoso. É difícil reabrir todos os canais e córregos que foram fechados, os rios têm configurações muito diferentes. No entanto, apesar de existirem empecilhos, precisamos valorizar essas ideias. Nós desperdiçamos os cursos d'água."
Jorge Wilheim, arquiteto e urbanista
"Esse é um projeto interessantíssimo, tanto do ponto de vista paisagístico como do transporte. No entanto, essa prospecção, de usar os rios como estrutura viária, está cada vez mais longe de acontecer, por conta das políticas autoritárias dos governantes."
José Magalhães, professor de Projetos Urbanos da Universidade Mackenzie
Fonte: Revista Trip
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
O Tejo
George H. S. Ruchlejmer
@george_hsr
"Sua ideia é IdeiaNossa.blogspot.com"
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Sustentabilidade e Reforma Agrária no SWU
Mas vim aqui registrar dois textos que recebi do nosso camarada Xuxu, que inclusive esteve no show. O texto foi retirado do site do MST e fala das manifestações do Rage Against the Machine e do Teatro Mágico à favor da real sustentabilidade e da reforma agrária.
Outros textos interessantes para leitura sobre o evento está no final do post.
@alvarodiogo "Compartilhe suas ideias"
http://www.ideianossa.blogspot.com/
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Rage Against the Machine dedica música ao MST em show em São Paulo
O Rage Against the Machine fez uma apresentação no Festival SWU, em Itu, na noite deste sábado. Zack de la Rocha, vocalista da banda, dedicou a música "People of the sun" ao MST.
Ele disse o seguinte: "Esse som vai para os irmãos e irmãs do MST: People of the sun".
Durante a música "Wake Up", o guitarrista Tom Morello vestiu o boné do MST.
Misteriosamente, a TV Globo cortou a transmissão que fazia ao vivo da apresentação.
Durante encontro com militantes do MST, Zack de la Rocha afirmou que vai doar parte do cachê da banda ao movimento. "O MST tem uma experiência muito importante de solidariedade humana e na criação de espaços fora do modelo capitalista, e é muito importante para muitos de nós que, nos EUA, estamos lutando pelas mesmas coisas. Eu acho que MST já criou um exemplo maravilhoso de luta por justiça social e econômica, é um grande exemplo para nós", declarou.
O Rage Against the Machine é uma banda de rock norte-americana, uma das mais influentes e polêmicas da década de 1990. Uma forte característica é a mescla de hip-hop, rock, funk, punk e heavy-metal, com letras enérgicas e politizadas. Junto com a música de protesto, demonstraram a luta pela causa política, contra a censura, a favor da liberdade e em defesa dos mais pobres. O som do grupo é bastante diferenciado, devido ao estilo rítmico e vocal de Zack de la Rocha e as técnicas únicas de Tom Morello na guitarra.
"Não se fala em sustentabilidade sem Reforma Agrária"
"Não se fala em sustentabilidade sem se falar em reforma agrária, sem se falar em agricultura familiar. Fica uma coisa meio... assistencialista", cutucou, à luz do dia, Fernando Anitelli, o líder do grupo paulista O Teatro Mágico.
Por baixo dos trajes de palhaço circense, ele usava uma camisteta vermelha do Movimento dos Sem-Terra (MST), que deixou bem à mostra no final do show.
O MST é bandeira antiga e constante do grupo paulista (de Osasco) que se notabilizou por misturar no palco música e artes circenses - e por conquistar uma legião assombrosa de fãs apoiado em circuito exclusivamente independente.
O SWU parecia concluir um ciclo na existência do grupo. "Com vocês... Vocês!", repetia Fernando, num bordão bem TM, dando finalmente tradução brasileira para o termo "Starts with U" que batiza este festival do capitalismo sustentável.
Apoiado em bordões que por vezes resvalam no clichê, o grupo enfrenta, desde sua criação no final de 2003, certa resistência (quando não desdém ou franca antipatia) por parte da mídia e da crítica musical mais comercial.
Talvez isso se deva ao uso, por parte da trupe, de um conjunto de motes comumente considerados anacrônicos e ultrapassados naqueles mesmos circuitos. O TM transborda de signos circenses, ciganos, poéticos, indígenas, afrobrasileiros, de teatro de rua, de Commedia dell'Arte - a temida bandeira do MST se incluiria, certamente, na lista.
Para desconsolo de quem prefira ignorar a força do Teatro Mágico, tais símbolos se ajustaram surpreendentemente ao espírito pretendido pelo SWU.
Quem olhasse ao redor enquanto soavam os violinos e sanfonas do TM veria por toda parte estilizações mais ou menos luxuosas de símbolos circenses/ciganos/mambembes/sem-terra/sem-teto: acampamentos (ainda que luxuosos), barracas, trailers, gruas e parafernália televisiva, tendas para shows e debates, assentos feitos de pneus usados, blocos de latas e papeis recolhidos por catadores, casas na árvore, telhados de folhas...
Na "vida real", a rica fazenda que sedia o festival talvez não aceitasse bem a proposta de reforma agrária e agricultura familiar levantada diante de um imenso descampado por Fernando Anitelli.
Não há muito embate acontecendo por aqui, exceto por raras exceções - certa atmosfera de eco-assistencialismo selvagem talvez explique, por exemplo, as ameaças do "povão" hippie-de-butique de derrubar os gradeados da área dita "vip" dos palcos principais (onde, não à toa, se posiciona a mídia).
Em tempo: para incômodo de críticos liberais, ecocapitalistas & outros bichos-grilos do século XXI, O Teatro Mágico foi recebido de modo consagrador pelo público que os ciceroneou à luz do dia ("com vocês, vocês!").
Diante de tal reação (e do impacto que o TM causa por onde passa), talvez caibam duas perguntas. Por que essa trupe mambembe agrada tanto? Seriam mesmo anacrônicos e ultrapassados os malabaristas, os acrobatas, os cuspidores de fogo e os poetas populares do Teatro Mágico?
Outras leituras:
300 - Dont Drink the Water
ANDA - Festival SWU estressou milhares de peixes em lagos junto aos palcos
EKOMALUKO - 6 dicas de como ser sustentável no próximo SWU
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Não deixe o spam ser um grande eleitor neste segundo turno
domingo, 10 de outubro de 2010
Nessas eleições tenhamos Bom Senso
Já virei calçada maltratada
E na virada quase nada
Me restou a curtição
Já rodei o mundo quase mudo
No entanto num segundo
Este livro veio à mão
Já senti saudade
Já fiz muita coisa errada
Já pedi ajuda
Já dormi na rua
Mas lendo atingi o bom senso
A imunização racional
EDIT:
Da planicie racional
Uns desceram sem razão
Quando o sol começava
Nasce o homem e a mulher
Da rezina e da goma
Quando o mar começava
Nasce estrelas lá no céu
E a lua seu papel
Fez o vento esfriar
Dia e noite vai ficar
Quando o mal começava
E o fim durou, e o fim durava
O que acabou não se acabava
A lição foi mal passada
Quem aprendeu não sabe nada
No entanto, afinal
Chega a fase racional
Leia o livro, vai saber
O que realmente é viver
Quando o bem começava
E o fim durou, e o fim durava
O que acabou não se acabava
A lição foi mal passada
Quem aprendeu não sabe nada
E o fim durou, e o fim durava
O que acabou não se acabava
A lição foi mal passada
Quem aprendeu não sabe nada
Disseram que sabiam das coisas mas,
No entanto não sabem de coisa nenhuma
Pura incosciência mas,
Vão saber agora brilhante espaços, brilhantes dias, brilhantes horas
É pra já, coisa linda, é pra agora
Vamos entrar em contato com os nossos irmãos puros, limpos e perfeitos
Eternos do super mundo da planície racional
Leia o livro "universo em desencanto"
Leia o livro universo em desencanto
George H. S. Ruchlejmer
@george_hsr
"Sua ideia é IdeiaNossa.blogspot.com"
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Censura eu, Folha!
— É chocante a hipocrisia da Folha. Se isso não é censura e um atentado inaceitável à liberdade de expressão, juro que não sabemos o que é. Chega a ser cômico: o mesmo jornal que faz dezenas de editoriais acusando o governo de censura e bradando indignado por ‘liberdade de expressão’ comete esse ato violento de censura — afirmava o site, no seu último comunicado. Que também teve de sair do ar, neste final de semana, porque ate o domínio falhadesaopaulo.com.br acabou congelado no Registro.br por conta da decisão judicial.
A Folha não teve a menor vergonha de apelar para a censura. A advogada do jornal,Taís Gasparian, alegou que a intenção não era censurar o site, mas impedir o uso indevido da marca Folha de S. Paulo. Para o Portal Imprensa, a advogada deu a entender que ainda foi boazinha, pois podia ter pedido multa diária de R$ 100 mil.
Taís Gasparian é a mesma advogada que defendeu o direito da Folha de S. Paulo de publicar fotos do Raí pelado no vestiário do São Paulo ou o direito do colunista José Simao de afirmar que Juliana Paes tinha a bunda grande e não era casta. Na época em que o Macaco Simão foi vítima de censura judicial por conta destas "afirmações polêmicas", Dona Taís disse na própria Folha que a decisão do juiz tratava
"o humor como ilícito e, no fim das
contas, é a mesma coisa que censura".
Mas a Folha vai ter muito trabalho se quiser censurar a internet. Sem consultar os responsáveis pela Falha de S. Paulo, o Boteco Sujo recorreu ao cache do Google e encheu esse post de imagens do site censurado. O Mundo Cane, do mano Gio Mendes, vai fazer a mesma coisa. E um outro site já fez um espelho de todos os posts proibidos do Falha.
Você tem blog, Tumbrl, Orkut, Facebook, o escambau? Vai lá, faça a mesma coisa. Vamos nos apropriar indevidamente da Folha e denunciar o "jornal das Diretas" que virou censor. Dona Taís vai ter muito trabalho para conseguir censurar a todos.
Censura pode vir de onde menos se espera. Por isso, todo cuidado é pouco. A dita é branda? É, mas trisca pra ver se não fica dura.
Worst Day of the Year Ride - Role no pior dia do ano!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Sobre política e jardinagem
Então, venho compartilhar para se sentirem inspirados e quem sabe atenderem o chamado que há aí dentro!
Só para registrar... Discordo do autor quando diz que o escritor não tem poder, pois sei que linhas bem escritas e recheadas de grandes ideias e boas intenções podem contribuir e muito para o bom curso da história.
Não vou me alongar, espero que gostem da leitura e sintam-se inspirados. Logo mais pretendo postar uns trechos de um livro do Dalai Lama e fazer algumas análises e comentários sobre as eleições.
Abraços e boa leitura!
@alvarodiogo "Compartilhe suas ideias"
http://www.ideianossa.blogspot.com
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Sobre política e jardinagem
Rubem Alves
De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim vocare, quer dizer chamado. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um ‘fazer’. No lugar desse ‘fazer’ o vocacionado quer ‘fazer amor’ com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.
‘Política’ vem de polis, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.
Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades: sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oases. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu ‘o que é política?’, ele nos responderia, ‘a arte da jardinagem aplicada às coisas públicas’. .
O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se à sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim. .
Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade. A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança. .
Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô. .
Todas as vocações podem ser transformadas em profissões O jardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumente o deserto e o sofrimento. .
Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a profissão política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, perguntado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: ‘Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade... Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenas em minutos. Sou escritor e penso em eternidades. Eu penso na ressurreição do homem.’ Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las. .
Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de serem confundidos com gigolôs e de terem de conviver com gigolôs. .
Escrevo para vocês, jovens, para seduzi-los à vocação política. Talvez haja jardineiros adormecidos dentro de vocês. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas, legítimas, se forem vocação. Mas todas elas afunilantes: vão colocá-los num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim? .
Acabamos de celebrar os 500 anos do descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem. Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros. Eram lenhadores e madeireiros. E foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde uns poucos encontram vida e prazer.
Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, ao invés de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores à cuja sombra nunca se assentariam.
(Folha de S. Paulo, Tendências e Debates, 19/05/2000.)
domingo, 3 de outubro de 2010
Apuração em tempo real!
O software Divulga2010 foi desenvolvido pela Justiça Eleitoral com o propósito de divulgar os resultados parciais e final das Eleições 2010 em tempo real. Esse sistema conta com a colaboração dos “Parceiros da Divulgação de Resultado” – empresas de comunicação, portais Web e órgãos do legislativo - que replicam os dados gerados pela Justiça Eleitoral, auxiliando-nos em sua disseminação.
Baixe o Divulga2010, instale-o em seu computador, selecione um Parceiro da Divulgação e acompanhe a apuração a partir das 17h do domingo, dia 3/10/2010.
Download do Instalador para Windows
Download para uso em outros sistemas operacionais
Fonte: http://www.tse.gov.br/internet/eleicoes/2010/divulga.htmlGeorge H. S. Ruchlejmer
@george_hsr
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Dia Mundial do Vegetarianismo inicia mês da Consciência Vegetariana
Dia Mundial do Vegetarianismo inicia mês da Consciência Vegetariana
O movimento remonta aos Românticos ingleses liderados por Percy Shelley (foto), marido de Mary Shelley, autora do livro Frankenstein, interpretado por alguns como um manifesto vegetariano. Em 1944 o movimento vegetariano deu a luz ao movimento vegano e hoje em dia em países como o Reino Unido e os Estados Unidos entre 3% e 5% das pessoas dizem viver de uma dieta a base de plantas.
As pessoas se tornam vegetarianas por várias

Vegetarianos são pacifistas. Ao se recusar de participar da morte e exploração de animais, os vegetarianos ajudam a construir um mundo não-violento. Não podemos ter paz enquanto a matança continua.
O vegetarianismo é bom para o meio ambiente. É um fato conhecido de que a agricultura animal é a maior fonte de emissões de gases estufa. Essa indústria causa desflorestamento, polui vias hídricas e degrada o solo. Ela é um dos grandes impedimentos para um futuro sustentável.
Existem também os benefícios de saúde ligados a uma dieta vegetariana. Essa pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardíacas, diabete, pressão alta, AVCs e prevenir algumas formas de câncer. Os vegetarianos têm menos tendência à obesidade, que se tornou uma epidemia mundial por causa do excesso de proteína animal sendo promovido continuamente por décadas. Fora do Brasil, algumas empresas de seguro já oferecem desconto para vegetarianos.
O vegetarianismo é também uma forma de mostras solidariedade com as pessoas que passam fome pelo mundo. Grande parte da produção de grãos vai para animais em fazendas em países ricos, animais esses que não existiriam se as pessoas não comessem carne – elas poderiam comer aqueles mesmos grãos. Assim perpetua-se um ciclo de produção e distribuição de comida que é injusto e que gera desperdício.
As Nações Unidas recomendam uma dieta vegetariana, filósofos de destaque também o fazem e o fizeram ao longo dos séculos. O número cada vez maior de pessoas que adotam o vegetarianismo por razões éticas, de saúde e ambientais mandam uma mensagem forte para aqueles que vivem de uma dieta onívora.
Primeiro de outubro é o dia de fazer a mudança e adotar o estilo de vida vegetariano.