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terça-feira, 29 de março de 2011

Fé e Insensatez

Fé e Insensatez

Lideres religiosos deveriam ser responsabilizados quando suas ideias irracionais se tornam ameaçadoras.

Revista Scientific American Brasil - por Lawrence M. Krauss

A cada dois anos a Fundação Nacional de Ciência, nos Estados Unidos produz o relatório Indicadores de Ciência e Engenharia, destinado a pesquisar o entendimento do público leigo acerca de conceitos científicos. E, a cada dois anos, chegamos novamente à triste constatação de que os adultos nos Estados Unidos estão menos dispostos que os de outros países desenvolvidos a aceitar como verdadeiros a teoria da evolução e o Big Bang.

Exceto desta vez. Teria havido um súbito salto quantitativo na “alfabetização” científica dos americanos? Infelizmente, não. Pelo contrário: o Comitê Nacional de Ciência, que controla a fundação, optou por não incluir na edição de 2010 a seção que discute esses tópicos, alegando que as questões constituíam “indicadores falhos da compreensão científica, pois as respostas confundiam conhecimento com crenças”. Em suma, como as crenças religiosas demandam que os respondentes ignorem os fatos científicos, o Comitê não acha adequado revelar essa realidade.

Entretanto, essa seção existe e a revista Science teve acesso a ela. A afirmação de que “os seres humanos, como os conhecemos atualmente, se desenvolveram a partir de espécies animais ancestrais” é “verdadeira” somente para 45% dos entrevistados. Compare esse número com as porcentagens de respostas afirmativas no Japão (78%), Europa (70%), China (69%) e Coreia do Sul (64%). Apenas 33% dos americanos concordam que “o Universo se originou de uma grande explosão”.

Atente para os resultados do Levantamento Religioso de 2009: 31% da população adulta americana acredita que “os humanos e outros seres vivos existem em sua presente forma desde o começo dos tempos” (o que também é válido para cachorros, cavalos e o vírus H1N1). O aspecto mais esclarecedor do levantamento é sua classificação das respostas por níveis de atividade religiosa, sugerindo que, de um modo geral, os mais devotos são os menos dispostos a aceitar a evidência de realidade. Protestantes evangélicos brancos têm a maior taxa de negação (55%), seguidos de perto pelo grupo — composto por todas as religiões — dos que frequentam cerimônias religiosas pelo menos uma vez por semana (49%).

Não sei o que é mais perigoso: crenças religiosas forçando algumas pessoas a escolher entre conhecimento e mito ou transformar em tabu a sugestão de que a religião pode alimentar a ignorância. Para isso, os riscos são estigmatizados como intolerância à religião. Em um recente artigo para o New York Times, o bem-intencionado Dalai Lama justapõe a assertiva de que “os ateus radicais promovem condenações generalizantes daqueles que têm crenças religiosas” à sua critica à intolerância extremista, ações homicidas e ódio religioso perpetrados no Oriente Médio. Apesar da diferença entre contestar crenças e decapitar ou bombardear pessoas, os “ateus radicais” em questão raramente condenam indivíduos, mas ações e ideias que merecem ser questionadas.

De forma surpreendente, a maior hesitação para se pronunciar vem, muitas vezes, daqueles que deveriam estar mais preocupados com o silêncio. Em maio, participei de uma conferência sobre políticas públicas e científicas em que o tom do debate foi dado por um representante da Pontifícia Academia de Ciências do Vaticano. Quando o questionei sobre como conciliava suas visões razoáveis sobre ciência com as atividades injustas e, ocasionalmente, absurdas da Igreja — desde falsos argumentos sobre preservativos e aids na África até pedofilia entre os clérigos—, fui acusado de intolerância por um orador após o outro.

Os líderes religiosos precisam ser responsabilizados por suas ideias. Recentemente, no meu estado, Arizona, a irmã Margaret McBride, administradora sênior do St. Joseph’s Hospital, em Phoenix, autorizou um aborto legal para salvar a vida de uma mãe de 27 anos, com quatro filhos, que estava na 11ª semana de gestação e sofria de graves complicações de hipertensão pulmonar. A religiosa tomou essa decisão após consultar a família da mãe, seus médicos e o comitê de ética local. Mesmo assim, o bispo de Phoenix, Thomas Olmsted, imediatamente excomungou a irmã Margaret, declarando que “não se pode optar pela vida da mãe em prejuízo à da criança”. Em uma situação normal, um homem que impiedosamente deixa uma mulher morrer; tornando órfãos seus filhos, seria considerado um monstro; isso não deve ser diferente só porque ele é um sacerdote.

Na campanha para governador do Alabama, um anúncio pago pelo sindicato estadual dos professores atacou o candidato Bradley Byrne, em razão de seu suposto apoio ao ensino da teoria da evolução. Preocupado com seu futuro político, Byrne achou por bem negar a acusação.

Manter a religião imune à crítica é injustificável, além de perigoso. A menos que estejamos dispostos a evidenciar a irracionalidade religiosa sempre que ela surgir, encorajaremos uma política pública irracional e promoveremos a ignorância, em detrimento da educação de nossas crianças.

3 comentários:

Wladimir disse...

Alvaro

Ótimo tema para refletir, mas, eu tenho uma espécie de solução pessoal para esse, digamos, impasse. Logo de cara, ao estabelecer qualquer novo relacionamento, comercial ou pessoal, deixo claras duas coisas: que sou ateu e que prezo a ética antes de tudo. Depois, deixo que as criaturas tirem suas conclusões a meu respeito baseadas unicamente no que eu faço e não no que eu digo. Gastei meu saco de tanto discutir com gente que acha que padres e pastores representam na terra aquilo que chamam de deus.
O Idéia Nossa é sempre um bom lugar para eu exercitar meu "vício" de pensar. Valeu!

Douglas disse...

Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia

FALTA TALVEZ UM POUCO DE INSENSATEZ, TALVEZ UM POUCO DE CORAGEM DE DESLIGAR UM POUCO QUE SEJA, A MENTE, DO MANDAMENTOS FEITOS CABESTROS, FAITOS LAVAGEM CEREBRAL. DE FATO É DIFICIL MANTER UMA DISCUSSÃO COM ALGUÉM QUE ACREDITA, ENQUANTO VOCÊ NÃO ACREDITA, MAS AO MESMO TEMPO DIFICIL DE SABER COMO SERIA O CONVIVIO DAS PESSOAS SE NÃO FOREM GUIADAS POR ALGO ONDE POSSAM SE SEGURAR... MAS DEVEMOS SER COERENTE E ACREDITAR QUE A CIência JA NOS LEVOU A MUITOS ANOS DE EVOLUÇÃO.

douglas disse...

ERRATA: onde se Lê "insensatez" subscreve-se "sensatez"

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