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domingo, 4 de abril de 2010

"Inesquecível, Serra, Inesquecível"

Estes dias recebi um email, o qual repassei como de costume, sobre a foto de Clayton de Souza da Agência do Estado , ficam aqui alguns artigos sobre a greve para estarmos a par deste acontecimento em épocas de candidaturas.

Quando todos estão errados, alguém tem que fazer a coisa certa
.
São Paulo, 26/03/2010.
Em meio à fumaça das bombas, as balas de borracha, pedradas e pauladas, a cena registrada pelo fotórgrafo Clayton de Souza (Agencia Estado) simboliza toda força e toda fraqueza de um momento "humano, demasiado humano", plagiando o título idêntico da obra de Friedrich Nietzsche (1878).

De um lado um sindicato sem rumo, uma greve que se iniciou sem pauta clara e um movimento heterogênio, onde professores reivindicando melhores salários e condições de trabalho se misturam a pelegos e ativistas políticos inconsequentes (os porra-loucas de sempre). Do outro, um governo arrogante e incompentente, guiado por um desejo sombrio de eternização no poder a qualquer preço e que abusa dos preceitos de segurança a que tem direito legal e usa a polícia como instrumento de repressão (dentre outros).

Mas no meio, bem no meio, um professor e um soldado. Ambos mal pagos pelo mesmo patrão, ambos difamados pela mesma mídia chapa-branca e ambos esquecidos pela dita "sociedade formadora de opinião", que depois de formar uma opinião muito romântica sobre si mesma, tem se dedicado apenas a coçar o próprio umbigo.


Esta imagem tem um quê de tristeza, pois mostra como duas categorias que não são antagônicas, e que existem, ambas, para o promover o bem-estar da sociedade, uma protegêndo-a, outra educando-a, são levadas ao confronto em nome de grupos outros, com interesses outros e bem distantes dos interesses de soldados e professores. O professor que carrega o policial ferido é também o mesmo que educa seus filhos e que tenta construir uma sociedade menos violenta, politicamente mais consciente e que possa um dia abolir governos autoritários e incompetentes, como o governo de São Paulo tem sido e agido ao longo de toda a gestão do PSDB.

Já na imagem seguinte, onde um professor é imobilizado por um soldado, é difícil compreender que o soldado só esteja cumprindo o seu dever. Mas é assim que é. Esse soldado não invadiria uma escola e agrediria um professor por desejo próprio, porque não gosta de professores. Ele provavelmente é um bom soldado e cumpre as ordens dos seus superiores. Mas o recado que a imagem passa é bastante claro: esse governo não gosta de professores, não gosta de soldados e, no limite, tem nojo da sociedade e ama o poder acima de todas as demais coisas, pessoas e instituições.

Absurdos são situações improváveis, aquelas que não esperaríamos ver, como essa imagem de alunos e professores queimando livros. Não que sejam livros importantes, pois são apenas os "caderninhos" onde o governo gastou milhões do meu e do seu dinheiro para "encinar" (sic o próprio caderninho) que existem vários Paraguais em locais improváveis do mapa e, para,além de alimentar a simpatia política de editoras que farão boas doações para o PSDB, passar a falsa impressão de que está se investindo na educação paulista. Os livros que o MEC envia às escolas são imensamente melhores e não custam um tostão a mais ao Estado de São Paulo, nem aos alunos.

Esses caderninhos, além de didaticamente ruins, são quase inúteis, porque pedagogicamente mal concebidos, e geralmente chegam às escolas apenas depois que o assunto já foi estudado em sala de aula, ou trazem propostas irreais que são abandonadas pelos professores. Os alunos os jogam fora (não acho que queimem) e muitos professores os ignoram porque dispõem de material melhor oferecido pelo MEC. Mas, mesmo assim, nada justifica que sejam queimados. Esse ato "simbólico", ainda que pretenda representar a "queima do governo" ou a "queima que o governo promove no nosso dinheiro" para fazer campanha para si mesmo, tem o lado infeliz demais de também representar o desperdício de algo que, embora mal concebido e mal desenvolvido, representa ainda assim um recurso à mais disponível para a escola.

Nessa "guerra de partidos", entremeio a sindicatos frouxos e governos desgovernados, o que tem restado para os filhos do povo de São Paulo são escolas falidas, entulhadas de pobres que têm aulas com professores pobres e são protegidos por uma polícia empobrecida, diferentemente dos filhos da burguesia formadora de opinião, dos políticos carreiristas e aventureiros e da elite que usufrui de ambos.

É nesse mundo de contradições, abandonado por sindicatos e governos, caluniado pela mídia chapa-branca e ignorado ostensivamente pela elite pensante que orbita o próprio umbigo, que uma imagem de um professor carregando um policial ferido ganha uma importância simbolica muito grande: ela é o retrato de uma sociedade que tem que aprender a carregar a si própria e deixar de ser carregada por sindicatos e governos incompetentes, que defendem a si próprios em nome daqueles que se degladiam por melhores condições de vida e trabalho.


Meus parabéns aos colegas professores e aos policiais que estiveram, ambos, cumprindo seus deveres.

Meus pêsames ao sindicato e ao governo.

José Carlos Antonio
Fonte: Site do Professor José Carlos

Já este artigo de Leandro Fortes da Carta Capital resume bem toda a situação. "Inesquecível, Serra, Inesquecível".

Uma foto
Leandro Fortes

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra.

A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor.

Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital.

É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória.

Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.
Inesquecível, Serra, inesquecível!


George H. S. Ruchlejmer
"Sua ideia é IdeiaNossa.blogspot.com"

5 comentários:

caio disse...

Pois é George,

Acho que nesse texto você retratou pontos interessantes que se repetem ao longo da história do nosso governo.
Muitas pessoas usam do direito de cidadão de protestar para prejudicar a classe(no caso, dos professores que foram protestar pacificamente para melhores condições de salários) e prejudicam a todos os professores, até mesmo os que não estavam lá.
Por outro lado, uma polícia despreparada, desmotivada e sem nenhuma estrutura é colocada para "barrar a qualquer custo" a "desordem" dos professores que lá estavam. Com certeza o confronto seria eminente.
Mas acho que o problema é muito maior do que isso, o problema já é cultural, o problema vem da idéia que o brasileiro já tem de levar vantagem, de sonegar imposto porque acha que o governo já rouba o suficiente, de querer ser mais que o outro. É a maldita Lei de Gerson (veja o video http://www.youtube.com/watch?v=J6brObB-3Ow) onde todo mundo quer levar vantagem.
Não é que o governo especificamente do SERRA é filho da P!¨%$@%!$@, é a cultura do brasileiro que já perdeu a dignidade há muito tempo. Cada um de nós precisa fazer a sua parte, e não desistir.
A situação está longe do ideal e pode ser que ela nunca mude, mas teremos a consciência limpa de que a nossa parte está sendo feita.

Um abraço.

George Ruchlejmer disse...

Obrigado pelos comentários Caio, e pela opinião. É expressivamente notável a culpa do Serra, mas concordo que não só dele, mas de todos os responsáveis pelos representantes que temos lá em cima falando por nossas bocas. Fomos nós quem elegemos, então faz sentido botar a responsabilidade também no brasileiro.

Álvaro Diogo disse...

Esse cara ainda consegue ir para o 2° turno...

Léo disse...

estava bastante esperançoso pelo primeiro turno, mas o vampirão conseguiu seguir na disputa... pior ainda foi ver o maior comparsa dele, Alckmin, se elegendo no primeiro turno aqui em SP, lamentável....

George Ruchlejmer disse...

Realmente, lamentável... pior foi ver que a maioria dos cidadão de São Paulo, cidade menos alienada (acredito eu), elegeram Serra. Lamentável +1

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