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sábado, 18 de junho de 2011

Sou fã. Sou pirata. Sou ladrão?


Pequena nota relâmpago de esclarecimento:

Caros amigos leitores!

O Blog Ideia Nossa está ao relento novamente e novamente os autores estão sem tempo para postar (¬¬ conta uma novidade). Sinto claramente mais uma metamorfose se aproximando, e acho que algumas coisas mudarão por aqui e assim como todos os textos postados aqui ao longo desses 3 anos mudaram a mim, aos autores e muitos leitores, há certas mudanças em nossas vidas que acabam mudando também a cara e o rumo do blog. Mas por enquanto deixo-os na curiosidade e vamos ao que interessa! Post novo! *.*

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Sou fã. Sou pirata. Sou ladrão?
Desabafo de um fã-pirata que não quer ser considerado ladrão por seus ídolos.
Sou fã.

Conheci Tuatha de Danann ainda no ensino médio. Uma amiga tinha o CD Trova di Danú, não gostava muito e acabou me "emprestando por definitivo". Já tinha ouvido alguma coisa na casa de amigos, mas ainda não tinha me inspirado para conhecer a fundo. Inspiração que veio com esse maravilhoso CD caindo nas minhas mãos.

A primeira coisa que fiz quando ouvi e gostei foi baixar a discografia na internet.

A segunda coisa que fiz - depois de já ter decorado todas as letras, viciado e viciado de tabela alguns amigos - foi ir ao show deles na EXPOMUSIC.

E adivinha? Consegui autografar meu CD e ainda fiquei trocando ideias com o Rodrigo e o Giovani, baterista e baixista respectivamente.

Pois bem, sempre curti o som da banda (até hoje tenho uma camisa do "The delirium has just began"), sempre baixei o som da banda e sempre o divulguei para todo mundo e nunca vi nada de errado nisso. Ficava feliz em divulgar uma banda de metal nacional com a qualidade dos caras de Varginha Rock City.

Não gostei quando a banda parecia chegar ao fim com a saída do mentor Bruno Maia, mas fiquei feliz quando saiu seu CD solo e logo tratei de fazer o download para conhecer. E muito bem, me apaixonei pelo som mais folk e menos metal que seu trabalho anterior no Tuatha de Danann.

Sou pirata.

Faço 21 anos este mês e tenho meia dúzia de CDs originais no meu quarto, onde a maioria absoluta deles ganhei de presente. Cresci na transição para as mídias digitais e sei que muita gente da minha idade comprou muitos CDs e compra até hoje, mas infelizmente nunca tive dinheiro para isso.

Toda a minha bagagem cultural deve-se aos downloads que fiz e faço. Ouso ainda afirmar que minha vida inteira seria diferente sem a internet, talvez sem o acesso à ela e sua dinâmica informativa nunca estaria bem informado e quem sabe nem passaria no vestibular.

Talvez daqui alguns anos falarei para minha filha de maneira nostálgica como era a época em que eu fazia downloads no Kazaa, no LimeWire, no Torrent, via Rapidshare e Megaupload, etc., da mesma forma que a geração da minha mãe sente saudades dos tempos do LP. Sim! Tenho certeza que logo, logo o formato digital mudará e se reinventará, eu só não tenho o feeling asimoviano para dar um palpite de como será.

E o que formatos digitais de músicas tem a ver com o Bruno Maia?

Sou ladrão?

Alguns meses atrás um fato ocorrido aqui no blog me deixou muito decepcionado.

Estava na ânsia de reviver o blog (mais uma vez) e os posts do marcador Dicas de Download era uma forma fácil e acessível de manter o blog atualizado. Então resolvi voltar a compartilhar as músicas que me acompanham no fone de ouvido diariamente.

Disponibilizei o álbum solo do Bruno Maia para download aqui e recebemos um comentário de um integrante da banda pedindo cordialmente para retirar o link, pois disponibilizar o CD prejudica a banda.

Bah! Os integrantes do Movimento Música Para Baixar estão se prejudicando? Músicos já consagrados na cena como Leoni, Móveis Coloniais de Acaju e Teatro Mágico entrariam nesse movimento para se prejudicarem? Ou a diferença está simplesmente na maneira de pensar de cada artista?

Retiramos o link para download em respeito a banda e retirei a banda do meu celular em respeito a mim mesmo. Nunca me interesso por nada só pela estética, e uma banda me conquista por inteiro não só com sua música, mas por suas posições ideológicas também.

Depois desse dia nunca mais ouvi o som deles e nunca mais indiquei para nenhum amigo e talvez nem indicarei mais. Quem quiser conhecer que compre o CD, não é mesmo? Aliás, você conhecia Tuatha de Danann e Bruno Maia?

Acho que não.

Eu também nunca conheceria se não fosse a internet.

Segundo Alex, integrante da banda, no próprio site oficial, "com um pouquinho de conhecimento na web é possível baixar o mesmo álbum". Eu não devo possuir conhecimento de web, pois não encontrei. Ficaria muito feliz se alguém da banda postasse o link nos comentários para mais pessoas conhecerem este maravilhoso trabalho.

Não crio esse post para satanizar a banda, nem para criar polêmicas desnecessárias.

Isso é apenas um desabafo e um convite para a discussão sobre direitos autorais e internet. Não me aprofundei nesse aspecto, ficando retido mais aos relatos pessoais, pois no final deste post há uma lista de links com ótimos textos sobre o assunto para quem se interessar e quiser se aprofundar e de quebra ainda fica o documentário "A Nova MPB: Música Para Baixar."


A pergunta que deixo para reflexão é a seguinte: Sou fã. Sou pirata. Sou ladrão?

@alvarodiogo "Compartilhe suas ideias"

Dicas de Leitura via @ftebet:
- Com Ciência: Música no ambiente digital: direitos autorais e novos modelos de negócio e distribuição
- SONIDO: O Fórum Nacional da Música (FNM) lançou um documento defendendo novo sistema de arrecadação e distribuição dos direitos autorais.Direito autoral para a música"
- Movimento Cultura Brasil: Teceria Via para o Direito Autoral
- Revista Trip: O Mistério do E-CAD
- Portal Vermelho: Sérgio Amadeu: Internet não se guia por critérios de mercado
- ECAD: Como receber direito autoral

9 comentários:

Cristiano disse...

Tem q baiixar mesmo, e de graca!!!

Esses artistas tem o rei na barriga e se acham superiores a todos do mundo simplesmente pq ganham mto dinheiro. Entao TOMEM ESSA INTERNET AKI!!

Sera q eh justo esses cras ficarem ricos soh pq tocam um instrumento ou cantam e estao no lugar certo n hora certa? Se dizem tap apaixonadinhos pelas suas profissoes de artistas e satanuzm o trablho realizado pelmaior parte ds pessoas...

Fcamos essa classe de adoradores do proprio umbigo pessoas como nos: comuns! Qro ver se essa arrogancia e auto-suficienciia se mantem com o bolso vazio...

musicos, atores, artistas no geral: acordem, vcs sao apenas pessoas, ENTRETENIMENTO, e nao mestres do povo e ditadores de costumes!!

Com a internet e o acesso gratis a musice a cultura no geral esses imperios de riquez irao ser implodidos e essa corja de narcisistas q hj se axam dono do mundo serao substituidos por seres mais humildes e mais comuns, q buscam nas artes uma maneira de passar seu tempo e viver com mais qualidade.

Arte eh hobby e nao profissao: se faz por amor e nao por grana!!

Léo disse...

Muito bom texto, Talaio. Tudo que você disse cabe 100% a minha situação (até o fato de fazermos 21 anos neste mês, rs). Fiquei pensando esses dias, depois do maravilhoso show do Pain of Salvation, se seria possível lotar aquela casa de show sem a divulgação da banda pela internet... quantas pessoas ali tinham material original do PoS? Eu só tenho porque comprei por preço de banana numa promoção louca de internet, mas acredito que nunca teria conhecido o som dos caras se não fosse por downloads da internet. É triste ver que ídolos como a galera do Tuatha se submetam a essa exploração já arcaica de venda de cds. Contra burguês, baixe mp3!

Anônimo disse...

Fã pirata é o caralho!
Não tem dinheiro pra comprar 4 cdzinhos do tuatha (sendo q um é EP)e
um dvd em mais de 10 anos!!!
vai tomar no cú!
isso não é ser fã.
Isso é "fã de merda!!!"
não comprar tudo que é banda, tudo bem, mas não ter os cds de uma (uma única!) banda é demais!!!
Em 10 anos, vc não arrumou dinheiro pra comprar 4 cds!!!
Caralho, vai dar o cú!!
Fã pirata não é fã de porra nenhuma.

ftebet disse...

Muito bom o post.
De fato há a necessidade de se rediscutir o modelo da 'indústria cultural'.
Concordo com você que, não fosse a internet, metade do que me acompanha todo dia nos fones de ouvido não teriam chego até mim.

Quanto ao comentário raivoso acima, vale informar que, no geral, os artistas não vivem da venda de cds (que na verdade representam a menor parte dos ganhos), mas sim da renda de shows. É daí que vem a principal receita.
Mas enfim, a discussão em torno do assunto é BEM extensa pra caber no post e os links relacionados são suficientes pra se ter uma perspectiva da questão toda.

Eu não conhecia o documentário "A Nova MPB: Música Para Baixar". Valeu a dica.

PS. obrigado pela menção =]

Douglas disse...

Vou escrever, na verdade "retuitar" uma frase que li no Twitter, mais ou menos assim: Se a banda, ou o cantor, ou seja lá quem for, não quer que seu trabalho seja baixado, é porque faz musica para vender, não para ser ouvida.

RAIZZA ALEX disse...

Ótimo!! Gostei muito, continue!

RAIZZA ALEX disse...

Gostei muito do seu Blog alvaro.Cheio de idèias e postagens muito inteligentes.
Beijos.

Álvaro Diogo disse...

Valeu, Léo!

Tenho a discografia do Pain of Salvation em arquivo digital e paguei com muito gosto R$140 reais para assistir ao show.

Felizmente hoje tenho essa possibilidade, mas talvez se o show fosse de alguma banda que combate o acesso às músicas pela internet eu não pagaria. Citando o caso dos integrantes da banda Braia ou uma banda de mais peso na cena musical como o U2. Onde o Bono Vox já se manifestou totalmente a favor de prender quem baixa músicas na internet. A polícia podia ter entrado no último show aqui no Brasil e levado todo mundo, então...

É Felipe, acho que o troll anônimo nem sabe do que tá falando... Cada vez mais as bandas estão se desprendendo da "ditadura" da grande mídia e das gravadoras e como diria Andreas Kisser "estão caindo no próprio buraco que cavaram".

Continuem comentando... esse assunto dá pano pra muito discussão.

Abraços!

Álvaro Diogo disse...

Pela Mariana Mendonça via facebook:

"Bem, faz tempo que eu não comento nada aqui, mas como o assunto me interessa bastante e o Talaio sempre tem uma opinião relevante, decidi ler. Concordo com muito do que você disso. Domingo agora (dia 5), fui ao Carioca Club assistir uma banda finlandesa chamada Amorphis, fazem um viking metal um pouco mais leve que o do Amon Amarth. Quando fui na galeria comprar o ingresso pro show acabei comprando 2 cds deles, teria comprado antes e mais se tivesse tido dinheiro e oportunidade. Conheci o Amorphis em 2006, um amigo me mandou um cd inteiro via msn, eu baixei outros por conta própria e também já apresentei a banda para outros amigos. O primeiro show deles aqui foi em 2009 como abertura para o Children Of Bodom, tocaram 7 músicas. Aposto que alguns fãs sairam de lá e foram buscar mais sons da banda na internet. Dessa vez o Amorphis voltou sozinho já tocando para 500 pessoas. Acredito que na terceira visita que fizerem aqui o publico já vai ter almentado, os videos vão cair mo youtube, a banda se apresenta muito bem, tem tudo pra melhorar. O músico que defende as gravadoras com certeza tem parte com elas, pois desde dos anos 50 músicos de bandas grandes já diziam que o dinheiro que eles ganhavam vinham dos shows. Muitas bandas pequenas morreram antes da internet, porque devido ao fato de estarem entrando no mercado e seus cds venderem pouco não fizeram o suficiente com shows pra pagar o que receberam andiantado da gravadora para trabalhar no cd. As bandas eram vítimas dos esnomes críticos de revistas, do rádio, dos advogados, dos empresários, etc. Hoje, basta ter qualidade, pois é o público que vai decidir se é bom ou não, e em um mundo de 7 bilhões de pessoas, tem que ser muito ruim pra não dar certo! Outro dia o Dave Groll fez um comentário interessante, ele disse que se ninguém mais consegue, porque então a Adele já vendeu mais de 3 milhões? A conclusão é obvia, por mais que alguns fãs não comprem cds por motivos de ordem financeira, mesmo os que podem comprar não vai sair se arriscando, comprando algo que só tenham uma música tocando no rádio. Agora aquilo que se ouve e percebe que todas as músicas agradaram, compra-se a coleção toda com alegria. Eu mesma não me arrependo 1 centavo do que investi no Helloween."

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