--- Frase de Agora! ---
"A água é para os escolhidos
Mas como podemos esperar que sejamos nós..
... eu e você?"

Máquina do Tempo: Vaga Viva do Coletivo Ideia Nossa. A única vaga viva do lado de cá da ponte =) Vaga Viva do Ideia Nossa

Destaque da Semana: Onde está o sol que estava aqui?
Ladrões de sol, crise hídrica e êxodo rural

domingo, 20 de abril de 2014

Clareza nas ideias...

Por Rodrigo Martins

A dificuldade de compreender a mudança de atitude da sociedade atual está fazendo o governo e a elite enfiar os pés pelas mãos. Grande parte das pessoas aprenderam a questionar,  não aceitar tudo "garganta a baixo". O jovem de hoje não é mais como o jovem de antigamente, a música de hoje não é mais como a de antes, o rolê de hoje também não. 

A negação de aceitar que um jovem faz parte de protesto, debates e questionamentos por ideologia e não necessariamente por fazer parte do partido X ou Y. Aceitar que a mídia não derruba mais governo e ao contrário, chegou a vez do povo de escolher quem derrubar, desde o ministro do primeiro escalão por um simples caseiro,  à grandes e fervorosos líderes por ministros do STF. 

Ver uma mídia que assume publicamente que tem lado, quando a morte de um cinegrafista causa clamor público e outro cinegrafista também morto em trabalho e desta vez por um tiro de fuzil pela polícia e o que se tem na mídia é um silêncio fúnebre. 

Quando táticas e álibis são direcionados a busca de um culpado usando a incompetência moral de um advogado, que aciona o estagiário que ouviu do papagaio que tinha a ligação com um deputado. 

Uma justiça que julga a morte de acordo com a conta bancária do réu e a decisão será direcionada perpétua ou trabalhos sociais. Viva o místico e heroico Thor.

Aí vem o Apocalipse e passa a ser a única referência nos seus 40 dias de sol e escassez de água e alimentos,  tirando a responsabilidade do ser humano que adora ser politicamente correto e sustentável. 

Tudo é riso, tudo é bunda e festa. Mas lembre-se não pode bater, quando se nasce para apanhar, não se brinca com a verdade ou sua vida corre risco de vida! Me lembrei de uma piada: "aqui é um lugar onde o humor é levado a sério e o que é sério é levado no humor". Por isso, entre sempre pela porta dos fundos. 

Vamos... que bradam os "sininhos", queimem todos em praça pública. Vamos... queimem todos, gays,  negros, pobres, putas. Toda essa raça que só atrasa os avanços padrão FIFA. Viva o discurso dos parlamentares que nos representam.

Neste país de generosidade, onde dorme-se pouco e trabalha-se muito. Com ônibus lotado, trânsito caótico e mesmo assim recebe seu salário mínimo. E pela força das idéias contribui com as vaquinhas dos pobres e inocentes presos políticos. 

Mas aqui é Brasil.  O país em que em época de eleição faz-se chover se necessário for,  aprendermos que o sistema só existe para fortalecer o próprio sistema, mas vamos e lutemos, sem armas, sem máscaras, sem medo e quando vierem os cassetetes,  diremos por quê? E eles, dirão por que não?!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Parabéns pra você!

Por Rodrigo Martins

Parabéns pra você, nestes 50 anos queridos! 

A festa está marcada, muitos convidados, o bolo é uma bola de futebol, assim poderemos saborear com muitos gritos de gol na hora de apagar as velinhas!

O convite é destes da última geração, onde as imagens do fantástico mostravam polícia junto com o exército, marinha, aeronáutica tomando a comunidade da Maré, e após a mágica tomada - em 15 minutos acabaram com uma história de anos de crime - então, eles levaram as crianças para conhecer dentro dos “caveirões” e andar a cavalo, usando as boinas policiais. Confesso que tive a impressão de ter voltado na história e estar observando os Jesuítas catequizando os índios.

E então a festa começou...

Primeiro a chegar foi a polícia. Eles queriam saber se estava tudo em ordem e progresso. E então começaram recolhendo os CDs e DVDs piratas, após prenderem uns usuários de maconha que tinha por lá. Em seguida acharam uns ladrões de carros e limparam geral, até um negro ator da globo saiu algemado, para provar a ação, o helicóptero cheio de drogas foi apreendidos, mas não tinha dono.

Em seguida chegou a mídia, cheia de pompa, já chegou falando, primeiro deixou claro que as manifestações na festa não daria certo, para provar que estava certa repetiu diversas vezes o foguete que matou o cinegrafista. Como sempre bem vestida, mostrou os avanços. Eike Batista que foi o apresentador. O Mc Donald´s e a Coca Cola tentou entrar junto mas não passaram na porta, o filho de Eike passou direto, não deu tempo de frear. 

Quem chegou em seguida foi o governo. Chegou na Hillux nova da PM e deixou claro que as ações estão corretas e que a maconha é proibida, isso que é vendido na porta da sua casa é uma ilusão de ótica. Ao entrar não fez questão de cumprimentar a Educação, disse que é “Um bando de vagabundos” e se encher o saco, falando de saúde, transporte, cultura, esporte, etc. já ia chamar quem resolvesse o problema: cassetetes novos, carros com jato d´aguá e a nova lei anti terrorismo. E esse papo de moradias já, já vamos dar um jeito, com toda a licença, mas a democracia precisa de estacionamento para a copa.

Saltitantes chegaram os Políticos. Os carros era todos importados, as fichas criminais também, prometeram uma nova democracia, esta estava velha. Discursaram por horas, mostraram imagens e depoimentos que pensamos estar na festa errada. Promessas de reforma eleitoral, reforma no judiciário, leis mais duras, e melhores salários para eles. (O último eles cumpriram)

Tarda mais não falha! Chegou a madame justiça, essa chegou por último (como sempre) escolheu quem cumprimentar, deu habeas corpus para uns, liminar para outros e uns mais especiais tiveram habeas corpus preventivo, mas saíram muitas liminares determinando entrar em todas as casas suspeitas da comunidade da Maré (O que seria uma casa suspeita?!). Não contente, julgou em tempo Record presos em protestos. Prendendo a todos, determinando uma limpeza étnica na sociedade, em especial a comunidade do Pinheirinho.

E então lá vem o povo, quando chegou na porta não pôde entrar, já estava cheio...  E então, uns ficaram amarrados nos postes e não conseguiram se soltar a tempo, outros estavam batendo em quem bateu em alguém e as mulheres estavam vestidas “pedindo para serem estupradas”. Foi então que começaram a acabar com os 3´Ps (Pobre, Preto e Puta), assim, ficaria mais fácil de lidar com a sociedade. 

Bom, mesmo ao lado de fora o parabéns saiu...

O bolo acabou rápido, só foi para os convidados! 

E hoje é o dia de dizer parabéns, afinal não se faz 50 anos todos os dias. Então lá vai...

“Parabéns coronéis vocês venceram outra vez, o congresso continua a serviço de vocês...”

O golpe de 64, em resumo. Por Carlos Latuff

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Ciclocoisa não. Ciclovia até o Taboão já!

Por Ciclistas e moradores do Butantã, Taboão e região pelo uso seguro da bicicleta

Nós ciclistas da cidade e moradores da região do Butantã mais uma vez vamos às ruas pela ciclovia na avenida Eliseu de Almeida, prometida desde 2004 como interligação do Taboão da Serra com a região da Vital Brasil, no Butantã.
Projeto Ciclo Rede Butantã. Fonte: Vá de Bike
Estamos prestes a comemorar 10 anos sem a ciclovia e, após um ano intenso de audiências e negociações com a subprefeitura, com o legislativo e órgãos do governo municipal, vemos uma promessa de execução da ciclovia ser iniciada.

O que deveria ser festa, no entanto, ainda é coberto de dúvidas e insegurança. A promessa, várias vezes repetida pelo subprefeito do Butantã, de realizar a ciclovia até o Taboão da Serra está em risco. A obra que se iniciou no final de novembro, segundo o próprio subprefeito, deve se encerrar nas proximidades do Shopping Butantã, deixando mais uma vez os moradores que mais precisam dela – pois percorrem o trecho mais perigoso -, sem estrutura alguma.

Lembramos que a prefeitura do Taboão construiu, com dinheiro do Ministério das Cidades, uma ciclovia prevista em seu plano diretor, que foi desativada no início deste ano. Um dos argumentos dados foi que a cidade de São Paulo não fez a ciclovia prometida até o município vizinho. Um passo à frente, dois atrás.

As obras na Eliseu estão em andamento, sem projeto executivo, e contemplam somente o piso, deixando sinalização, iluminação, acessos e outros tratamentos fundamentais para a segurança em segundo plano. Para nós a mensagem é a de sempre: qualquer coisa está bom para vocês, ciclistas. Mas será?? Temos visto em São Paulo a multiplicação de CICLOCOISAS, estruturas feitas de forma precária, sem a devida finalização, que muitas vezes não levam a lugar algum. Isso é fruto de um planejamento cicloviário adequado??

Como a ciclovia será terminada se não há orçamento previsto para ela em 2014?

Temos vários exemplos de ciclovias inacabadas que não são seguras para ciclistas, sobretudo nas conversões, sinalização e acessos. Mas aqueles que optam por não utilizá-las são também ameaçados por motoristas, que não entendem o motivo de não as utilizarmos, dando finas educativas e aumentando o risco de “acidentes”. Como será garantida a nossa segurança nesse período de indefinição?

Por isso:

  • Queremos orçamento para a finalização da obra.
  • Queremos um projeto adequado, aprovado pelo órgão responsável, que é a CET e de acordo com o projeto combinado com os ciclistas nos espaços de diálogo.
  • Queremos uma ciclovia até a divisa com o Taboão da Serra.
  • Queremos acessos ao metrô Butantã, bem como um bicicletário no local.

Respeito aos ciclistas, aos espaços de participação e diálogo são fundamentais para a democracia e a mobilidade na cidade! Políticas que deem segurança para ciclistas não são favores, mas um direito. Não aceitaremos a construção de CICLOCOISAS que colocam vidas em risco e fazem do ciclista um cidadão de segunda classe. RESPEITO JÁ!

sábado, 23 de novembro de 2013

Eleições Conselho Participativo SP - André Wagner Rodrigues - 57.008

Sou um dos candidatos à CONSELHEIRO PARTICIPATIVO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO.

Serei defensor da contínua melhoria do EDUCAÇÃO na região do Campo Limpo! Gostaria de contar com seu voto. As eleições acontecem no dia 08 de dezembro de 2013.

Minhas propostas são:

1º Formar pólos de formação contínua de professores da rede municipal e estadual de nossa região. Acredito que podemos, assim, contribuir (num primeiro momento) para uma mudança significativa do Ensino oferecido nas escolas da região.

2º Acompanhar as políticas públicas e o investimento de verbas para a efetiva viabilização de recursos pedagógicos, técnicos e científicos para as Escolas da região de Campo Limpo.

3º Fiscalizar as ações políticas de urbanização e infraestrutura para as escolas de nossa região.

Eleições Conselho Participativo SP - Leticia Freire - 83.058

Eu sou Leticia (sem acento gráfico mesmo).

Nasci em SP e me criei no meio do mato. Primeiro em uma casa afastada em Cristina (MG), depois no sítio (do pica pau amarelo) em Vargem Grande Pta. São Paulo para mim só em dia de visita aos avos ou ao dentista (no centrão).

Vi a Raposo Tavares crescer, perder seus Ipês e balões (acreditem, haviam balões por aqui) e virar "avenida". Esse motivo, alias, fez com que a vida no meio do mato ficasse simplesmente inviável para meus pais (um professor universitário e uma jornalista). O difícil deslocamento e o transito nos aproximou da metrópole.

Meu primeiro amor em SP foi justamente o Instituto Butanta, parque tranquilo, na época sem carros. Depois viemos de vez para o pedaço e foi a Avenida Caxingui (ao lado do Instituto) que acolheu a mim e a minha família qdo eu tinha 16 p 17 anos (hoje estou com 33).

Logo descobri a festa do ciclo do Boi, no Querosene, e a casa Bandeirante... Era tudo um grande quintal urbano para mim. Mas era tudo muito diferente do que é hoje, tanto em cenário quanto em paisagem.

Vi o Pirajussara bravejar muitas vezes. Vi também seu aprisionamento (ou canalização, segundos termos técnicos).

Bicicleta mamãe só deixava do lado de cá da ponte. Do lado de lá era a cidade, que eu desconheci por muitos e muitos anos (minha referência espacial de SP ia até o Shopping Eldorado..)

Estudei administração. Trabalhei como gestora de projetos sociais (foco em criança e adolescente), mas me apaixonei pelas histórias que reportava nos relatórios. Estudei fotografia, fiz alguns trabalhos como fotojornalista. Depois, militante da área ambietal, atuei por bons anos como jornalista. Mas minha vocação/atividade é a fotografia, linguagem que escolhi para a vida.

Hoje sigo freelancer e pesquisadora da Usp.

Estudo na filosofia os indícios/vestígios do conceito mais visceral de natureza que a cidade (em sua polifonia e poliformia) oculta de nós. Converso com os grafites, com a pichação e com a arte de rua em geral. Trata-se de um trabalho de reflexão sobre a comunicação urbana.

Sou voluntária e associada do Ciclocidade, voluntária, militante e associada da Associação Filosófica ScientiaeStudia, tia do Rafael (q acaba de ganhar sua primeira bicicleta!), filha de Xangô, arquiteta descalça, aprendiz de costureira, amiga do famoso Jonny da bike e frequentadora do Cine Querosene (cinema de rua, grátis, público).

Meus irmãos me acham brava. Eu me defendo dizendo que sou uma pessoa comprometida com o que é bom, belo e justo: o que é diferente de braveza, vai? Mas as vezes fico bem brava, é verdade... Acho que fico indignada e desato a falar, falar, falar...

Gosto da vida reservada, do dia.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Avaliação Sarau de Inverno

Por Álvaro Diogo

Em julho deste ano, o Coletivo Ideia Nossa realizou o sonho antigo de realizar um sarau.

No início deste ano em uma reunião no Estúdio do Morro, os colaboradores Carine Farias e Felipe Cruz sugeriram realizarmos um evento a cada estação do ano. Portanto, em julho iniciamos o ciclo com o Sarau de Inverno.
Paulo Fonda, convidado ilustre do Sarau de Inverno, apresentou
algumas músicas do seu novo trabalho.

O sarau foi um sucesso e superou todas as expectativas, inclusive de público. Esperávamos menos de 30 participantes e contamos com 61 nomes na lista de presença (fora algumas pessoas que estavam lá, mas não assinaram a lista). 

Após o sarau circulamos uma avaliação para termos um feedback do nosso público e cerca de 1/3 das pessoas responderam. Compartilho aqui algumas informações sobre a avaliação e disponibilizo a avaliação na íntegra no final do post. 

Irei complementando com algumas informações referentes ao próximo sarau também =)

A localização (Parque Luiz Carlos Prestes) foi muito bem avaliada, contando com 95% de ótimo ou bom, poderíamos repetir o mesmo local para o Sarau da Primavera, mas entendemos que seria interessante mantê-lo itinerante. Algumas pessoas sugeriram realizar no Vila-Lobos ou no Ibirapuera, mas acabamos escolhendo uma praça no Butantã (João Afonso de Souza Castelano), mais próxima do metrô do que o parque.

As meninas do Saraucultiei (Zona Sul) também marcaram presença.
Decoramos o espaço com algumas bandeirinhas de festa junina, origamis e xilogravuras, expondo nossa pluralidade e diversidade. Já temos algumas ideias para a próxima decoração, mas deixarei os leitores curiosos.

Houve também uma exposição fotográfica de diversos fotógrafos amadores e profissionais. Pedro Abreu, Fernanda Rezende, Carine Farias e Magali López contribuíram para a exposição, sendo que as fotos da Magali vieram diretamente de Portland, Oregon (EUA). No próximo sarau também haverá uma exposição, e a ideia é que seja uma exposição temática.

Jonas Carlos, o malabarista
Sobre as apresentações, 79% responderam que foram boas ou ótimas. Vale um destaque para a Nathalia Abreu e Priscila Soares que apresentaram o livro Corpo ao Extremo e realizaram um excelente debate entre os participantes sobre body modification. Estamos trabalhando na divulgação do próximo sarau para que cada vez mais artistas compareçam e enriqueçam as apresentações.

A duração do evento foi o ponto mais criticado. Foi quase uma unanimidade que o sarau acabou muito cedo (começo às 13:30h e terminou às 17:30h). Um dos pontos chave para escolher o próximo local era que devesse atender a este requisito: poder se alongar noite adentro. Na Praça João Castelano estamos pensando em iniciar o Sarau da Primavera por volta das 15h e encerrar entre 22h e 23h.

A divulgação do evento foi mais eficiente nas redes sociais (32%) e no boca-a-boca entre amigos e artistas (34%).

Realizamos também um escambo, onde participantes do sarau puderam trocar livros, filmes, cds, revistas e o que mais desejaram. Acho que foi o ponto máximo do evento com 100% de bom ou ótimo, sendo 84% de ótimo na avaliação, repetiremos com certeza no Sarau da Primavera.

Escambo: o clímax do Sarau de Inverno
Contamos ainda com um cardápio variado servido aos participantes, onde cada um contribuiu com alguma comida ou bebida. Avaliado em 95% bom ou ótimo pelos participantes. Ainda não definimos como será o esquema do próximo sarau, mas é certo que teremos mais opções veganas/vegetarianas como foi solicitado na avaliação.

E pra finalizar perguntamos sobre a iniciativa/organização do Coletivo Ideia Nossa em realizar o sarau e obtivemos 95% de ótimo avaliados.

Então, deixo o link para download da avaliação na íntegra: http://goo.gl/jOOkIE

E já adianto o convite para o Sarau da Primavera:

Data: 07.12.2013
Horário: 15:00h
Local: Praça João Afonso de Souza Castelano (na Av. Eliseu de Almeida, próximo a padaria Previdência do Alvarenga)

sábado, 26 de outubro de 2013

Frente Parlamentar de Mobilidade Humana - Ciclovia da Av. Eliseu de Almeida

Por Álvaro Diogo

Ontem (24 de outubro), eu e a Paola, estivemos representando o Coletivo Ideia Nossa ao lado dos colegas da Ciclocidade, Gabriel e Matias, na reunião da Frente Parlamentar de Mobilidade Humana onde o subprefeito do Butantã, Luís Felipe, iria prestar estar esclarecimentos sobre a atual situação da ciclovia prevista desde 2004 para a Avenida Eliseu de Almeida.

Os boatos que circulavam de que o projeto apresentado pela JBA Engenharia havia sido rejeitado pela CET, que além de não ser um projeto executivo, mal atendia as exigências normativas minímas para sinalização, eram verdadeiros.

Manifestação pela ciclovia da Eliseu no dia primeiro de dezembro de 2012. Fonte: Taboão em Foco.
Não, não foi dinheiro público jogado no ralo. A empresa não tinha contrato para executar o projeto da Ciclovia da Eliseu, mas é detentora do contrato para o projeto completo de repavimentação da avenida. Ao que parece ficou acordado entre a empresa e a subprefeitura uma "doação" desse projeto da ciclovia para acelerar o processo e conseguirmos utilizar as verbas previstas para esse ano (2 milhões da CET e 1 milhão e 200 mil de emenda parlamentar do Vereador Aurélio Miguel). O grande erro: a subprefeitura acreditou na empresa e nós acreditamos na subprefeitura.

Da esq. para a dir.: Álvaro (Coletivo Ideia Nossa),
Sofia (Colégio Ítaca) e Gabriel (Ciclocidade) em
reunião na Câmara Municipal de São Paulo sobre
a ciclovia. Fonte: Ciclocidade
Fato é que a empresa em todas as nossas reuniões afirmava que o projeto executivo estava em andamento no escritório, mas o que entregaram para a CET foi recusado. Recusado mais de uma vez. Assim como nós fomos enrolados mais de uma vez. Perdemos tempo, energia e ainda os dois milhões da CET que foram destinados a outra obra com projeto executivo finalizado.

O subprefeito continua mantendo o discurso de que a ciclovia será entregue esse ano. Agora vamos ao novo discurso oficial.

Uma empresa - Tecnotrans - irá executar a ciclovia sem projeto (sendo realizado posteriormente um "as built" [sic!]) onde o traçado contempla o trecho que vai do Shopping Butantã até o final da Av. Eliseu de Almeida. Trecho bem menor do que seria contemplado anteriormente que iria de Taboão da Serra ao metrô Butantã.

Para este trecho será usada a emenda parlamentar de R$150.000,00 destinadas e já disponibilizadas para utilização pelo Vereador Nabil Bonduki e com a emenda do Aurélio Miguel que deverá ser autorizada para uso neste sábado via decreto no diário oficial. Totalizando R$1.350.000,00 disponíveis semana que vem, estando a subprefeitura apta a iniciar as obras.

A interligação do final da Eliseu até o metrô já está em fase de projetos, pela mesma empresa, mas sem previsão de início e muito menos de entrega.

Há ainda as seguintes promessas, sem nenhum prazo para conclusão:
- a continuação da ciclovia até o Taboão;
- um braço da ciclovia até a futura estação de metrô Morumbi;
- ciclorotas até a Ponte Eusébio Matoso;
- interligação até o Portão 1 da USP;
- interligação com o bairro do Caxingui.

Placas utilizadas nos protestos. Fonte: Mobilize
Para a continuação da ciclovia e outras propostas acima é fundamental a atuação dos vereadores da Frente Parlamentar de Mobilidade Humana para destinar emendas em 2014 para a ciclovia. E faz-se com extrema urgência inserir na pauta das discussões sobre o Plano Diretor e da Lei de Diretrizes Orçamentárias a ciclovia da Av. Eliseu de Almeida.

Em uma das reuniões no Estúdio do Morro entre ciclistas da região pegamos o projeto da ciclovia e comentamos todas as folhas, indicando nossas alterações, críticas e sugestões. Tudo a troco de quê?

Ainda batemos na tecla de soluções emergenciais desde o ano passado para aqueles ciclistas que usam a avenida diariamente em seus deslocamentos e nenhuma delas nunca foi contemplada. Sinalização horizontal e vertical de ciclistas na via, redução e/ou controle de velocidade na via, campanhas de educação no trânsito, implantação de ciclorotas. Para quê? São ações desnecessárias, não é mesmo?

Adesivo distribuído nos protestos. É comum encontrar bicicletas e carros com esse pedido na região. Fonte: Vá de Bike
Houve um esforço enorme da sociedade, incluindo aqui todos aqueles que em algum momento destes últimos 10 anos se engajaram nessa luta, de que a ciclovia fosse executada de forma exemplar para atender a atual e futura demanda de forma segura.

Bicicleta do ciclista Lauro Neri, atropelado e morto em 2012
na avenida. Fonte: Via Trolebus
Com o rumo das ações da subprefeitura estamos prestes a receber uma CICLOCOISA que pode colocar em risco à segurança de ciclistas, ao invés de resguardá-los e ainda ser sub-aproveitada já que a demanda reprimida de ciclistas poderá não se sentir segura em pedalar trecho-sim, trecho-não na ciclovia, que nem sinalização irá receber, sendo um risco principalmente nos cruzamentos.

Os ciclistas presentes na reunião consideram clara a necessidade de manutenção, ampliação e intensificação dos protestos pela ciclovia na Eliseu. Não podemos nos contentar com o que "sobra para fazer" imposta pela prefeitura. Uma reunião com o secretário de subprefeituras, Chico Macena, já está sendo agendada e caso não resolva solicitaremos mais uma vez uma reunião com o prefeito Fernando Haddad.

Queremos a ciclovia da Eliseu, não mais uma ciclocoisa na cidade. Muitos poderão exclamar: "mas pelo menos vão fazer alguma coisa!". E eu deixo a seguinte pergunta para reflexão: "até quando iremos nos contentar com migalhas do poder público e suas obras com projetos imperfeitos ou mesmo sem projetos?"
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