--- Frase de Agora! ---
"A água é para os escolhidos
Mas como podemos esperar que sejamos nós..
... eu e você?"

Máquina do Tempo: Vaga Viva do Coletivo Ideia Nossa. A única vaga viva do lado de cá da ponte =) Vaga Viva do Ideia Nossa

Destaque da Semana: Onde está o sol que estava aqui?
Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo rural

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Crônicas - Parte I

Sempre assim. Comigo acontece de tudo. Agora se isso é bom ou ruim já não sei, sei que elas viram boas crônicas. Então, vou (tentar) postar uma por semana (se o tempo deixar).
Eis a primeira

Dentista, droga e açaí

Era um sábado, 8 horas da manhã. O sol tinha invadido o quarto e eu me perguntava, pelamordiDeus, quando vão comprar as malditas cortinas pra droga deste quarto?, quando olhei uma coisa borrada na minha mão
"DENTISTA AS 9, NÃO ATRASAR"
Eu ja estava atrasada, claro. Morava a 15 minutos do metrô São Joaquim, dentista era na Penha. Impossível? Não! É só sair correndo que vai dar certo. Coloquei a primeira roupa que vi e voei, nunca bati aquele record.
Cheguei na São Joaquim em 5 minutos, 5 minutos até a Sé e 30 até a Penha. Estava na porta da dentista às 8:50. Mas quem disse que ela também estava lá? A bendita apareceu as 9:40 com um sorriso de orelha a orelha. Vontade de bater foi o que não faltou. Mas isso não foi tudo, ela ainda anunciou que naquele dia, ela ia arrancar 2 dentes.
"Sério?", perguntei. Não queria acreditar no que estava ouvindo. Vai que ela estava me testando, fazendo uma brincadeira de MUITO mau gosto.
"Sério! Seu pai não te falou?", o que meu pai tem a ver com a historia, sua doida?
"Não, ele sabia?", eu era uma menina educada de 13 anos, não falava tudo o que me vinha pela cabeça.
"Sim, eu liguei na sua casa pra marcar a consulta e ele que atendeu, pedi que te avisasse", o sorriso no rosto dela me irritava profundamente, "pelo visto ele esqueceu, né?"
"Uhum"
Entramos na sala dela. Tudo branco. O sol de novo estava lá, deixando tudo mais branco ainda.
"Você não tem alergia a anestesia, né?"
"Não, não", mesmo se tivesse, eu diria que não.
"Ah, então vai ser fácil. Tive uma vez um paciente que tinha alergia, foi uma pena, tadinho", tive a certeza de que tinha feito a escolha inteligente.
Do nada, essa certeza saiu correndo ao ver o tamanho da agulha que ela segurava. A primeira vez que ela meteu a agulha, fechei os olhos, não podia ver. A segunda vez, sim, a anestesia não tinha funcionado, o olho estava meio aberto. A terceira vez eu assisti o processo inteiro. Já não agüentava mais, queria sair correndo!
"É impossível estar doendo ainda!"
"Mas está, caramba!"
"Sinto muito, mas vai ter que ser assim mesmo"
Ô troço doloroso, mew. E demorado, acima de tudo. Saí de lá meio dia.
Coloquei o pé na rua, a anestesia começou a fazer efeito. O sol escaldante me deixou zonza e me lembrei do que a dentista tinha falado antes de que eu saisse de lá.
"Vai pela sombra, literalmente! Ficar debaixo desse sol vai te fazer mal"
Beleza, vou pela sombra... vou pela sombrra... sooooooooooombrah... nossacomoeutomole! Ir pela sombra, tá. Seguir a sombra.
Nossa, onde eu estou? Não me lembro dessa ponte, ou dessa avenida. Como eu vim parar aqui? Demorei uns minutos pra enteder o que tinha acontecido. Dopada do jeito que estava, fui seguindo a sombra em vez de seguir o caminho que dava pro metrô. Tive que voltar tudo pra conseguir me orientar. No metrô, estava cansada. Sentei no único lugar vazio, que por algum acaso, era na janela. Bem no sol.
Lutei pra ficar acordada, lutei lutei lutei...
"Próxima estação, Sé"
Isso, estou quase em casa! Mais 5 minutos estou na São Joaquim, outros 5 eu chego em casa! Ou talvez melhor não correr, verdade. Não, correr - má idéia - correr não. Mas, qual sentido tenho que ir mesmo? Jabaquara ou Tucuruvi? Cadê o mapa? Por que nunca tem um mapa quando a gente precisa? Onde estou mesmo? Ah, sim, Sé. Jabaquara. Mas eu tenho certeza que eu vim do Jabaquara. Ou não? Bah, que se dane, o nome é legal.
Fome. Verdade, não comi hoje. Ou eu comi? Não, né? Será que tem comida? Putz. Não trouxe chave. Onde tem orelhão quando você precisa de um?
9090-3271-6152
*tu* *tu* *tu*
click
Chamada a cobrar, para aceitá-la continue na linha após a identificação
"Sú, abre a porta. To quase em casa", pela primeira vez desde o consultório, eu falava em voz alta. Me dei conta do total efeito da anestesia - meu rosto inteiro estava mole, minha voz, fanha.
"Miaaaaau"
"CACAU! Não, você não fez isso"
"Miiiiiau"
"MERDA! Por que você adora tirar o telefone do gancho?"
"Miaaaaaaaaau"
Não, eu não estava delirando. Minha gata, Cacau, tinha mania de tirar o telefone do gancho toda vez que tocava. Era uma briga pra ver quem chegava primeiro. Otimismo, otimismo... Sú ouviu o telefone tocar, foi correndo pegar do chão, mas eu ja tinha desligado. Isso, foi isso que aconteceu. Tenho que ligar de novo. Ligar de novo no próximo orelhão. Ligar.
9090-3271-6152
*tututu*
Tentei nos outros 7 orelhões que haviam pelo caminho, Sú nunca tocou no telefone fora do gancho que ficou jogado no chão do quarto.
Cheguei na porta de casa, a solução foi bater no portão de madeira, gritar, jogar pedrinhas na janela. Fiquei do lado de fora uns 10 minutos, no sol. Até que ela desce com a maior cara de sono, rosto amassado do travesseiro.
"Desculpa, eu tava mal"
"Por favor, me diz que tem almoço", nada mais me importava. Eu só queria sair debaixo do sol e comer.
"Putz, esqueci de descongelar o feijão"
"..."
"Má, que cara é essa?"
"Cara de quem está dopada, não come a mais de 15 horas e perdeu 2 dentes"
"Pior é que não tem nada que você vai conseguir comer e eu estou sem dinheiro"
Resmunguei alguma coisa, passei reto por ela e deitei no sofá. Ela foi pro computador. Aposto que era msn. Uma meia hora depois, ela me deu boas notícias. Ela tinha arranjado alguma coisa que eu pudesse comer. Um amigo dela a chamou pra tomar açaí e falou que eu podia ir junto. Quase não fui.
"Mas, Súúúú.... aquilo tem gosto de terra!", ainda tive a coragem de reclamar!
"Prefere ficar sem comer até o pai chegar?"
Nunca comi alguma coisa com tanta vontade. Daquele dia em diante, me apaixonei pelo açaí.

7 comentários:

Álvaro Diogo disse...

sem palavras...ehauiehaiue
mt bom, adorei sua narrativa e ri mt! parabéns msm!!!
vejo um horizonte fabuloso para o blog se td continuar do jeito que anda ^^

Barbara disse...

isso foi triste!! muito bom, mas triste. A parte do dentista então.. quase chorei imaginando a agulha *caiduranochão*

mas foi muito bom, parabéns (:

Siis - Tah* disse...

- euri, fato.
Se existe alguém nesse mundo que deveria ter começado a escrever esse alguém é você. Parabéns, Mah.
E brigada por ter conhecido açaí *------*

Maguita* disse...

Muito obrigada, gente. Meeesmo! *-*
Aquele dia foi tão, mas TÃO ruim, que agora eu não vejo outra mas rir da minha própria desgraça.
Estou na dúvida da próxima crônica... se falo do dia que eu perdi meu passaporte ou de quando me perdi no Ibirapuera. xD
Sugestões? Preferem uma surpresa? (Tenho uns outros 5 desastres pra contar xD)
beijooo, honeys
;*

V - luaR disse...

eita nois *-* huahuauha... ta vontade de ler tudos de uma vez XD

"nossacomoeutomole" .. uhahuahuaha, me cagando de rir xD .... sem duvida ficou muito divertido, e acabou em Açaí.. e se acaba em Açaí é sempre bom !!! ^^

*pensa: vontade de açaí* ...

parabens, e vamos continuar assim gente ! =]

Álvaro Diogo disse...

Cada o resto? Não tem mais?

George Ruchlejmer disse...

Também quero mais !

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